Zürcher Nachrichten - Balanço 2025 e Desafio 2026

EUR -
AED 4.240317
AFN 72.167233
ALL 95.287507
AMD 425.41801
ANG 2.067291
AOA 1059.936105
ARS 1664.962855
AUD 1.643568
AWG 2.081193
AZN 1.962636
BAM 1.951827
BBD 2.330297
BDT 141.88239
BGN 1.928114
BHD 0.43636
BIF 3452.939522
BMD 1.154614
BND 1.487534
BOB 7.975832
BRL 5.994417
BSD 1.156945
BTN 110.059897
BWP 15.649957
BYN 3.19563
BYR 22630.44378
BZD 2.326996
CAD 1.610387
CDF 2627.902087
CHF 0.922566
CLF 0.026898
CLP 1058.620194
CNY 7.819915
CNH 7.823598
COP 4129.686513
CRC 533.893967
CUC 1.154614
CUP 30.597284
CVE 110.438583
CZK 24.161983
DJF 206.029313
DKK 7.473939
DOP 67.384481
DZD 154.331528
EGP 59.721162
ERN 17.319217
ETB 186.527867
FJD 2.562439
FKP 0.865024
GBP 0.862722
GEL 3.05952
GGP 0.865024
GHS 13.520351
GIP 0.865024
GMD 84.287358
GNF 10134.725897
GTQ 8.798165
GYD 241.480494
HKD 9.048852
HNL 30.938642
HRK 7.536512
HTG 151.274959
HUF 355.875251
IDR 20784.215229
ILS 3.400986
IMP 0.865024
INR 110.233583
IQD 1512.544967
IRR 1587796.965194
ISK 143.464052
JEP 0.865024
JMD 182.703498
JOD 0.818613
JPY 185.148779
KES 149.383845
KGS 100.97069
KHR 4647.6684
KMF 493.020169
KPW 1038.985899
KRW 1759.188004
KWD 0.357111
KYD 0.96185
KZT 563.61749
LAK 25404.382801
LBP 103608.985153
LKR 389.550342
LRD 210.716361
LSL 19.074437
LTL 3.409276
LVL 0.698415
LYD 7.373839
MAD 10.688272
MDL 20.071313
MGA 4853.84751
MKD 61.649656
MMK 2423.735731
MNT 4131.993397
MOP 9.316215
MRU 46.197984
MUR 55.283265
MVR 17.850046
MWK 2006.26364
MXN 20.138822
MYR 4.6942
MZN 73.787365
NAD 19.062473
NGN 1569.282977
NIO 42.575283
NOK 10.983669
NPR 176.51713
NZD 1.983755
OMR 0.443925
PAB 1.15426
PEN 3.961193
PGK 5.063796
PHP 70.989127
PKR 321.965732
PLN 4.244883
PYG 7126.7435
QAR 4.209146
RON 5.238142
RSD 117.350455
RUB 83.103422
RWF 1694.144839
SAR 4.334363
SBD 9.289535
SCR 15.371858
SDG 693.343039
SEK 10.93764
SGD 1.486573
SHP 0.862036
SLE 28.46104
SLL 24211.690739
SOS 661.266014
SRD 43.267999
STD 23898.188549
STN 24.508692
SVC 10.099527
SYP 127.62196
SZL 19.02849
THB 38.020959
TJS 10.768771
TMT 4.052697
TND 3.358485
TOP 2.780034
TRY 53.258783
TTD 7.82913
TWD 36.524376
TZS 3013.54149
UAH 51.975483
UGX 4354.173646
USD 1.154614
UYU 46.725283
UZS 13884.23942
VES 654.63546
VND 30391.184998
VUV 137.727769
WST 3.170978
XAF 656.206771
XAG 0.018108
XAU 0.000277
XCD 3.120404
XCG 2.080183
XDR 0.816111
XOF 656.209613
XPF 119.331742
YER 275.549079
ZAR 19.103039
ZMK 10392.916986
ZMW 20.54891
ZWL 371.785391

Balanço 2025 e Desafio 2026




O ano político de 2025 transformou‑se num período de transição em Portugal. Uma sucessão de crises e reformas agitadas alterou o mapa político e preparou o terreno para uma eleição presidencial em janeiro de 2026. A instabilidade começou logo em fevereiro, quando surgiram denúncias de conflito de interesses entre o primeiro‑ministro Luís Montenegro e a consultora de proteção de dados que fundara, Spinumviva. Montenegro recusou ter beneficiado a empresa e convocou um conselho extraordinário de ministros para avaliar a situação. Em março apresentou uma moção de confiança no seu governo minoritário e admitiu que novas eleições poderiam clarificar o impasse. O país voltou às urnas em 18 de maio e a Aliança Democrática (AD) — coligação liderada pelo PSD com o CDS‑PP — manteve a primazia, com cerca de um terço dos votos e 88 deputados. O PS caiu para pouco mais de 22 % dos votos e 58 lugares, enquanto o partido de extrema‑direita Chega ultrapassou os socialistas em deputados (60) embora tenha obtido 22,7 % dos votos. Pedro Nuno Santos demitiu‑se de líder socialista, mas a esquerda fragmentada não conseguiu impedir a continuidade do governo de Montenegro.

A nova legislatura começou com a aprovação do Orçamento do Estado para 2025, apresentado ainda em outubro de 2024. O governo prometeu crescimento de 2,1 % e superávit de 0,3 % do PIB, actualizou as tabelas do IRS em 4,6 %, aumentou a isenção do subsídio de alimentação para 10,20 euros, introduziu uma isenção total de IRS para jovens no primeiro ano de trabalho e reduções nos nove anos seguintes, bem como isenções de IMT e imposto de selo para jovens na compra de habitação. As despesas em saúde cresceram para 16,8 mil milhões de euros. Apesar dessas medidas, a oposição criticou o orçamento por favorecer empresas e por não responder à crise habitacional e à inflação.

Outro marco de 2025 foi a decisão de reprivatizar a companhia aérea TAP. Em julho, o Conselho de Ministros aprovou um decreto‑lei para vender até 49,9 % do capital da transportadora. Montenegro sublinhou que a operação salvaguardaria as rotas estratégicas e a continuidade do hub de Lisboa, permitindo vender 44,9 % a um ou mais investidores e reservar 5 % para os trabalhadores. O governo advertiu que poderia suspender a privatização se os objectivos não fossem cumpridos. Três grandes companhias europeias — Lufthansa, Air France‑KLM e IAG — manifestaram interesse, e Montenegro afirmou esperar propostas de grupos fora da UE para reforçar a competitividade e as sinergias da TAP.

O executivo também apresentou reformas profundas na lei da nacionalidade e na política migratória. As propostas aumentaram para sete anos (dez anos para não lusófonos) o tempo de residência necessário à naturalização, exigiram testes de língua e cultura e eliminaram o acesso à cidadania por ascendência sefardita. Para crianças nascidas em Portugal, pelo menos um progenitor teria de residir legalmente no país há três anos e pedir a nacionalidade. O visto para procura de emprego seria reservado a profissionais altamente qualificados; a reunificação familiar exigiria recursos financeiros mínimos; cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa teriam de obter visto de residência e seria criada uma unidade de fiscalização (UNEF). O governo propôs ainda prorrogar até 15 de outubro de 2025 a validade dos títulos de residência e reforçar o combate à imigração ilegal. Estas mudanças suscitaram debate sobre integração e atração de talento.

Em matéria laboral, o governo avançou com um “pacote laboral” que altera mais de uma centena de artigos do código do trabalho. Pretende facilitar despedimentos por justa causa em pequenas e médias empresas, levantar limites à subcontratação e limitar a flexibilidade horária para mães que amamentam. O objectivo declarado é aumentar a produtividade, num país cuja produtividade hora‑trabalhada equivale a 80,5 % da média da UE. Os sindicatos CGTP e UGT consideram que a reforma favorece os empregadores e sacrifica direitos e convocaram a primeira greve geral desde 2013. Em 11 de dezembro, os comboios pararam, centenas de voos foram cancelados e muitas escolas fecharam. Manifestantes marcharam com cartazes a dizer “Não ao pacote laboral” e “Despedir sem razão é cumprir a vontade do patrão”. O governo minimizou o impacto, alegando que a maioria dos trabalhadores do sector privado não aderiu. Após a greve, a ministra Maria do Rosário Ramalho reuniu‑se com a UGT e aceitou negociar alterações; o sindicato considerou o encontro positivo.

As eleições autárquicas de 12 de outubro consolidaram a viragem à direita. O PSD venceu em 136 municípios, 22 mais do que em 2021, enquanto o PS caiu para 127. Em Lisboa, o social‑democrata Carlos Moedas foi reeleito com 34,3 % dos votos, superando Alexandra Leitão; no Porto, Pedro Duarte (PSD) obteve 37,3 % e empatou em mandatos com o PS. O PSD também conquistou Braga e Vila Nova de Gaia, enquanto o PS venceu Coimbra e Loures. A coligação PSD/IL/PAN ganhou Sintra com 33,86 %, e em Setúbal a coligação PSD/CDS‑PP venceu por cerca de 1 200 votos. Chega elegeu pela primeira vez um presidente de câmara em São Vicente (Madeira) e conquistou Albufeira no Algarve, sinal do crescimento da extrema‑direita. A abstenção foi de 40,74 %, a mais baixa desde 2005.

No plano externo, Portugal consolidou‑se como um dos aliados mais consequentes de Kyiv. O acordo de cooperação em segurança assinado em maio de 2024 comprometeu Lisboa a fornecer pelo menos 126 milhões de euros em apoio militar, mas o país já superara esse valor: entre maio de 2024 e maio de 2025 foram entregues 226 milhões de euros, incluindo helicópteros Ka‑32 e SA‑330 Puma, munições de artilharia e investimento de 52 milhões na Coligação de Drones. Portugal participa nas coalizões internacionais que fornecem veículos blindados, aviação e poder naval e pertence à coligação que treina pilotos ucranianos de F‑16. Em 2025 foi prometido um novo pacote de 220 milhões de euros. O país apoia a utilização de lucros de activos russos congelados para financiar a defesa ucraniana e contribui para o tribunal internacional que julgará o crime de agressão. Nos domínios humanitário e social, Lisboa financia o programa “Grão para a Ucrânia” e prolongou a proteção temporária dos cerca de 54 mil refugiados ucranianos a residir no país. A empresa portuguesa Tekever abriu um escritório na Ucrânia e os seus drones AR5, produzidos em parceria com Kiev, têm causado pesadas perdas ao exército russo.

Esse compromisso foi reafirmado durante a visita do primeiro‑ministro a Kyiv em 20 de dezembro de 2025. Luís Montenegro e Volodymyr Zelensky anunciaram a produção conjunta de drones subaquáticos e um fórum económico para 2026, valorizando a cooperação na tecnologia de veículos não tripulados. Montenegro agradeceu a integração dos quase 80 000 ucranianos que vivem em Portugal e destacou o apoio financeiro, humanitário e militar dado desde o início da invasão. O chefe do governo sublinhou que defender a Ucrânia é também defender os valores e interesses europeus, alinhando‑se com a decisão do Conselho Europeu de conceder um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kyiv e discutir o uso de activos russos congelados.

O horizonte de 2026 surge carregado de desafios. Em 18 de janeiro os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Uma sondagem do Instituto de Ciências Sociais/ISCTE para o jornal Expresso divulgada em novembro mostrou o líder do Chega, André Ventura, e o almirante Henrique Gouveia e Melo, candidato independente e ex‑coordenador da vacinação contra a COVID‑19, empatados com 18 % das intenções de voto. O ex‑líder social‑democrata Luís Marques Mendes surgia com 16 %, e o antigo secretário‑geral socialista António José Seguro com 10 %. Nenhum candidato deverá vencer à primeira volta, tornando provável um segundo escrutínio a 8 de fevereiro. A presidência tem funções principalmente simbólicas, mas pode dissolver a Assembleia da República; por isso, o resultado influenciará a estabilidade do governo minoritário e o rumo das reformas.

Além da eleição presidencial, o debate sobre o pacote laboral continuará em 2026, com negociações entre governo, sindicatos e partidos. A privatização da TAP deverá avançar e poder‑se‑á conhecer o investidor escolhido. O Parlamento discutirá a proposta de reforma das leis de imigração e nacionalidade. Na frente externa, Portugal participará no fórum económico com a Ucrânia e continuará a entregar os 220 milhões de euros de ajuda militar, a treinar pilotos ucranianos e a pressionar pela utilização de activos russos congelados. A expectativa é que o país mantenha o equilíbrio entre crescimento económico, coesão social e solidariedade internacional.

No início de 2026, o Presidente da República deixou uma mensagem de esperança. Marcelo Rebelo de Sousa desejou “paz duradoura na Ucrânia, no Médio Oriente e no Sudão” e apelou ao respeito pela Carta das Nações Unidas e pela dignidade humana. Dirigindo‑se aos portugueses, pediu um ano com mais desenvolvimento, justiça, liberdade, igualdade e solidariedade, com mais saúde, educação, habitação, crescimento e emprego. Recordou que a força da democracia está em permitir que o povo escolha ideias, soluções e pessoas novas. Ao evocar os traços de carácter descritos por Eça de Queiroz — franqueza, persistência e esperança — o Presidente ressaltou que os portugueses, “há quase novecentos anos, cá dentro e lá fora, fazem, todos os dias, Portugal”. Esse retrato de resiliência resume o desafio que o país leva para 2026: enfrentar divisões internas, apoiar a Ucrânia contra a agressão russa e construir um futuro mais próspero e justo.