Zürcher Nachrichten - Massacre carcerário deixa 31 mortos no Equador e medo aumenta nas ruas

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Massacre carcerário deixa 31 mortos no Equador e medo aumenta nas ruas
Massacre carcerário deixa 31 mortos no Equador e medo aumenta nas ruas / foto: Marcos PIN - AFP

Massacre carcerário deixa 31 mortos no Equador e medo aumenta nas ruas

Trinta e um detentos morreram em uma prisão de Guayaquil em meio à nova onda de violência no Equador, que se estendeu às ruas da província fronteiriça de Esmeraldas. O dia de apreensão resultou em veículos incendiados, ameaças de bomba e rebelião.

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"Sobe para 31 o número de mortos, e para 14, o de feridos nos confrontos registrados desde sábado na Penitenciária do Litoral, em Guayaquil", informou a Promotoria na rede social X, antigo Twitter.

No último sábado, o órgão que administra as prisões (SNAI) havia reportado três feridos leves devido a um incidente na penitenciária conhecida como Guayas 1. No dia seguinte, o órgão confirmou um confronto entre facções criminosas vinculadas ao narcotráfico e informou que havia seis mortos e 11 feridos.

Do lado de fora do centro prisional, uma centena de parentes clamava por informações nesta terça-feira. Alguns carregavam balões brancos com os dizeres "Queremos paz".

Os internos não interessam (as autoridades), porque para eles são ratos. São seres humanos!", disse indignada à AFP uma mulher que procurava o marido e pediu para não ser identificada por questões de segurança.

O medo dos familiares é que os presos sejam transferidos para outra cela ou prisão, o que no passado levou a confrontos violentos.

O massacre em Guayas 1 levou o presidente Guillermo Lasso a declarar o sistema penitenciário em emergência por 60 dias.

Desde fevereiro de 2021, as prisões equatorianas são cenário de massacres recorrentes, que já deixaram mais de 420 detentos assassinados e um rastro de terror, com corpos decapitados e cremados.

Paralelamente à operação em Guayaquil, surgiram focos de violência na província de Esmeraldas, que faz fronteira com a Colômbia, e em sua capital, de mesmo nome, o que o governo atribuiu ao combate contra os grupos criminosos que atuam a partir das prisões e disputam as rotas do narcotráfico.

"O estado de exceção nos centros de privação de liberdade, para enfrentar o crime organizado e levar ordem às prisões, gerou a reação de grupos criminosos em Esmeraldas", destacou a Secretaria Geral de Comunicação (Segcom).

Em meio à emergência prisional, detentos de Esmeraldas protagonizaram hoje uma rebelião, que mantém "15 guardas e dois funcionários administrativos retidos", segundo a Segcom.

- Mal 'disseminado' -

Alertas de bomba em postos de gasolina e um artefato explosivo desativado em uma sede da Promotoria levaram à suspensão do dia de trabalho e escolar na cidade de Esmeraldas.

Pessoas se deslocavam a pé devido à falta de transporte. Criminosos fizeram um número indeterminado de reféns, que foram libertados graças à ação da polícia.

Para o especialista em segurança Luis Córdova, a violência é um problema "bastante disseminado no território equatoriano", principalmente nas províncias costeiras.

"Esmeraldas vem se tornando um regime de governança criminosa há muito tempo. Existe, ali, um controle direto e aberto de grupos criminosos", disse à AFP o diretor do centro de pesquisas sobre conflitos e violência da estatal Universidade Central. Guayaquil, por sua vez, "tornou-se um epicentro de violência que chamou a atenção de muitos nos últimos dois anos", expressou Córdova.

Com saída para o Pacífico, Guayaquil é um centro de operações do narcotráfico no Equador. Localizado entre a Colômbia e o Peru - principais produtores mundiais de cocaína - o país apreendeu 455 toneladas de drogas desde que Lasso assumiu o cargo, em maio de 2021. No mesmo ano, o recorde anual de apreensões de drogas foi registrado em aproximadamente 210 toneladas.

- Greve de fome -

Em consequência do confronto na prisão Guayas 1, mais de uma centena de agentes penitenciários foram retidos em cinco prisões, e reclusos de 13 centros iniciaram uma greve de fome. Segundo o balanço mais recente do governo, 120 dos 137 agentes de segurança penitenciária foram liberados.

O Observatório de Prisões, que reúne acadêmicos e pesquisadores, criticou na rede social X as medidas de Lasso. "A militarização das prisões não é outra coisa que fazer do sofrimento humano um espetáculo político", acrescentou a organização de defesa dos direitos humanos para os presos.

Um censo recente estabeleceu que, nas 36 prisões locais, com capacidade para aproximadamente 30.000 pessoas, há uma população de 31.321 presos, a maioria por narcotráfico.

R.Schmid--NZN