Zürcher Nachrichten - Space X: Um fracasso?

EUR -
AED 4.244563
AFN 73.954261
ALL 96.19808
AMD 435.820975
ANG 2.068501
AOA 1059.624051
ARS 1597.518135
AUD 1.674929
AWG 2.081405
AZN 1.963518
BAM 1.97127
BBD 2.326266
BDT 141.712131
BGN 1.975164
BHD 0.436231
BIF 3425.001048
BMD 1.155533
BND 1.491102
BOB 7.980631
BRL 6.001952
BSD 1.154969
BTN 109.904511
BWP 15.93304
BYN 3.434655
BYR 22648.454971
BZD 2.322829
CAD 1.607659
CDF 2640.393566
CHF 0.92385
CLF 0.027117
CLP 1070.729218
CNY 7.967059
CNH 7.958734
COP 4257.25088
CRC 537.016734
CUC 1.155533
CUP 30.621636
CVE 110.786755
CZK 24.550483
DJF 205.361016
DKK 7.472812
DOP 69.446814
DZD 153.961114
EGP 63.004535
ERN 17.333001
ETB 181.476507
FJD 2.584581
FKP 0.875939
GBP 0.873683
GEL 3.107907
GGP 0.875939
GHS 12.71075
GIP 0.875939
GMD 85.509227
GNF 10139.80616
GTQ 8.837392
GYD 241.707926
HKD 9.059439
HNL 30.734875
HRK 7.535582
HTG 151.589648
HUF 384.064673
IDR 19585.482543
ILS 3.647499
IMP 0.875939
INR 108.024521
IQD 1513.748776
IRR 1520537.534597
ISK 143.405264
JEP 0.875939
JMD 182.723985
JOD 0.819303
JPY 183.482554
KES 150.21911
KGS 101.051469
KHR 4633.689537
KMF 495.149978
KPW 1039.950807
KRW 1740.164148
KWD 0.357672
KYD 0.962453
KZT 550.278486
LAK 25363.958791
LBP 103430.761926
LKR 364.361016
LRD 212.242573
LSL 19.725255
LTL 3.41199
LVL 0.69897
LYD 7.401192
MAD 10.79557
MDL 20.454523
MGA 4827.819041
MKD 61.63945
MMK 2426.040195
MNT 4126.420078
MOP 9.326128
MRU 46.348211
MUR 54.449049
MVR 17.876734
MWK 2007.161566
MXN 20.726229
MYR 4.678801
MZN 73.896662
NAD 19.725052
NGN 1601.257711
NIO 42.443197
NOK 11.194779
NPR 175.847016
NZD 2.011898
OMR 0.444272
PAB 1.154964
PEN 4.039717
PGK 5.073108
PHP 69.786128
PKR 322.629123
PLN 4.2909
PYG 7481.715145
QAR 4.210766
RON 5.099253
RSD 117.436879
RUB 93.945797
RWF 1687.078789
SAR 4.336691
SBD 9.292843
SCR 16.243316
SDG 694.475647
SEK 10.942555
SGD 1.486131
SHP 0.866949
SLE 28.368569
SLL 24230.970494
SOS 660.389749
SRD 43.186939
STD 23917.208717
STN 25.103963
SVC 10.106357
SYP 127.750061
SZL 19.725097
THB 37.68172
TJS 11.070378
TMT 4.055922
TND 3.385265
TOP 2.782247
TRY 51.368949
TTD 7.846613
TWD 36.921606
TZS 2990.879841
UAH 50.741328
UGX 4348.142247
USD 1.155533
UYU 46.857731
UZS 14092.232731
VES 546.888371
VND 30436.750201
VUV 139.060756
WST 3.199988
XAF 661.14555
XAG 0.015378
XAU 0.000247
XCD 3.122887
XCG 2.081536
XDR 0.821529
XOF 659.23284
XPF 119.331742
YER 275.768001
ZAR 19.54588
ZMK 10401.190063
ZMW 22.077258
ZWL 372.081289

Space X: Um fracasso?




A trajetória da Space X, fundada por Elon Musk, mistura feitos históricos e apostas arriscadas. A empresa transformou o mercado de lançamentos com foguetes reutilizáveis, consolidando o Falcon 9 como o cavalo de batalha da indústria. Também está conectando áreas remotas do planeta por meio da constelação Starlink, que já conta com milhares de pequenos satélites em órbita e responde pela maior parte da receita atual da empresa. Agora, Musk prepara o próximo salto: abrir o capital da companhia e usar a nave Starship para levar astronautas à Lua e, um dia, a Marte.

Uma avaliação bilionária
Informações de mercado divulgadas em janeiro de 2026 indicam que a Space X pretende fazer uma oferta pública inicial (IPO) em meados de junho, buscando captar cerca de 50 mil milhões de dólares e atingir um valor de mercado de 1,5 bilhões de milhões. A empresa, que tinha sido avaliada em cerca de 800 mil milhões de dólares numa venda secundária, conta com investidores entusiasmados pelo sucesso da Starlink e pelo domínio da Space X no mercado de lançamentos. Observadores financeiros apontam que o interesse crescente do governo e de empresas por satélites de comunicações e dados alimenta a aposta. Grandes nomes como Ron Baron e Cathie Wood veem potencial para que a empresa alcance avaliações superiores a dois biliões de dólares até 2030, enquanto analistas acreditam que a abertura de capital poderá impulsionar outras empresas do setor espacial.

O entusiasmo não é unânime. Alguns economistas recordam que, embora a receita da Space X tenha saltado para cerca de 15 mil milhões de dólares em 2025 e possa chegar a quase 24 mil milhões em 2026, esses valores continuam modestos face à avaliação pretendida. Críticos calculam que, ao preço sugerido, seriam necessários “200 anos para recuperar o investimento” com base nos lucros atuais, o que evidencia a natureza especulativa da oferta. Investidores mais cautelosos dizem preferir aplicações tradicionais de renda fixa a entrar numa empresa que depende de projetos ainda experimentais.

Aposta na Starship e na corrida lunar
Enquanto se prepara para a bolsa, a Space X enfrenta desafios técnicos. A Starship, o maior foguete da história, é peça central dos planos de Musk: deve levar cargas de até 150 toneladas e servir de módulo lunar para o programa Artemis da NASA. Segundo reportagens, a agência espacial norte‑americana está a rever a arquitetura da missão e a considerar atribuir à Starship um papel maior, acoplando a nave Orion na órbita terrestre e usando o veículo de Musk para levar astronautas à órbita lunar e à superfície. Essa proposta reduziria a participação do foguete SLS da Boeing, que acumula atrasos e custos elevados. O administrador Jared Isaacman reafirmou que a NASA pretende manter o SLS pelo menos até a missão Artemis V, prevista para 2028.

O problema é que a Starship ainda não provou fiabilidade. Entre janeiro de 2025 e meados de 2025, seis dos dez voos de teste falharam parcialmente, com explosões e perda de controle. Um protótipo explodiu durante testes em solo e a empresa ainda precisa demonstrar o reabastecimento em órbita, manobra nunca realizada com foguetes tão grandes. A cronologia dos testes é recheada de acidentes: a nave inaugural explodiu em 2023; em maio de 2025, o veículo se partiu durante a reentrada; em agosto, um lançamento terminou em amerrissagem seguida de explosão. Outro voo perdeu o controle e girou no espaço por quase meia hora antes de cair no Índico. Devido aos incidentes, a Administração Federal de Aviação exigiu à Space X mais de 60 correções e ampliou a zona de exclusão aérea para quase 3 000 quilómetros. Os repetidos insucessos alimentam dúvidas sobre a capacidade da Starship cumprir o calendário lunar.

Concorrência e pressões externas
Enquanto a Space X luta para fazer a Starship voar, a China acelera o desenvolvimento do foguete Longa Marcha‑10, com planos de colocar taikonautas na Lua até 2030. Analistas alertam que, se os atrasos continuarem, Pequim poderá alcançar o feito antes da NASA. A rivalidade reacende a corrida espacial e pressiona ainda mais a empresa de Musk. Paralelamente, outras empresas, como Blue Origin, de Jeff Bezos, também disputam contratos de módulos lunares, obrigando a SpaceX a entregar resultados rápidos.

Questões ambientais e de segurança
A constelação Starlink gerou receitas significativas, mas também críticas. Um estudo científico mostrou que os satélites da Space X interferem com observações astronômicas e com outros serviços de telecomunicações, emitindo sinais em frequências reservadas à radioastronomia. A proliferação de satélites também aumenta o risco de colisões em órbita; a Space X reportou ter realizado mais de 25 000 manobras de evasão num período de seis meses. Astrônomos temem que a saturação do espaço próximo cause “fotobombas” em imagens de telescópios e dificulte a exploração científica. O lixo espacial gerado por explosões ou reentradas descontroladas, como a chuva de detritos ocorrida após o primeiro teste do Starship em 2023, é outra fonte de preocupação.

Opinião pública dividida
As discussões nas redes evidenciam um público polarizado. De um lado, entusiastas comparam a Space X à Tesla e acreditam que investir na empresa poderá gerar rendimentos extraordinários. Alguns afirmam que pretendem aplicar parte das suas economias no futuro IPO e consideram a companhia “a única” em que comprariam ações numa oferta inicial. Eles citam a capacidade de inovação e o histórico de transformar indústrias como motores do sucesso. De outro lado, existem comentários céticos que consideram a avaliação bilionária exagerada e preferem apostar em investimentos tradicionais. Argumentam que uma empresa que lucra alguns milhares de milhões por ano não deveria valer trilhões. Também surgem dúvidas sobre a viabilidade técnica da Starship e críticas a planos como reabastecer foguetes no espaço ou capturar propulsores no ar, vistos como quase impossíveis. Muitos pedem explicações sobre como funcionaria um IPO deste porte e alertam que o investimento numa empresa privada de exploração espacial envolve riscos significativos.

Oportunidade ou furada?
Os factos mostram que a Space X combina oportunidades inéditas com riscos elevados. Por um lado, a empresa lidera a corrida por foguetes reutilizáveis, tem contratos multibilionários com agências governamentais e uma base de clientes de internet por satélite em expansão. Um IPO poderia abrir acesso a financiamento adicional e acelerar projetos audaciosos, além de permitir que investidores comuns participem da nova era espacial. Por outro lado, a dependência de tecnologias ainda imaturas, as contínuas falhas da Starship, as pressões regulatórias e ambientais e a avaliação astronómica sugerem cautela. O mercado espacial é promissor, mas incerto; o sucesso de Musk dependerá da capacidade de a Space X transformar protótipos em sistemas operacionais e de equilibrar inovação com responsabilidade. Para os investidores, apostar na empresa pode ser tanto a entrada numa revolução quanto a maior furada da história.