Zürcher Nachrichten - Petrodólar e pressão política

EUR -
AED 4.149016
AFN 72.304431
ALL 91.753452
AMD 411.30469
ANG 2.022669
AOA 1035.982989
ARS 1722.88439
AUD 1.627756
AWG 2.036378
AZN 1.923269
BAM 1.949634
BBD 2.280836
BDT 139.239648
BGN 1.901871
BHD 0.42694
BIF 3395.720982
BMD 1.129752
BND 1.445953
BOB 13.629078
BRL 5.851774
BSD 1.132394
BTN 108.543168
BWP 15.953194
BYN 3.408146
BYR 22143.141242
BZD 2.277547
CAD 1.609162
CDF 2612.554646
CHF 0.943369
CLF 0.027856
CLP 1099.904455
CNY 7.574705
CNH 7.590177
COP 3744.890977
CRC 517.252717
CUC 1.129752
CUP 27.178326
CVE 109.918836
CZK 24.463874
DJF 201.657785
DKK 7.476824
DOP 67.335558
DZD 151.455731
EGP 59.255289
ERN 16.946282
ETB 181.889987
FJD 2.543411
FKP 0.851621
GBP 0.854663
GEL 2.931696
GGP 0.851621
GHS 13.255256
GIP 0.851621
GMD 83.601464
GNF 9885.330291
GTQ 8.651753
GYD 236.9438
HKD 8.865334
HNL 30.33349
HRK 7.539623
HTG 148.208005
HUF 368.054036
IDR 20299.385808
ILS 3.47975
IMP 0.851621
INR 108.7187
IQD 1479.975256
IRR 1913630.601904
ISK 137.027919
JEP 0.851621
JMD 179.219245
JOD 0.800968
JPY 178.901332
KES 146.58508
KGS 98.795351
KHR 4582.274273
KMF 491.442338
KPW 1016.777253
KRW 1539.343618
KWD 0.348958
KYD 0.943724
KZT 498.129052
LAK 25351.63706
LBP 101169.301414
LKR 374.209918
LRD 193.638985
LSL 18.584407
LTL 3.335864
LVL 0.683376
LYD 7.248185
MAD 10.985105
MDL 20.105969
MGA 4999.152934
MKD 61.38088
MMK 2372.234487
MNT 4064.908855
MOP 9.153333
MRU 45.286129
MUR 54.025117
MVR 17.465775
MWK 1961.249415
MXN 20.590732
MYR 4.616395
MZN 72.165935
NAD 18.595894
NGN 1501.406096
NIO 41.411073
NOK 10.890426
NPR 173.66294
NZD 2.01402
OMR 0.434388
PAB 1.132434
PEN 3.898208
PGK 5.021771
PHP 71.043307
PKR 312.997985
PLN 4.377055
PYG 6624.901826
QAR 4.117892
RON 5.276504
RSD 117.568787
RUB 94.110483
RWF 1666.384354
SAR 4.271585
SBD 9.111497
SCR 15.570816
SDG 679.54944
SEK 11.343582
SGD 1.446608
SHP 0.852482
SLE 27.794086
SLL 23690.327576
SOS 645.655912
SRD 42.502963
STD 23383.587596
STN 24.487377
SVC 9.908751
SYP 14689.037146
SZL 18.584495
THB 38.059156
TJS 10.430053
TMT 3.954132
TND 3.358324
TOP 2.720172
TRY 55.397429
TTD 7.6825
TWD 36.132879
TZS 2985.367659
UAH 50.585202
UGX 4439.020321
USD 1.129752
UYU 45.62631
UZS 13353.669562
VES 970.57009
VND 29347.57041
VUV 135.285382
WST 3.136418
XAF 655.957
XAG 0.01868
XAU 0.000271634772
XCD 3.053211
XCG 2.040963
XDR 0.798793
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 267.10167
ZAR 18.730731
ZMK 10169.123876
ZMW 22.139493
ZWL 363.779717
SSP 6453.812717
MXV 2.330315

Petrodólar e pressão política




O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã reacendeu a preocupação com a fragilidade do chamado petrodólar. Desde a década de 1970, boa parte das transações petrolíferas foi denominada em dólares, permitindo aos Estados Unidos reciclar os superávits dos exportadores em títulos do Tesouro. Analistas recordam que essa aliança se sustentava em três pilares: dependência norte‑americana do petróleo do Golfo, determinação dos países do Golfo em precificar o barril em dólares e a proteção militar norte‑americana à região. Esses pilares vêm se desgastando. Hoje, os EUA são praticamente autossuficientes em energia e os países do Golfo questionam a capacidade de Washington de lhes garantir segurança. As reservas de divisas mostram uma tendência lenta de diversificação: o FMI apurou que a participação do dólar nas reservas globais recuou para 56,9 % no terceiro trimestre de 2025. Embora ainda não exista uma alternativa credível, China e Irã testam pagamentos em iuanes, intensificando a “dedolarização”.

A escalada na região também expôs vulnerabilidades logísticas. A colocação de minas navais e ataques a navios obrigam as companhias de transporte a desviar rotas, elevando custos e prazos. Tweets imprevisíveis do ex‑presidente Donald Trump sobre o conflito derrubaram o preço do petróleo em questão de minutos, alimentando suspeitas de manipulação de mercado. Investidores reclamam que volatilidade extrema dificulta coberturas e prejudica mercados emergentes dependentes de importações de combustíveis. Entretanto, especialistas lembram que, apesar das pressões, países como a Arábia Saudita continuam vendendo a maior parte de seu petróleo em dólares e que o endividamento norte‑americano — mais de US$ 39 trilhões — torna essencial o fluxo de petrodólares para financiar déficits.

Diesel e alimentos: o elo frágil do Brasil
Na esteira da guerra e do bloqueio marítimo, o preço internacional do diesel disparou, expondo a fragilidade do abastecimento brasileiro. A Petrobras, responsável por mais de 80 % da produção, vinha mantendo os preços internos abaixo da paridade de importação para conter a inflação. O atraso nos reajustes, porém, inibiu importadores privados e refinarias independentes, que reduziram compras por temer prejuízos. Entidades do setor alertaram que a defasagem atingiu R$ 3 por litro e que o diesel tipo B, vendido nos postos e misturado ao biodiesel, não se beneficiava totalmente das desonerações. O resultado foi uma rápida alta de preços nas distribuidoras, que passaram de cerca de R$ 5,74 para R$ 7,22 por litro em poucas semanas.

O governo reagiu com um pacote fiscal: zerou a contribuição social (PIS/Cofins) sobre o diesel, criou um subsídio de R$ 0,32 por litro e elevou a taxação de exportações de petróleo para financiar a medida. Também instalou uma sala de monitoramento que acompanha a oferta e a demanda a cada 48 horas, mobilizando Procons e agências de fiscalização para coibir abusos. A Petrobras realizou leilões extraordinários para vender diesel a distribuidores do Rio Grande do Sul e operou refinarias acima de sua capacidade, adiando manutenções. Mesmo assim, transportadores e agricultores manifestam temor de que a escassez se agrave durante a safra de soja e milho, elevando custos logísticos e pressionando os preços dos alimentos. Para eles, o conflito no Golfo expõe a dependência brasileira de importações e reforça a necessidade de diversificar matrizes energéticas.

Fundos restritos: teste para o crédito privado
Enquanto o petróleo abala as cadeias produtivas, outra tensão surge nos mercados financeiros. Fundos de crédito privado norte‑americanos, conhecidos como business development companies (BDCs), tornaram‑se populares por prometerem rendimentos altos e liquidez trimestral. O ambiente de incerteza, contudo, levou investidores a solicitar resgates maciços. O Ares Strategic Income Fund, com US$ 22,7 bilhões em ativos, recebeu pedidos para sacar 11,6 % de suas cotas; para preservar a carteira, a gestora limitou os resgates a 5 %, alinhando‑se a rivais como Apollo e BlackRock. Poucos dias antes, a Apollo Debt Solutions já havia adotado a mesma trava após solicitações equivalentes a 11,2 % das cotas. Esses bloqueios visam evitar uma corrida que poderia forçar a venda acelerada de ativos e prejudicar os investidores remanescentes.

Consultores destacam que os BDCs são instrumentos concebidos para investimentos de longo prazo e que os participantes devem estar preparados para enfrentar períodos de iliquidez. Entretanto, a necessidade de impor limites indica uma degradação nas condições de crédito corporativo, em especial nos setores mais arriscados. Comentários de analistas financeiros sugerem que alguns investidores migraram para esses fundos em busca de retorno fácil, sem compreender os riscos de liquidez. Agora, muitos questionam a transparência das carteiras e a disciplina de concessão de crédito, temendo calotes em cadeia.

Interdependência perigosa e perspectivas
A confluência desses três fatores — a disputa geopolítica que ameaça a primazia do dólar, a vulnerabilidade da matriz energética brasileira e a fragilidade dos fundos de crédito privado — evidencia a interdependência entre geopolítica, energia e finanças. Comentadores em fóruns de economia lamentam que o Brasil, apesar de ser grande produtor de petróleo, esteja exposto a choques externos por falta de refinarias e políticas eficientes. Outros destacam que a perda de credibilidade do petrodólar pode ampliar o poder de países como China e Rússia, estimulando pagamentos em moedas alternativas. Investidores mais céticos veem na crise um argumento para buscar proteção em ativos descentralizados, como o bitcoin, ou em commodities físicas.

No curto prazo, o equilíbrio do mercado de petróleo dependerá de um eventual cessar‑fogo e da capacidade de manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação. O Brasil, por sua vez, precisará conciliar política de preços da Petrobras, subsídios temporários e incentivos à produção de biocombustíveis para evitar desabastecimento. Já os fundos de crédito privado terão de reforçar a comunicação com os cotistas e diversificar suas carteiras para recuperar a confiança. Em tempos de incerteza, compreender as conexões entre geopolitica, energia e finanças torna‑se crucial para governos, empresas e consumidores.