Zürcher Nachrichten - Brasil sufoca com juros Altos

EUR -
AED 4.240541
AFN 72.158911
ALL 95.304313
AMD 425.375704
ANG 2.067088
AOA 1059.832402
ARS 1664.7973
AUD 1.642717
AWG 2.080988
AZN 1.968207
BAM 1.951635
BBD 2.324459
BDT 141.868459
BGN 1.927924
BHD 0.435358
BIF 3447.340318
BMD 1.154501
BND 1.483846
BOB 7.975049
BRL 5.990591
BSD 1.154047
BTN 110.049091
BWP 15.610819
BYN 3.187625
BYR 22628.22178
BZD 2.321166
CAD 1.610587
CDF 2627.644264
CHF 0.922104
CLF 0.026893
CLP 1058.44555
CNY 7.819148
CNH 7.825976
COP 4129.396485
CRC 532.568028
CUC 1.154501
CUP 30.594279
CVE 110.428292
CZK 24.162903
DJF 205.178601
DKK 7.47405
DOP 67.249929
DZD 154.325617
EGP 59.710727
ERN 17.317517
ETB 182.670883
FJD 2.562185
FKP 0.864939
GBP 0.863393
GEL 3.059266
GGP 0.864939
GHS 13.519288
GIP 0.864939
GMD 84.278477
GNF 10133.634936
GTQ 8.797301
GYD 241.456784
HKD 9.048229
HNL 30.779149
HRK 7.535079
HTG 150.899264
HUF 355.955357
IDR 20641.325367
ILS 3.400652
IMP 0.864939
INR 110.353013
IQD 1512.396456
IRR 1587641.065839
ISK 143.386226
JEP 0.864939
JMD 182.241069
JOD 0.81854
JPY 185.130057
KES 149.346122
KGS 100.960771
KHR 4632.44326
KMF 492.972321
KPW 1038.883885
KRW 1761.179684
KWD 0.357075
KYD 0.961756
KZT 563.56215
LAK 25401.919878
LBP 103385.574505
LKR 389.512093
LRD 210.696249
LSL 19.072203
LTL 3.408941
LVL 0.698346
LYD 7.354046
MAD 10.687152
MDL 20.069343
MGA 4854.677272
MKD 61.653871
MMK 2423.497754
MNT 4131.587691
MOP 9.3153
MRU 46.324395
MUR 55.289178
MVR 17.848318
MWK 2004.213693
MXN 20.132826
MYR 4.689349
MZN 73.781799
NAD 19.060809
NGN 1570.121855
NIO 42.289462
NOK 10.982196
NPR 176.078745
NZD 1.984702
OMR 0.443931
PAB 1.154147
PEN 3.960805
PGK 5.056427
PHP 70.994889
PKR 321.35543
PLN 4.242272
PYG 7107.692102
QAR 4.208732
RON 5.236822
RSD 117.37702
RUB 83.09944
RWF 1687.880625
SAR 4.335034
SBD 9.288623
SCR 15.537236
SDG 693.28319
SEK 10.930009
SGD 1.485197
SHP 0.861952
SLE 28.458136
SLL 24209.313482
SOS 659.789127
SRD 43.263757
STD 23895.842073
STN 24.764049
SVC 10.098536
SYP 127.60943
SZL 19.072648
THB 37.971985
TJS 10.767713
TMT 4.052299
TND 3.358155
TOP 2.779761
TRY 53.210032
TTD 7.828361
TWD 36.458909
TZS 3013.245575
UAH 51.845054
UGX 4353.746125
USD 1.154501
UYU 46.720695
UZS 13882.875494
VES 654.571184
VND 30398.014258
VUV 137.714246
WST 3.170667
XAF 654.565722
XAG 0.017661
XAU 0.000271
XCD 3.120097
XCG 2.079979
XDR 0.817855
XOF 657.484903
XPF 119.331742
YER 275.521999
ZAR 19.130665
ZMK 10391.889075
ZMW 20.497433
ZWL 371.748887

Brasil sufoca com juros Altos




A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano consolidou o Brasil como um dos países com os maiores juros reais do mundo. O Comitê de Política Monetária argumenta que a medida é necessária para ancorar as expectativas e garantir a convergência da inflação à meta, mas o alto custo do crédito já afeta a vida das famílias e das empresas. Instituições financeiras, consultores e lideranças empresariais afirmam que o país “não aguenta mais” os juros no patamar atual e apontam que a política fiscal desordenada piora o quadro.

Cautela monetária e incerteza fiscal
O ambiente externo, marcado por tensões geopolíticas e políticas monetárias restritivas em economias avançadas, exige prudência de países emergentes. No cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue acima da meta de 3%, as expectativas de inflação para 2025 e 2026 permanecem desancoradas e o mercado de trabalho ainda está aquecido. Para o Banco Central, esses fatores justificam a manutenção de uma política contracionista por “período bastante prolongado”, uma vez que reduções prematuras poderiam desancorar expectativas e desvalorizar a moeda.

Economistas observam, no entanto, que a incerteza fiscal é determinante para a necessidade de juros elevados. A ausência de superávit primário consistente, o crescimento das despesas obrigatórias e o adiamento de reformas estruturais aumentam a percepção de risco dos investidores e dificultam a queda da Selic. Projeções oficiais apontam que a relação dívida/PIB, de 76,8% em 2025, pode ultrapassar 83% em 2026 e aproximar-se de 87% em 2027, patamar elevado para uma economia emergente.

O peso dos juros no setor público e privado
Com mais de 60% da dívida pública indexada à Selic e ao CDI, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa básica adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos com juros e dificulta o ajuste das contas públicas. Em 2025, o déficit nominal do setor público permaneceu próximo a 8% do PIB, enquanto a dívida bruta avançou de 75,7% para 76,8% do PIB. A ampliação de despesas, em grande parte obrigatórias, compromete cerca de 93% do orçamento, limitando margens para cortes e exigindo novos empréstimos a taxas crescentes.

O setor produtivo sente esse aperto. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que oito em cada dez empresas consideram os juros a principal barreira ao crédito. No comércio e nos serviços, empresários relatam dificuldades para financiar estoques e expandir seus negócios. A construção civil revisou para baixo a previsão de crescimento, e até grandes redes de supermercados afirmam que o país mantém a segunda maior taxa real de juros do mundo, atrás apenas da Turquia.

Para as famílias, os juros a 15% tornam mais caro o financiamento de imóveis, veículos e compras no cartão de crédito. Economistas apontam que o custo do dinheiro sobe, restringindo o consumo e aumentando a desigualdade de renda: quem tem patrimônio se beneficia de aplicações indexadas à Selic, enquanto os endividados enfrentam taxas que ultrapassam 200% ao ano em linhas rotativas.

Divergência entre políticas e desaceleração econômica
Ao longo de 2025, o governo federal adotou medidas expansionistas – aumento de gastos sociais, subsídios a crédito e renúncias fiscais – que estimularam a demanda em um momento de política monetária restritiva. A estratégia produziu crescimento acima do esperado no primeiro semestre, mas a economia perdeu fôlego no terceiro trimestre, quando o PIB avançou apenas 0,1%, o ritmo mais lento em três anos. O consumo das famílias praticamente estagnou, enquanto a indústria e os serviços sentiram o impacto dos juros altos.

Analistas alertam que a falta de coordenação entre a política monetária e a fiscal prolonga o aperto e reduz a eficácia da taxa Selic como instrumento de controle inflacionário. A confiança de empresários e investidores foi abalada pelas discussões no Congresso para flexibilizar o arcabouço fiscal, permitindo mais gastos e renúncias de receita. Estimativas do mercado projetam endividamento público superior a 81% do PIB em 2025. O risco de deterioração fiscal, somado à possibilidade de medidas populistas em ano pré-eleitoral, mantém a percepção de risco elevada e limita o espaço para cortes na Selic.

A voz das ruas e das empresas
Além dos analistas, parlamentares e entidades representativas têm criticado a combinação de juros altos e gestão fiscal expansionista. O deputado federal Marcos Pereira, presidente de um partido da base de centro-direita, afirmou que os juros a 15% encarecem financiamentos imobiliários, compra de veículos e uso do cartão. Ele associa o aperto monetário à “má gestão fiscal” do governo, que aumentou impostos e gastos acima da arrecadação.

Para representantes da indústria e do comércio, o atual patamar de juros sufoca a produção e impede a geração de emprego. A Federação das Indústrias alerta que 80% das empresas consideram o crédito caro o principal entrave. Já o setor de supermercados ressalta que o Brasil mantém juros reais altíssimos, pressionando os preços ao consumidor.

Caminhos para a queda dos juros
Especialistas concordam que a melhora do ambiente fiscal é condição essencial para que os juros recuem. Estudos mostram que cada ponto percentual de deterioração do resultado primário pode elevar a Selic em até 0,5 ponto, enquanto um superávit consistente abriria espaço para cortes. Assim, a construção de superávits primários, a revisão de despesas obrigatórias e a aprovação de reformas estruturais – como a administrativa e a tributária – são apontadas como passos indispensáveis.

Alguns economistas estimam que a taxa neutra de juros no Brasil estaria próxima de 9% ao ano. Para chegar a esse patamar, seria necessário reduzir a incerteza fiscal, melhorar a produtividade e credibilizar a política econômica. Sem essas mudanças, o país corre o risco de conviver por mais tempo com juros de dois dígitos, crescimento fraco e aumento da dívida.

Conclusão
O Brasil enfrenta um dilema: os juros altos são considerados necessários para conter a inflação, mas impõem um custo social e econômico elevado e convivem com um setor público que gasta além das receitas. Enquanto o governo não apresentar um plano crível de ajuste fiscal e reformas que equilibrem as contas, a autoridade monetária permanecerá refém de juros elevados. E, nesse contexto, o país não aguenta mais tanto juros, e o fiscal não ajuda. A convergência das políticas – com responsabilidade fiscal e coordenação entre as autoridades – é a saída para aliviar o bolso dos brasileiros, impulsionar o investimento e colocar a economia em rota de crescimento sustentável.