Zürcher Nachrichten - Glauber Braga resiste à cassação

EUR -
AED 4.368539
AFN 77.909128
ALL 96.236932
AMD 448.269561
ANG 2.129349
AOA 1090.215087
ARS 1670.103528
AUD 1.682947
AWG 2.144123
AZN 2.002076
BAM 1.953513
BBD 2.394786
BDT 145.449723
BGN 1.997657
BHD 0.448429
BIF 3524.044797
BMD 1.189527
BND 1.505325
BOB 8.216278
BRL 6.188039
BSD 1.189003
BTN 107.648524
BWP 15.598346
BYN 3.415786
BYR 23314.737583
BZD 2.39129
CAD 1.611447
CDF 2628.855601
CHF 0.913206
CLF 0.025781
CLP 1017.961522
CNY 8.220645
CNH 8.223584
COP 4362.460993
CRC 588.40621
CUC 1.189527
CUP 31.522477
CVE 110.134677
CZK 24.256603
DJF 211.40286
DKK 7.471303
DOP 74.522131
DZD 153.951371
EGP 55.652875
ERN 17.842911
ETB 184.575918
FJD 2.606965
FKP 0.870402
GBP 0.871418
GEL 3.199617
GGP 0.870402
GHS 13.084517
GIP 0.870402
GMD 87.422128
GNF 10437.605269
GTQ 9.11821
GYD 248.755646
HKD 9.299237
HNL 31.420085
HRK 7.533636
HTG 155.964791
HUF 378.043207
IDR 19950.754017
ILS 3.667004
IMP 0.870402
INR 107.724555
IQD 1557.556937
IRR 50108.843078
ISK 145.001744
JEP 0.870402
JMD 186.031432
JOD 0.843346
JPY 183.69629
KES 153.258499
KGS 104.023777
KHR 4793.795998
KMF 492.939022
KPW 1070.578316
KRW 1733.34431
KWD 0.365137
KYD 0.990828
KZT 584.977794
LAK 25545.101093
LBP 101764.070761
LKR 367.904657
LRD 221.749467
LSL 18.941087
LTL 3.512365
LVL 0.719533
LYD 7.496224
MAD 10.839374
MDL 20.123188
MGA 5263.837658
MKD 61.623988
MMK 2498.182956
MNT 4247.237658
MOP 9.574271
MRU 46.736893
MUR 54.337893
MVR 18.38963
MWK 2061.686397
MXN 20.475092
MYR 4.667112
MZN 75.844321
NAD 18.941087
NGN 1609.942498
NIO 43.758404
NOK 11.332842
NPR 172.238362
NZD 1.968912
OMR 0.457368
PAB 1.188993
PEN 3.992626
PGK 5.101007
PHP 69.599317
PKR 332.613123
PLN 4.217053
PYG 7825.83834
QAR 4.333972
RON 5.090936
RSD 117.330178
RUB 92.102275
RWF 1735.975002
SAR 4.461746
SBD 9.581499
SCR 16.344423
SDG 715.510176
SEK 10.585676
SGD 1.504955
SHP 0.892454
SLE 28.994752
SLL 24943.794523
SOS 679.259251
SRD 45.070836
STD 24620.816107
STN 24.471352
SVC 10.403689
SYP 13155.667676
SZL 18.92237
THB 37.177515
TJS 11.158596
TMT 4.163346
TND 3.425347
TOP 2.864096
TRY 51.902353
TTD 8.064457
TWD 37.474278
TZS 3063.033299
UAH 51.207951
UGX 4226.998177
USD 1.189527
UYU 45.596046
UZS 14648.912185
VES 457.718746
VND 30790.917465
VUV 142.506055
WST 3.228011
XAF 655.189973
XAG 0.014687
XAU 0.000237
XCD 3.214758
XCG 2.142864
XDR 0.814846
XOF 655.189973
XPF 119.331742
YER 283.524064
ZAR 18.984382
ZMK 10707.204865
ZMW 22.620423
ZWL 383.027346

Glauber Braga resiste à cassação




O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) protagonizou um ato de coragem ao iniciar uma greve de fome e permanecer nas dependências da Câmara dos Deputados, em Brasília, em protesto contra o processo de cassação de seu mandato. A decisão, anunciada em abril de 2025, veio após a aprovação, por 13 votos a 5, de um parecer do Conselho de Ética que recomenda a perda de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. O caso, que ainda será analisado pelo plenário da Casa, gerou intensa polarização política e mobilizou aliados e apoiadores, que veem na cassação uma tentativa de silenciar uma voz combativa da esquerda brasileira. Este artigo explora os detalhes do processo, o contexto político e as implicações do protesto de Braga.

Tudo começou em abril de 2024, quando Glauber se envolveu em uma confusão com Gabriel Costenaro, militante do Movimento Brasil Livre (MBL), dentro da Câmara. Durante uma discussão acalorada, o deputado empurrou e chutou o ativista, que participava de um debate sobre a regulamentação de motoristas de aplicativo. Segundo Braga, a reação foi motivada por provocações e ofensas dirigidas à sua mãe, Saudade Braga, então internada e que faleceu semanas depois. O Partido Novo, autor da representação contra o deputado, argumentou que a conduta violou o decoro parlamentar, justificando a cassação. Vídeos do incidente, amplamente divulgados, mostram a troca de agressões verbais e físicas, intensificando o embate político.

O Conselho de Ética, presidido por deputados de partidos de centro e direita, aprovou o relatório do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), que considerou a reação de Braga “desproporcional” e incompatível com as prerrogativas de um parlamentar. A votação, marcada por protestos de deputados do PSOL e PT, foi criticada por aliados de Glauber como um julgamento político orquestrado por adversários, especialmente o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Braga acusou Lira de articular a cassação em retaliação às denúncias que fez contra o chamado “orçamento secreto”, um esquema de distribuição de emendas parlamentares que marcou a gestão de Lira.

Em resposta à decisão do Conselho, Glauber anunciou uma greve de fome, prometendo não se alimentar até a conclusão do processo, que ainda depende de recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e de votação no plenário, onde são necessários 257 votos para confirmar a cassação. Dormindo no chão da sala do Conselho de Ética, o deputado transformou seu protesto em um símbolo de resistência, atraindo apoio de figuras como a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que, aos 90 anos, aderiu à greve de fome em solidariedade. A presença de parlamentares da esquerda, militantes sindicais e até do ator Marco Nanini, conhecido por papéis na TV, reforçou a mobilização, que ganhou as redes sociais com a hashtag #GlauberFica.

O protesto de Glauber expõe as tensões políticas no Brasil em 2025. De um lado, deputados bolsonaristas e do Centrão celebraram a decisão do Conselho, argumentando que a agressão física é inadmissível em um ambiente legislativo. Kim Kataguiri (União-SP), presente no incidente, defendeu a punição, alegando que Braga atacou primeiro e que tais condutas não podem ser toleradas. Por outro lado, a esquerda denuncia a cassação como uma perseguição política, apontando que casos semelhantes envolvendo deputados de direita, como agressões verbais ou ameaças, raramente resultam em punições tão severas. O PT, em nota oficial, classificou o processo como um “ataque à democracia” e expressou apoio à luta de Glauber e Erundina.

O impacto do caso vai além do destino do mandato de Glauber. A cassação, se confirmada, abriria precedente para punições mais duras a parlamentares, especialmente aqueles com posturas combativas. Dados históricos mostram que, desde 2000, apenas cinco deputados foram cassados no Brasil, todos por crimes graves como corrupção ou envolvimento em assassinatos, como o caso de Flordelis em 2021. Uma cassação por quebra de decoro, baseada em uma agressão isolada, seria um marco controverso, podendo intensificar a judicialização da política.

Enquanto isso, a saúde de Glauber é monitorada por médicos voluntários. Relatos indicam que, após dias de jejum, ele ingeriu apenas água e isotônicos, perdendo mais de dois quilos. Apesar da fragilidade física, o deputado mantém a determinação, recebendo visitas de aliados e do filho de três anos, que tem acompanhado o pai em momentos pontuais. Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, descreveu o ato como “radical e dramático”, mas necessário frente ao que considera uma injustiça. A mobilização também inclui obstruções no plenário, com PSOL e PT atrasando votações para pressionar por uma revisão do caso.

O futuro do processo permanece incerto. Na CCJ, Glauber terá cinco dias para apresentar recurso, questionando possíveis irregularidades regimentais. Caso o recurso seja rejeitado, o plenário decidirá, em até 90 dias, o destino do mandato. Analistas políticos apontam que o clima polarizado na Câmara dificulta prever o resultado, mas o apoio crescente nas ruas e nas redes pode influenciar deputados indecisos. O Centrão, que detém peso decisivo, sinalizou que um pedido de desculpas de Glauber poderia suavizar a pena, mas o deputado rejeita qualquer recuo, afirmando que “não será derrotado por articulações políticas”.

O protesto de Glauber Braga não é apenas uma luta pessoal, mas um reflexo das divisões ideológicas que marcam o Brasil. Sua coragem em enfrentar a cassação com um ato extremo reacende o debate sobre liberdade de expressão, limites do decoro e o papel da esquerda no enfrentamento de estruturas de poder. Enquanto o desfecho não chega, o deputado segue firme, transformando a Câmara em palco de uma batalha política que ecoa por todo o país.