Zürcher Nachrichten - Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

EUR -
AED 4.213563
AFN 74.576617
ALL 91.421399
AMD 416.841613
ANG 2.054137
AOA 1053.24796
ARS 1739.039406
AUD 1.610173
AWG 2.065191
AZN 1.954758
BAM 1.954111
BBD 2.310314
BDT 140.748376
BGN 1.93146
BHD 0.432428
BIF 3445.237899
BMD 1.147329
BND 1.462936
BOB 11.264315
BRL 5.859977
BSD 1.147114
BTN 109.846558
BWP 15.567615
BYN 3.458511
BYR 22487.639878
BZD 2.307017
CAD 1.607729
CDF 2651.476738
CHF 0.941676
CLF 0.027625
CLP 1090.718863
CNY 7.684405
CNH 7.678729
COP 3676.522601
CRC 513.158803
CUC 1.147329
CUP 30.404207
CVE 110.1698
CZK 24.321702
DJF 204.26438
DKK 7.475901
DOP 67.681515
DZD 153.517555
EGP 59.570413
ERN 17.209928
ETB 187.320748
FJD 2.567378
FKP 0.856666
GBP 0.857898
GEL 2.978688
GGP 0.856666
GHS 13.202649
GIP 0.856666
GMD 84.334989
GNF 10083.286784
GTQ 8.754435
GYD 239.943704
HKD 9.001739
HNL 30.792392
HRK 7.534964
HTG 149.92045
HUF 362.072223
IDR 20522.266046
ILS 3.458106
IMP 0.856666
INR 109.874092
IQD 1502.701479
IRR 1577117.845459
ISK 138.219027
JEP 0.856666
JMD 180.78378
JOD 0.813505
JPY 180.68016
KES 148.574574
KGS 100.333314
KHR 4648.003802
KMF 491.057221
KPW 1032.596073
KRW 1576.84266
KWD 0.353871
KYD 0.955878
KZT 514.657515
LAK 25695.907517
LBP 102719.58513
LKR 379.162356
LRD 198.439388
LSL 18.664472
LTL 3.387764
LVL 0.694008
LYD 7.306686
MAD 10.931454
MDL 20.147678
MGA 5006.69541
MKD 61.466885
MMK 2408.957092
MNT 4125.732825
MOP 9.26943
MRU 46.101163
MUR 54.681521
MVR 17.726595
MWK 1988.989933
MXN 19.765834
MYR 4.678917
MZN 73.32608
NAD 18.664472
NGN 1525.06315
NIO 42.213522
NOK 10.820834
NPR 175.754892
NZD 2.004647
OMR 0.441145
PAB 1.147014
PEN 3.872154
PGK 5.108586
PHP 72.017243
PKR 317.878713
PLN 4.345794
PYG 6827.100535
QAR 4.192677
RON 5.264742
RSD 117.401571
RUB 96.089636
RWF 1687.349273
SAR 4.308411
SBD 9.179216
SCR 15.856785
SDG 690.120647
SEK 11.277569
SGD 1.46402
SHP 0.857655
SLE 28.28116
SLL 24058.897033
SOS 655.536392
SRD 43.266333
STD 23747.384853
STN 24.478954
SVC 10.036327
SYP 14917.566297
SZL 18.661955
THB 38.165313
TJS 10.581702
TMT 4.027123
TND 3.377481
TOP 2.762492
TRY 55.992388
TTD 7.794299
TWD 36.393838
TZS 3028.950862
UAH 51.352425
UGX 4508.124065
USD 1.147329
UYU 46.090172
UZS 13569.274457
VES 972.343865
VND 29856.357588
VUV 135.291327
WST 3.155483
XAF 655.957
XAG 0.017357
XAU 0.000264
XCD 3.100712
XCG 2.067323
XDR 0.811221
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.400512
ZAR 18.636689
ZMK 10327.378129
ZMW 22.396744
ZWL 369.43933
SSP 6553.556792
MXV 2.240468
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP/Arquivos

Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

O petróleo pode servir para custear o seu próprio fim e financiar a transição energética? É nisso que acredita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma região situada próxima da Foz do Rio Amazonas.

Tamanho do texto:

Para Lula, esse objetivo não é incompatível com suas ambições de transformar o maior país da América Latina em uma referência mundial na luta contra a mudança climática, faltando um mês para a COP30, que será realizada em Belém, no Pará.

"O mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo", disse o presidente em um podcast.

"Eu sou contra o combustível fóssil, quando a gente puder prescindir dele. Enquanto a gente não puder [...] É com o dinheiro do petróleo que a gente vai conseguir fazer o biocombustível, o etanol, o hidrogênio verde e outras coisas mais", afirmou ele no início deste ano.

O Brasil é o oitavo maior produtor global de petróleo e Lula quer que a Petrobras seja "a maior empresa de petróleo do mundo".

Além disso, insta os líderes mundiais a intensificarem a luta contra o aquecimento e prometeu desmatamento zero até 2030.

Os críticos dizem que a posição do presidente é contraditória. Outros a consideram pragmática.

"Cada vez mais está ficando claro que os países emergentes [...] não poderão contar com os países desenvolvidos para financiarem a agenda de adaptação à mudança do clima", disse Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"É muito mais difícil você impor a um país como o Brasil, ele não retirar um petróleo [...], do que você falar a mesma coisa para Noruega, que já ficou rica", acrescentou.

Para Arbache, a pergunta deveria ser como usar esse petróleo "e dentro de que parâmetros ambientais".

- 'Equívoco histórico' -

O paradoxo fica especialmente evidente no litoral norte do país, onde um braço com centenas de quilômetros de água doce e barrenta do Amazonas, o rio mais caudaloso do mundo, desemboca no Oceano Atlântico, um encontro que é visível do espaço.

Depois que uma licença para a exploração de petróleo nessa região foi negada em 2023, a Petrobras superou recentemente uma prova-chave exigida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A companha afirmou em comunicado que espera receber logo a autorização, mesmo se for necessário reformular parcialmente o seu plano de proteção da fauna em caso de um derramamento de petróleo.

A Petrobras espera encontrar novas jazidas na Margem Equatorial, uma enorme área marítima próxima da Foz do Amazonas e onde a Guiana emergiu como um importante produtor de petróleo em menos de uma década, após a descoberta de grandes reservas.

A gigante estatal estima que seria "improvável" um vazamento de petróleo nessa região alcançar a costa e que não haveria "impacto direto" nas comunidades indígenas.

"Não existe petróleo sustentável, ponto", indicou à AFP Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e coordenadora da ONG Observatório do Clima.

"A gente está em plena crise climática, com um monte de eventos extremos e a opção por continuar indefinidamente aumentando a produção de petróleo é um grande equívoco, um equívoco histórico", frisou.

- Exportar o problema -

Se a Petrobras encontrar petróleo na Foz do Amazonas, o novo bloco poderia demorar uma década para entrar em produção.

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) prevê uma queda na demanda de petróleo a partir de 2030, por isso, seguir perfurando é economicamente arriscado, estimou Suely Araújo.

Ademais, as receitas provenientes do petróleo não demonstraram ser capazes de solucionar os "problemas sociais" do país, ressaltou.

O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu este ano sobre "severas disfunções" na distribuição dos royalties das receitas do petróleo, que se multiplicaram por 40 entre 2000 e 2022.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, embora sua matriz energética seja predominantemente renovável.

Quase metade das emissões se devem ao desmatamento e outros 25% à indústria agropecuária, disse Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente.

Segundo cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista do Instituto ClimaInfo, a queima das reservas estimadas na Margem Equatorial poderia representar lançamento de mais 2,5 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, mais que as emissões brasileiras de todo um ano.

É uma "incoerência falar de uma transição aliada à destruição", opinou a ambientalista Neidinha Suruí, que dedicou décadas à proteção das terras indígenas.

"O que o presidente está fazendo é ajudando a pressionar o clima e a destruição do Planeta. Espero que ele mude a atitude", disse ela à AFP.

O.Pereira--NZN