Zürcher Nachrichten - Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'

EUR -
AED 4.278611
AFN 76.892379
ALL 92.159016
AMD 423.299983
ANG 2.085168
AOA 1069.506352
ARS 1762.149611
AUD 1.617212
AWG 2.098528
AZN 1.982538
BAM 1.955338
BBD 2.343866
BDT 143.456104
BGN 1.976334
BHD 0.4388
BIF 3474.77898
BMD 1.16504
BND 1.48025
BOB 13.469817
BRL 6.015565
BSD 1.163735
BTN 111.118222
BWP 15.592316
BYN 3.509601
BYR 22834.778604
BZD 2.340467
CAD 1.613516
CDF 2650.464941
CHF 0.937082
CLF 0.027415
CLP 1078.977765
CNY 7.828948
CNH 7.830687
COP 3680.185734
CRC 528.779599
CUC 1.16504
CUP 30.873553
CVE 110.238953
CZK 24.143697
DJF 207.222816
DKK 7.474458
DOP 68.446267
DZD 155.041698
EGP 58.545923
ERN 17.475596
ETB 190.083419
FJD 2.570951
FKP 0.857049
GBP 0.857056
GEL 3.040797
GGP 0.857049
GHS 13.038919
GIP 0.857049
GMD 85.629106
GNF 10228.539305
GTQ 8.880902
GYD 243.462475
HKD 9.134465
HNL 31.293042
HRK 7.534656
HTG 152.245334
HUF 364.984097
IDR 20616.542968
ILS 3.456032
IMP 0.857049
INR 111.293217
IQD 1526.784559
IRR 1601463.60544
ISK 140.18871
JEP 0.857049
JMD 184.749519
JOD 0.825994
JPY 185.770203
KES 150.8555
KGS 101.882494
KHR 4713.751323
KMF 492.811731
KPW 1048.536094
KRW 1604.754887
KWD 0.359578
KYD 0.969783
KZT 538.539688
LAK 26120.190723
LBP 104329.307264
LKR 382.329663
LRD 211.01785
LSL 18.629174
LTL 3.44006
LVL 0.704721
LYD 7.386166
MAD 10.781858
MDL 19.934461
MGA 5051.611705
MKD 61.510466
MMK 2446.593369
MNT 4189.776435
MOP 9.395701
MRU 46.740862
MUR 54.523123
MVR 18.000087
MWK 2023.674174
MXN 19.764969
MYR 4.691152
MZN 74.449805
NAD 18.624839
NGN 1563.087233
NIO 42.779858
NOK 10.85764
NPR 177.789518
NZD 1.95327
OMR 0.447888
PAB 1.163725
PEN 3.904024
PGK 5.167825
PHP 72.404866
PKR 323.41104
PLN 4.335637
PYG 6909.426749
QAR 4.246861
RON 5.258756
RSD 117.273297
RUB 100.083317
RWF 1711.443356
SAR 4.376523
SBD 9.32061
SCR 15.924669
SDG 700.776687
SEK 11.087497
SGD 1.479985
SHP 0.863138
SLE 28.718388
SLL 24430.299606
SOS 665.054278
SRD 43.959329
STD 24113.970095
STN 24.93185
SVC 10.182725
SYP 15147.846391
SZL 18.629598
THB 38.385655
TJS 10.73521
TMT 4.077639
TND 3.375113
TOP 2.805136
TRY 56.202562
TTD 7.899235
TWD 36.799523
TZS 3084.446177
UAH 51.849039
UGX 4369.967465
USD 1.16504
UYU 46.779148
UZS 13719.758299
VES 921.170232
VND 30398.799016
VUV 138.006318
WST 3.153025
XAF 655.813303
XAG 0.01688
XAU 0.000254
XCD 3.148578
XCG 2.097331
XDR 0.823744
XOF 655.807675
XPF 119.331742
YER 275.537413
ZAR 18.623993
ZMK 10486.756977
ZMW 22.139959
ZWL 375.142316
Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'
Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande' / foto: ADRIAN DENNIS - AFP

Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'

"Muitas pessoas estão morrendo de câncer, o que não existia no Brasil", diz Marilda Lyrio de Oliveira, liderança indígena de Aracruz, no Espirito Santo, ao descrever à AFP, em Londres, o que representou a tragédia ambiental causada em 2015 pelo rompimento da barragem do Fundão, nas proximidades de Mariana (MG).

Tamanho do texto:

Em 14 de novembro passado, a Justiça britânica considerou a gigante da mineração australiana BHP responsável pelo que Marilda classifica como um "crime muito grande". A sentença pode resultar em indenizações de bilhões de dólares.

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento de uma barragem de rejeitos da mina de ferro do Fundão, localizada no município de Bento Rodrigues, perto da Mariana, matou 19 pessoas, arrasou várias cidades e liderou 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de minério tóxicos, que percorreram 650 km pelo rio Doce até chegar ao oceano Atlântico.

A BHP era coproprietária, junto com a mineradora brasileira Vale, da empresa Samarco, dona da barragem que se rompeu.

Uma dezena de demandantes brasileiros afetados pela tragédia estão em Londres para assistir a uma audiência nesta quarta (4) e quinta-feira, no Tribunal Superior de Justiça britânico, na qual deve ser decidido o calendário do julgamento de compensação e quais documentos e provas periciais serão necessários.

"Espera-se que o juiz se ocupe exclusivamente de questões práticas sobre como vai funcionar a próxima etapa do caso", que poderia começar em outubro de 2026 ou no primeiro semestre de 2027, explica à AFP o escritório de advocacia Pogust Goodhead, que defende os demandantes.

- Mais de 600.000 afetados -

A questão das indenizações por perdas e danos para os mais de 600.000 demandantes registrados deverá agora ser objeto deste segundo julgamento.

"Nós esperamos o que for justo, o que nos cabe realmente porque o impacto foi muito grande, o crime foi muito grande", afirma Marilda.

A BHP tinha duas sedes no momento dos fatos, uma dela em Londres, o que explica este julgamento na capital britânica, realizado entre outubro de 2024 e março de 2025.

Desde o início do julgamento, a mineradora australiana negou ser "contaminadora direta".

Em 2024, a Justiça brasileira absolveu as empresas porque considerou que as provas analisadas não eram "determinantes" para estabelecer sua responsabilidade.

Os demandantes recorreram, então, à Justiça britânica, por não terem ficado satisfeitos com os processos que tramitaram no Brasil, reivindicando há dois anos 36 bilhões de libras (aproximadamente R$ 285 bilhões, na cotação da época).

"Temos problemas de saúde, problemas mentais, por não ter mais aquela tarefa que se fazia antes", acrescenta Marilda.

"Nós, indígenas, somos impactados em tudo. Eu, como curandeira, não posso mais usar as ervas que existem no meu país. Não posso mais vender meus artesanatos no meu país, tenho que buscar fora. Não posso mais me alimentar daquilo que os rios nos oferecem. Hoje todos temos que comprar. Para nós está muito difícil", diz a líder indígena.

- "Rompeu nossa vida" -

Ana Paula Auxiliadora Alexandre, que mora em Ouro Preto (MG), perdeu o marido na tragédia. Aos 40 anos, ele deixou viúva e quatro órfãos.

"O sofrimento da perda foi tão grande que rompeu nossa vida, interrompeu sonhos, paralisou nossa vida. Durante esses dez anos estamos correndo atrás de justiça", explica Ana Paula.

"Só de uma megaempresa ser condenada aqui na Inglaterra, eu acho que a Justiça britânica é mais responsável que a Justiça brasileira", acrescenta.

Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina, no Espírito Santo, explica que "a Justiça londrina está garantindo o direito do brasileiro, o direito do colatinense de ser restituído ou reparado pelo crime ambiental causado pela mineradora".

"Menos de 15% dos cidadãos do município de Colatina receberam alguma indenização. Portanto, faltam aí 80%, 90% para receber esse direito e restituir um pouco deste crime ambiental", acrescenta Vasconcelos.

"Desgraçadamente, é a Justiça britânica que está conseguindo algo que a Justiça brasileira aparentemente não lhes deu. Eu acredito na Justiça brasileira, acredito que, de fato, a gente possa organizar melhor e reparar os danos no Brasil, mas lá não se contemplou o quantitativo específico ou o direito de cada brasileiro, de cada habitante do Espírito Santo e de Colatina", conclui.

N.Fischer--NZN