Zürcher Nachrichten - Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre

EUR -
AED 4.291906
AFN 74.188104
ALL 95.612363
AMD 433.156007
ANG 2.091768
AOA 1072.830672
ARS 1638.484029
AUD 1.630045
AWG 2.106512
AZN 2.010972
BAM 1.956061
BBD 2.354674
BDT 143.446706
BGN 1.949446
BHD 0.442057
BIF 3479.049841
BMD 1.168661
BND 1.492893
BOB 8.078044
BRL 5.785104
BSD 1.169136
BTN 111.336396
BWP 15.888054
BYN 3.309685
BYR 22905.757712
BZD 2.351274
CAD 1.590986
CDF 2706.619162
CHF 0.916447
CLF 0.027048
CLP 1064.499798
CNY 7.982247
CNH 7.98296
COP 4357.294507
CRC 531.861943
CUC 1.168661
CUP 30.969519
CVE 110.279259
CZK 24.381188
DJF 208.186919
DKK 7.472927
DOP 69.658113
DZD 154.76695
EGP 62.802792
ERN 17.529917
ETB 183.829569
FJD 2.568011
FKP 0.863475
GBP 0.863413
GEL 3.137805
GGP 0.863475
GHS 13.105695
GIP 0.863475
GMD 85.904498
GNF 10260.194951
GTQ 8.924039
GYD 244.591626
HKD 9.158166
HNL 31.077151
HRK 7.535554
HTG 153.00782
HUF 362.844148
IDR 20396.642314
ILS 3.43906
IMP 0.863475
INR 111.23761
IQD 1531.478363
IRR 1536789.356921
ISK 143.406371
JEP 0.863475
JMD 183.973001
JOD 0.828547
JPY 184.397214
KES 150.956306
KGS 102.16494
KHR 4689.606366
KMF 491.427992
KPW 1051.798729
KRW 1721.507961
KWD 0.360123
KYD 0.974226
KZT 543.250242
LAK 25673.319558
LBP 104693.036799
LKR 374.113571
LRD 214.527738
LSL 19.565079
LTL 3.450752
LVL 0.706912
LYD 7.416927
MAD 10.805343
MDL 20.178609
MGA 4869.629643
MKD 61.597109
MMK 2453.84549
MNT 4182.178877
MOP 9.43682
MRU 46.681437
MUR 54.868938
MVR 18.061679
MWK 2027.262125
MXN 20.373444
MYR 4.630822
MZN 74.689153
NAD 19.565414
NGN 1599.452824
NIO 43.025011
NOK 10.801864
NPR 178.138795
NZD 1.987606
OMR 0.449355
PAB 1.169151
PEN 4.098677
PGK 5.083679
PHP 72.064337
PKR 325.795044
PLN 4.2543
PYG 7083.91595
QAR 4.273153
RON 5.219126
RSD 117.37212
RUB 88.235831
RWF 1709.421028
SAR 4.385311
SBD 9.37952
SCR 15.61227
SDG 701.753321
SEK 10.839335
SGD 1.492357
SHP 0.872524
SLE 28.807603
SLL 24506.234619
SOS 668.186396
SRD 43.773389
STD 24188.925413
STN 24.502854
SVC 10.229191
SYP 129.17296
SZL 19.561613
THB 38.141008
TJS 10.931113
TMT 4.096157
TND 3.408455
TOP 2.813856
TRY 52.845214
TTD 7.924923
TWD 36.940799
TZS 3041.441932
UAH 51.378143
UGX 4413.514019
USD 1.168661
UYU 47.076288
UZS 14069.638616
VES 571.408376
VND 30762.66634
VUV 138.515007
WST 3.174003
XAF 656.041826
XAG 0.015872
XAU 0.000256
XCD 3.158365
XCG 2.106972
XDR 0.815298
XOF 656.041826
XPF 119.331742
YER 278.871774
ZAR 19.503961
ZMK 10519.353599
ZMW 22.066853
ZWL 376.3084
Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre
Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre / foto: Nelson ALMEIDA - AFP

Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre

Durante anos, Carlos Nobre manteve um discurso otimista sobre o futuro do planeta. Mas o renomado cientista agora se diz muito preocupado com o "rápido" aumento da temperatura, observado recentemente em meio a secas e incêndios que impactam especialmente a América do Sul.

Tamanho do texto:

A mudança de posição, afirma, deve-se ao fato de no início de 2024 o mundo ter ultrapassado o limiar de aquecimento de 1,5 grau em relação à era pré-industrial, segundo dados da agência climática da UE, Copernicus. Os especialistas antes previam que esta temperatura, por si só "muito grave", seria registrada pela primeira vez em 2028, afirma o climatologista.

"Bateu todos os recordes. Nós precisamos ir 120 mil anos atrás para ter essa temperatura, no último período interglacial. Isso traz uma preocupação muito grande para a Ciência", disse à AFP um dos maiores estudiosos do clima na Amazônia em seu escritório em São José dos Campos, perto de São Paulo.

Confira a seguir trechos da entrevista com Nobre, de 73 anos, copresidente do Painel Científico pela Amazônia (SPA) e ex-membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - grupo de especialistas em clima da ONU.

Pergunta: O que explica o aumento da temperatura?

Resposta: "Milhares de cientistas estão tentando explicar por que subiu tão rápido. Os oceanos todos bateram recordes (...) As águas ficaram bem mais quentes (...) Só o fenômeno El Niño não explica".

"E infelizmente (...) a emissão dos gases de efeito estufa não diminui. Ela continua alta em 2023, bateu recorde, continua alta em 2024, provavelmente vai ser até mais do que em 2023".

"O Acordo de Paris e a COP26 em Glasgow em 2021, diziam que a gente tinha que reduzir as emissões em 43% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050 para não passar de 1,5 grau. Se já atingimos 1,5 grau, nos próximos anos esse desafio vai ser muito maior".

- Aumento dos fenômenos climáticos extremos -

P: De que forma nossa vida será afetada?

R: "A Ciência já dizia que quando atingíssemos 1,5 grau, os fenômenos climáticos já aumentariam exponencialmente; não é um aumento linear, assim, devagarzinho".

"As ondas de calor, as chuvas intensas, as secas, os incêndios florestais, o derretimento do gelo, as tempestades nos oceanos, o nível do mar... Tudo isso aumentaria mais rápido, exatamente o que aconteceu em 2023. Em 2024, a gente já está vendo a frequência desses eventos extremos acontecendo mais rápido e batendo recordes".

P: Atualmente, a América do Sul, em especial o Brasil, parece ser a região mais afetada, com uma seca extrema ligada às mudanças climáticas, que favorece a propagação de incêndios.

R: "O tema é global (...) A grande diferença é que no Canadá e em outros locais quase todos os incêndios foram naturais, quer dizer, descargas elétricas causam o início do incêndio porque a vegetação está super seca".

"Aqui no Brasil e nos países amazônicos, mais de 95% dos incêndios foram humanos, aí há uma diferença muito grande (...) O crime organizado nos países amazônicos, no Brasil principalmente, está botando fogo. É a maneira deles de desmatar (ndr: especialmente para abrir espaço para a pecuária), depois que no ano passado e neste ano conseguimos reduzir bastante os desmatamentos".

"Os criminosos perceberam que o sistema de satélites só detecta o fogo quando a área do incêndio já atingiu 30, 40 metros quadrados. Da hora que o criminoso botou fogo até atingir 30, 40 metros, mesmo com a vegetação super inflamável por causa da seca, leva uma hora e meia ou duas horas [para o incêndio ser detectado]. Então o criminoso já saiu dali, não se consegue prender".

- Pontos de inflexão -

P: O senhor tem advertido que a Amazônia está perto do ponto de não retorno rumo à savanização. Os incêndios aceleram a chegada a este ponto?

R: "Sem dúvida (...) Se continuar o aquecimento global e também a gente não parar totalmente o desmatamento, a degradação e os incêndios, até 2050 a gente terá passado do ponto de não retorno.

Aí, entre 30 e 50 anos, a gente vai perder no mínimo 50% da floresta, podemos perder até 70% da floresta. Isso vai acabar com a maior biodiversidade do planeta e também vai jogar na atmosfera 250, 300 bilhões de toneladas de gás carbônico, tornando muito mais difícil manter a temperatura em 1,5 grau, para não dizer praticamente impossível".

P: O senhor tem esperanças de que a situação melhore?

R: "Nós temos que melhorar, não há outra solução. Se nós chegarmos em 2050 com 2,5 graus, nós podemos disparar os 'tipping points' [pontos de inflexão]: a gente vai perder a Amazônia, vai descongelar grande parte do chamado permafrost [solo permanentemente congelado], que tem uma enorme quantidade de gás carbônico e metano congelada há dezenas de milhões de anos.

Se a gente passar de 2 graus, vamos jogar centenas de bilhões de toneladas desses gases [na atmosfera]. Se isso acontecer, o planeta vai chegar 3 a 4 graus no final do século. Com 4 graus, toda a região equatorial ficará inabitável, passando dos limites para o corpo humano. Paris no verão vai ficar inabitável (...) Nós vamos criar a sexta extinção de espécies".

D.Graf--NZN