Zürcher Nachrichten - Por que chef paraense se recusou a cozinhar menu vegano para o príncipe William

EUR -
AED 4.291853
AFN 74.20555
ALL 95.817815
AMD 433.455649
ANG 2.091744
AOA 1072.818501
ARS 1638.506826
AUD 1.632748
AWG 2.106487
AZN 1.990357
BAM 1.953347
BBD 2.35407
BDT 143.439249
BGN 1.949423
BHD 0.441046
BIF 3476.725911
BMD 1.168647
BND 1.491028
BOB 8.106819
BRL 5.803267
BSD 1.168797
BTN 111.103472
BWP 15.866075
BYN 3.306048
BYR 22905.488356
BZD 2.351147
CAD 1.591388
CDF 2706.587474
CHF 0.915754
CLF 0.027087
CLP 1066.063434
CNY 7.982153
CNH 7.984544
COP 4357.243268
CRC 531.430334
CUC 1.168647
CUP 30.969155
CVE 110.612191
CZK 24.389204
DJF 207.691682
DKK 7.472507
DOP 69.652174
DZD 154.919394
EGP 62.777052
ERN 17.52971
ETB 183.565314
FJD 2.569626
FKP 0.860383
GBP 0.863052
GEL 3.137761
GGP 0.860383
GHS 13.083022
GIP 0.860383
GMD 85.895285
GNF 10257.799024
GTQ 8.932985
GYD 244.542893
HKD 9.157094
HNL 31.121083
HRK 7.532867
HTG 152.967138
HUF 363.833773
IDR 20359.181045
ILS 3.445114
IMP 0.860383
INR 111.424699
IQD 1530.928048
IRR 1536771.285057
ISK 143.404361
JEP 0.860383
JMD 184.138751
JOD 0.828586
JPY 184.014633
KES 150.9308
KGS 102.163736
KHR 4688.613046
KMF 491.418383
KPW 1051.782626
KRW 1722.925073
KWD 0.360066
KYD 0.974177
KZT 542.229047
LAK 25666.412509
LBP 104478.510829
LKR 373.507738
LRD 214.592902
LSL 19.668377
LTL 3.450711
LVL 0.706903
LYD 7.403358
MAD 10.806479
MDL 20.124727
MGA 4855.72974
MKD 61.629324
MMK 2453.867013
MNT 4179.872431
MOP 9.431855
MRU 46.687326
MUR 54.867673
MVR 18.061438
MWK 2035.196284
MXN 20.443791
MYR 4.630763
MZN 74.688328
NAD 19.668818
NGN 1601.502687
NIO 42.912313
NOK 10.821663
NPR 177.763476
NZD 1.988226
OMR 0.449351
PAB 1.169032
PEN 4.097227
PGK 5.063165
PHP 71.926154
PKR 325.76083
PLN 4.254285
PYG 7266.873964
QAR 4.257374
RON 5.198375
RSD 117.379233
RUB 88.062485
RWF 1706.809477
SAR 4.384993
SBD 9.37941
SCR 15.611293
SDG 701.776103
SEK 10.848785
SGD 1.492579
SHP 0.872513
SLE 28.807263
SLL 24505.946442
SOS 667.878202
SRD 43.77288
STD 24188.640968
STN 24.716892
SVC 10.22911
SYP 129.164732
SZL 19.668031
THB 38.261526
TJS 10.942258
TMT 4.096109
TND 3.372136
TOP 2.813823
TRY 52.845082
TTD 7.940029
TWD 36.926332
TZS 3035.574024
UAH 51.508713
UGX 4386.609027
USD 1.168647
UYU 47.080874
UZS 14021.431015
VES 571.401656
VND 30757.045679
VUV 138.810511
WST 3.173098
XAF 655.134256
XAG 0.015865
XAU 0.000256
XCD 3.158328
XCG 2.106954
XDR 0.812946
XOF 652.69255
XPF 119.331742
YER 278.868447
ZAR 19.623401
ZMK 10519.232616
ZMW 21.890509
ZWL 376.303975
Por que chef paraense se recusou a cozinhar menu vegano para o príncipe William
Por que chef paraense se recusou a cozinhar menu vegano para o príncipe William / foto: Thiago Gomes - AFP

Por que chef paraense se recusou a cozinhar menu vegano para o príncipe William

O chef paraense Saulo Jennings sente tamanha paixão pelos sabores da floresta amazônica — como o pirarucu — que se recusou a preparar um jantar vegano para a cerimônia de entrega de prêmios ambientais organizada pelo príncipe William, da Inglaterra.

Tamanho do texto:

No entanto, este cozinheiro de 47 anos está pronto para impressionar os chefes de Estado na COP30, a cúpula que acontece esta semana em Belém do Pará, com um jantar imersivo que exibirá ingredientes tanto vegetais quanto animais da maior floresta tropical do mundo.

Jennings foi nomeado embaixador gastronômico da ONU em 2024 e já cozinhou para presidentes, diplomatas e celebridades como Mariah Carey.

Nascido e criado em Santarém, às margens do rio Tapajós, no Pará, onde há 16 anos abriu o primeiro de seus seis restaurantes, Jennings disse à AFP que, para ele, a sustentabilidade se baseia no equilíbrio.

Pergunta: Por que você decidiu não cozinhar para o príncipe William e os 700 convidados do jantar dos prêmios Earthshot, no Rio de Janeiro, esta semana?

Resposta: "Na verdade, eu nunca recusei cozinhar para o príncipe. O que aconteceu foi um ruído de comunicação. O pedido que chegou para mim foi para fazer um cardápio 100% vegano, e eu expliquei que não me sentia confortável em assinar um menu assim, porque meu trabalho é justamente mostrar que a Amazônia é sustentável e isso inclui os peixes.

Eu até sugeri fazer um cardápio amazônico com maioria de pratos com vegetais, mas incluindo também os peixes de manejo, o que acabou não sendo aceito.

Até onde sei, não foi uma exigência da família Real."

A organização Earthshot preferiu não comentar.

P: O veganismo tornou-se sinônimo de alimentação ética. O que você pensa a respeito?

R: "Eu entendo a importância dessa tendência e respeito muito quem escolhe esse caminho. Mas acho perigoso quando o veganismo é tratado como sinônimo de sustentabilidade.

São coisas diferentes. A floresta é um ecossistema de equilíbrio, ela precisa das pessoas, dos animais e das plantas vivendo juntos.

O que me preocupa é quando isso vira uma imposição cultural.

Os habitantes da Amazônia são veganos, vegetarianos e carnívoros sem pensar nisso de forma específica. Comemos o que a floresta nos dá. Essa relação com a comida é ancestral."

P: Inicialmente, alguns pratos locais típicos, como o açaí, a maniçoba e o tacacá foram excluídos do cardápio da COP30 por medo de contaminação. O que o você acha disso?

R: "Eu fui o primeiro a questionar isso, inclusive junto ao ministro brasileiro do Turismo [Celso Sabino], e conseguimos fazer uma errata na licitação. Seria um absurdo o mundo inteiro vir conhecer a Amazônia e a gente não poder servir a nossa própria comida.

Muita gente de fora ainda tem medo da nossa comida, e acaba pedindo frango ou peru, quando poderia comer um pirarucu que é nobre, saboroso e sustentável."

— "Mesmo prestígio que um ceviche" —

P: Quais sabores amazônicos você levará à COP30?

R: "A base de tudo para mim é a mandioca. Dela vem o tucupi, a farinha, a goma, a maniçoba. É um símbolo da nossa identidade. Mas também amo trabalhar com castanha-do-pará, jambu, mel de meliponas, feijão manteiga de Santarém, jerimum, banana, tucupi preto e queijo do Marajó.

Na COP, eu quero que o mundo prove esses sabores e entenda que a floresta também fala pela comida."

P: Você considera a culinária amazônica uma ferramenta de conservação?

R: "Totalmente. A culinária é uma das formas mais diretas de proteger a floresta. Quando você consome um peixe de manejo, uma farinha artesanal, um tucupi de verdade, você está ajudando uma cadeia que mantém pessoas na beira do rio e impede o desmatamento.

O comer amazônico é um ato político de conservação."

P: O que influenciou sua relação com a comida?

R: "Eu sou filho, neto e bisneto de gente que vive dessa terra. E é essa mistura indígena, ribeirinha, cabocla que forma a minha cozinha. A comida para mim é memória, é resistência e é a forma mais bonita de contar quem nós somos.

Quando a gente fala de Amazônia, ainda há quem ache que é exótico e não entende que é ciência, técnica e tradição.

O meu sonho é ver um prato de pirarucu sendo servido com o mesmo prestígio que um ceviche peruano ou uma massa italiana."

P.Gashi--NZN