Zürcher Nachrichten - Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica

EUR -
AED 4.255618
AFN 75.309998
ALL 92.358548
AMD 422.104822
ANG 2.073658
AOA 1062.444686
ARS 1736.920935
AUD 1.616843
AWG 2.085496
AZN 1.974235
BAM 1.94563
BBD 2.33402
BDT 142.854512
BGN 1.965425
BHD 0.436831
BIF 3466.5575
BMD 1.158609
BND 1.47282
BOB 13.58809
BRL 6.017355
BSD 1.158853
BTN 110.472498
BWP 15.527967
BYN 3.494992
BYR 22708.732283
BZD 2.330737
CAD 1.611683
CDF 2633.518199
CHF 0.937844
CLF 0.027407
CLP 1078.676828
CNY 7.793672
CNH 7.798949
COP 3720.315997
CRC 522.970872
CUC 1.158609
CUP 30.703133
CVE 110.651651
CZK 24.143674
DJF 205.90841
DKK 7.476971
DOP 68.068722
DZD 154.54919
EGP 57.696928
ERN 17.379132
ETB 185.961199
FJD 2.547554
FKP 0.854831
GBP 0.856009
GEL 3.016856
GGP 0.854831
GHS 12.970672
GIP 0.854831
GMD 85.737462
GNF 10172.585588
GTQ 8.845838
GYD 242.454748
HKD 9.086216
HNL 31.132268
HRK 7.537218
HTG 151.608828
HUF 365.25187
IDR 20573.879727
ILS 3.448256
IMP 0.854831
INR 110.571309
IQD 1518.356819
IRR 1592594.677879
ISK 140.643968
JEP 0.854831
JMD 183.689828
JOD 0.821499
JPY 185.464348
KES 149.970767
KGS 101.320784
KHR 4687.156258
KMF 492.409141
KPW 1042.748251
KRW 1596.065155
KWD 0.357918
KYD 0.96576
KZT 537.047413
LAK 25981.802519
LBP 103753.417546
LKR 380.046723
LRD 208.839676
LSL 18.526596
LTL 3.421071
LVL 0.700831
LYD 7.346021
MAD 10.762362
MDL 20.03644
MGA 5015.617853
MKD 61.200624
MMK 2432.762691
MNT 4168.372878
MOP 9.358164
MRU 46.472237
MUR 54.269674
MVR 17.91253
MWK 2011.345259
MXN 19.736326
MYR 4.664448
MZN 74.047125
NAD 18.526591
NGN 1554.366817
NIO 42.544551
NOK 10.862889
NPR 176.755599
NZD 1.959758
OMR 0.441521
PAB 1.158853
PEN 3.883082
PGK 5.123658
PHP 72.147003
PKR 321.572303
PLN 4.341713
PYG 6867.163647
QAR 4.223174
RON 5.259509
RSD 117.395089
RUB 99.813465
RWF 1701.996312
SAR 4.390852
SBD 9.269084
SCR 16.081921
SDG 696.907446
SEK 11.097561
SGD 1.476651
SHP 0.858374
SLE 28.530786
SLL 24295.446125
SOS 662.149166
SRD 43.726325
STD 23980.86273
STN 24.765263
SVC 10.139866
SYP 15064.231378
SZL 18.526582
THB 38.408309
TJS 10.71946
TMT 4.066717
TND 3.375071
TOP 2.789652
TRY 55.891714
TTD 7.864957
TWD 36.65688
TZS 3064.517976
UAH 51.634047
UGX 4369.199296
USD 1.158609
UYU 46.666471
UZS 13700.549328
VES 916.085443
VND 30222.310286
VUV 137.006296
WST 3.13732
XAF 652.554455
XAG 0.017451
XAU 0.00026
XCD 3.131199
XCG 2.088601
XDR 0.819197
XOF 652.297133
XPF 119.331742
YER 274.039987
ZAR 18.737613
ZMK 10428.873593
ZMW 21.93155
ZWL 373.071558
Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica
Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica / foto: EZEQUIEL BECERRA - AFP

Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica

Nas ruas íngremes de um bairro populoso de San José, capital da Costa Rica, os tiroteios entre vendedores de drogas são cotidianos e suas vítimas têm a mesma carpideira: Mauren, que ajuda a sepultá-las sem perguntar se eram inocentes ou não.

Tamanho do texto:

Antigamente um problema de seus instáveis vizinhos, o tema da violência crescente está no centro das eleições presidenciais do próximo domingo (1º) na Costa Rica, considerada por décadas um dos países mais seguros da América Latina.

A candidata governista Laura Fernández, favorita às eleições, culpa as autoridades judiciais porque criminosos não estão presos e sugere medidas de linha-dura, como as implantadas em El Salvador por Nayib Bukele, que seus adversários consideram uma ameaça aos direitos humanos.

À margem do acirrado debate sobre como enfrentar a crise, Mauren Jiménez, líder comunitária de 54 anos, só quer que os assassinatos de jovens parem. "Enterrar um familiar a quem mataram com 14, 15 anos, é muito difícil", diz ela à AFP.

Só no ano passado, ela ajudou a enterrar cerca de 20 rapazes, "que infelizmente se desviam por falta de oportunidades" e vítimas colaterais, cujas famílias no geral carecem de recursos para sepultá-los.

A violência "é o pão de cada dia", assinala Jiménez perto do morro onde se erguem vários "precários", como são chamados os assentamentos informais, de Alajuelita, uma das áreas mais violentas do país.

Sete em cada dez assassinatos são ligados ao tráfico de drogas na Costa Rica, onde a taxa de homicídios disparou para 17 casos por 100.000 habitantes em 2025, frente ao índice de 11,2 de 2019.

- Guerra de quadrilhas -

No que descreve como uma vocação, Jiménez começa seu trabalho quando os legistas levam os corpos para o necrotério, após horas de espera.

Houve casos em que "os pais não sabiam ler, escrever (...), não tinham como enterrá-los" ou transportá-los para velá-los, conta esta mulher, que negocia preços com funerárias e organiza vaquinhas nas redes sociais.

Essas mortes são resultantes de disputas entre quadrilhas pela venda de drogas em favelas, uma vertente do narcotráfico na Costa Rica, que passou de ponte a centro logístico para cartéis da Colômbia e do México, explica à AFP o diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ), Michael Soto.

Quadrilhas locais armazenam a cocaína e a camuflam nos portos em contêineres de produtos de exportação, uma modalidade que o país, com costas no Pacífico e no Caribe, combate com escâneres insuficientes, segundo Soto.

Mas o sangue que corre nestas disputas não é o dos chefes das quadrilhas, mas de setores empobrecidos deste país de 5,2 milhões de habitantes, que está entre os mais desiguais da América Latina.

Os "anéis de miséria das cidades" fizeram com "que o crime organizado crie raízes ali", acrescenta Soto.

O chefe do OIJ conta ter ficado "impactado" com o que um menino de 13 anos lhe disse, após uma operação na província caribenha de Limón, uma das mais violentas do país. Ele admitiu que quer ser "narcotraficante" porque os do seu bairro se saem "muito bem", relata.

- Medo generalizado -

Para Soto, a solução exige dar bem-estar às comunidades vulneráveis. Mas falou-se pouco disso durante a campanha eleitoral.

A conservadora Fernández prevê, ao contrário, construir um mega-presídio, inspirado na prisão para membros de gangues de Bukele e decretar estados de exceção em áreas marginalizadas.

Seus adversários propõem reforçar a vigilância policial e naval, e frear os cortes orçamentários para a segurança, feitos pelo presidente em fim de mandato, Rodrigo Chaves, em meio a um enfrentamento com o poder judiciário.

Embora os moradores de Alajuelita concordem em que as mortes se concentram no universo do narcotráfico, o medo é generalizado devido a casos como o de um menino morto em casa, atingido por uma bala perdida em 2024.

"Tive que fazer funerais com medo porque talvez o rapaz andasse com estas quadrilhas" e um "tiroteio" possa ocorrer, admite à AFP o sacerdote Gabriel Corrales, vigário de Alajuelita, de 59 anos.

Acostumada a lidar com o medo, Mauren Jiménez teve, no entanto, que recorrer à ajuda psicológica após uma onda de crimes, inclusive o assassinato de um jovem que levou dezenas de tiros. "Imagine como ficou esse corpo", relata.

Sem receber pagamento por seu trabalho, ela faz faxinas e cuida de doentes para ganhar a vida. Mesmo contra a vontade da família, pensa em seguir ajudando a aliviar a dor dos vizinhos.

Ela diz que não lhe "entra na cabeça" que altos funcionários do governo digam simplesmente "que se matem entre eles".

G.Kuhn--NZN