Zürcher Nachrichten - Petrodólar e pressão política

EUR -
AED 4.241984
AFN 72.191027
ALL 95.026157
AMD 425.573382
ANG 2.068103
AOA 1060.35179
ARS 1661.267345
AUD 1.645314
AWG 2.08201
AZN 1.960677
BAM 1.95633
BBD 2.327371
BDT 141.838428
BGN 1.928871
BHD 0.43582
BIF 3453.850705
BMD 1.155068
BND 1.487903
BOB 7.985198
BRL 6.004734
BSD 1.155533
BTN 110.087303
BWP 15.692319
BYN 3.180762
BYR 22639.331688
BZD 2.32403
CAD 1.608917
CDF 2628.934477
CHF 0.922093
CLF 0.026897
CLP 1058.642738
CNY 7.822986
CNH 7.830327
COP 4135.154788
CRC 529.943578
CUC 1.155068
CUP 30.6093
CVE 110.296793
CZK 24.16997
DJF 205.766639
DKK 7.474393
DOP 67.418266
DZD 154.287051
EGP 59.857698
ERN 17.326019
ETB 186.29578
FJD 2.562865
FKP 0.862732
GBP 0.86216
GEL 3.060876
GGP 0.862732
GHS 13.461705
GIP 0.862732
GMD 84.319965
GNF 10122.917887
GTQ 8.808386
GYD 241.756546
HKD 9.052429
HNL 30.892905
HRK 7.53243
HTG 151.140949
HUF 355.673124
IDR 20665.320573
ILS 3.428773
IMP 0.862732
INR 110.102457
IQD 1513.810138
IRR 1588420.559225
ISK 143.39061
JEP 0.862732
JMD 182.469437
JOD 0.818886
JPY 185.355485
KES 149.45954
KGS 101.009648
KHR 4650.280033
KMF 493.214155
KPW 1039.393951
KRW 1756.494513
KWD 0.357251
KYD 0.962965
KZT 563.695162
LAK 25445.003976
LBP 103477.78323
LKR 384.800917
LRD 210.307889
LSL 19.145118
LTL 3.410615
LVL 0.698689
LYD 7.376903
MAD 10.700499
MDL 20.111536
MGA 4847.313286
MKD 61.606622
MMK 2424.391891
MNT 4130.85024
MOP 9.327067
MRU 46.204318
MUR 55.293329
MVR 17.856813
MWK 2003.751551
MXN 20.088266
MYR 4.700669
MZN 73.796598
NAD 19.145118
NGN 1572.059584
NIO 42.52152
NOK 10.934278
NPR 176.139484
NZD 1.983609
OMR 0.444117
PAB 1.155518
PEN 3.928864
PGK 5.136392
PHP 70.777937
PKR 321.559488
PLN 4.247589
PYG 7136.995419
QAR 4.213187
RON 5.235578
RSD 117.360632
RUB 82.989819
RWF 1695.166611
SAR 4.336625
SBD 9.293183
SCR 15.29514
SDG 693.620584
SEK 10.956224
SGD 1.485925
SHP 0.862375
SLE 28.472024
SLL 24221.199668
SOS 660.381776
SRD 43.15449
STD 23907.574353
STN 24.507064
SVC 10.110914
SYP 127.672083
SZL 19.140269
THB 38.042744
TJS 10.809835
TMT 4.054288
TND 3.391678
TOP 2.781126
TRY 53.291717
TTD 7.843125
TWD 36.584352
TZS 3026.512485
UAH 52.069507
UGX 4350.253942
USD 1.155068
UYU 46.812683
UZS 13930.015266
VES 654.892562
VND 30401.388267
VUV 138.02171
WST 3.170655
XAF 656.137608
XAG 0.017896
XAU 0.00028
XCD 3.121629
XCG 2.082564
XDR 0.816431
XOF 656.126244
XPF 119.331742
YER 275.656561
ZAR 19.074504
ZMK 10397.006324
ZMW 20.019511
ZWL 371.931406

Petrodólar e pressão política




O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã reacendeu a preocupação com a fragilidade do chamado petrodólar. Desde a década de 1970, boa parte das transações petrolíferas foi denominada em dólares, permitindo aos Estados Unidos reciclar os superávits dos exportadores em títulos do Tesouro. Analistas recordam que essa aliança se sustentava em três pilares: dependência norte‑americana do petróleo do Golfo, determinação dos países do Golfo em precificar o barril em dólares e a proteção militar norte‑americana à região. Esses pilares vêm se desgastando. Hoje, os EUA são praticamente autossuficientes em energia e os países do Golfo questionam a capacidade de Washington de lhes garantir segurança. As reservas de divisas mostram uma tendência lenta de diversificação: o FMI apurou que a participação do dólar nas reservas globais recuou para 56,9 % no terceiro trimestre de 2025. Embora ainda não exista uma alternativa credível, China e Irã testam pagamentos em iuanes, intensificando a “dedolarização”.

A escalada na região também expôs vulnerabilidades logísticas. A colocação de minas navais e ataques a navios obrigam as companhias de transporte a desviar rotas, elevando custos e prazos. Tweets imprevisíveis do ex‑presidente Donald Trump sobre o conflito derrubaram o preço do petróleo em questão de minutos, alimentando suspeitas de manipulação de mercado. Investidores reclamam que volatilidade extrema dificulta coberturas e prejudica mercados emergentes dependentes de importações de combustíveis. Entretanto, especialistas lembram que, apesar das pressões, países como a Arábia Saudita continuam vendendo a maior parte de seu petróleo em dólares e que o endividamento norte‑americano — mais de US$ 39 trilhões — torna essencial o fluxo de petrodólares para financiar déficits.

Diesel e alimentos: o elo frágil do Brasil
Na esteira da guerra e do bloqueio marítimo, o preço internacional do diesel disparou, expondo a fragilidade do abastecimento brasileiro. A Petrobras, responsável por mais de 80 % da produção, vinha mantendo os preços internos abaixo da paridade de importação para conter a inflação. O atraso nos reajustes, porém, inibiu importadores privados e refinarias independentes, que reduziram compras por temer prejuízos. Entidades do setor alertaram que a defasagem atingiu R$ 3 por litro e que o diesel tipo B, vendido nos postos e misturado ao biodiesel, não se beneficiava totalmente das desonerações. O resultado foi uma rápida alta de preços nas distribuidoras, que passaram de cerca de R$ 5,74 para R$ 7,22 por litro em poucas semanas.

O governo reagiu com um pacote fiscal: zerou a contribuição social (PIS/Cofins) sobre o diesel, criou um subsídio de R$ 0,32 por litro e elevou a taxação de exportações de petróleo para financiar a medida. Também instalou uma sala de monitoramento que acompanha a oferta e a demanda a cada 48 horas, mobilizando Procons e agências de fiscalização para coibir abusos. A Petrobras realizou leilões extraordinários para vender diesel a distribuidores do Rio Grande do Sul e operou refinarias acima de sua capacidade, adiando manutenções. Mesmo assim, transportadores e agricultores manifestam temor de que a escassez se agrave durante a safra de soja e milho, elevando custos logísticos e pressionando os preços dos alimentos. Para eles, o conflito no Golfo expõe a dependência brasileira de importações e reforça a necessidade de diversificar matrizes energéticas.

Fundos restritos: teste para o crédito privado
Enquanto o petróleo abala as cadeias produtivas, outra tensão surge nos mercados financeiros. Fundos de crédito privado norte‑americanos, conhecidos como business development companies (BDCs), tornaram‑se populares por prometerem rendimentos altos e liquidez trimestral. O ambiente de incerteza, contudo, levou investidores a solicitar resgates maciços. O Ares Strategic Income Fund, com US$ 22,7 bilhões em ativos, recebeu pedidos para sacar 11,6 % de suas cotas; para preservar a carteira, a gestora limitou os resgates a 5 %, alinhando‑se a rivais como Apollo e BlackRock. Poucos dias antes, a Apollo Debt Solutions já havia adotado a mesma trava após solicitações equivalentes a 11,2 % das cotas. Esses bloqueios visam evitar uma corrida que poderia forçar a venda acelerada de ativos e prejudicar os investidores remanescentes.

Consultores destacam que os BDCs são instrumentos concebidos para investimentos de longo prazo e que os participantes devem estar preparados para enfrentar períodos de iliquidez. Entretanto, a necessidade de impor limites indica uma degradação nas condições de crédito corporativo, em especial nos setores mais arriscados. Comentários de analistas financeiros sugerem que alguns investidores migraram para esses fundos em busca de retorno fácil, sem compreender os riscos de liquidez. Agora, muitos questionam a transparência das carteiras e a disciplina de concessão de crédito, temendo calotes em cadeia.

Interdependência perigosa e perspectivas
A confluência desses três fatores — a disputa geopolítica que ameaça a primazia do dólar, a vulnerabilidade da matriz energética brasileira e a fragilidade dos fundos de crédito privado — evidencia a interdependência entre geopolítica, energia e finanças. Comentadores em fóruns de economia lamentam que o Brasil, apesar de ser grande produtor de petróleo, esteja exposto a choques externos por falta de refinarias e políticas eficientes. Outros destacam que a perda de credibilidade do petrodólar pode ampliar o poder de países como China e Rússia, estimulando pagamentos em moedas alternativas. Investidores mais céticos veem na crise um argumento para buscar proteção em ativos descentralizados, como o bitcoin, ou em commodities físicas.

No curto prazo, o equilíbrio do mercado de petróleo dependerá de um eventual cessar‑fogo e da capacidade de manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação. O Brasil, por sua vez, precisará conciliar política de preços da Petrobras, subsídios temporários e incentivos à produção de biocombustíveis para evitar desabastecimento. Já os fundos de crédito privado terão de reforçar a comunicação com os cotistas e diversificar suas carteiras para recuperar a confiança. Em tempos de incerteza, compreender as conexões entre geopolitica, energia e finanças torna‑se crucial para governos, empresas e consumidores.