Zürcher Nachrichten - Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'

EUR -
AED 4.350294
AFN 74.034783
ALL 96.450031
AMD 445.379463
ANG 2.120045
AOA 1086.241874
ARS 1650.663921
AUD 1.675218
AWG 2.133689
AZN 2.012096
BAM 1.955743
BBD 2.382891
BDT 144.565775
BGN 1.951736
BHD 0.446564
BIF 3507.904766
BMD 1.18456
BND 1.494845
BOB 8.19283
BRL 6.187788
BSD 1.1831
BTN 107.247055
BWP 15.612071
BYN 3.371801
BYR 23217.383405
BZD 2.379351
CAD 1.616321
CDF 2671.183436
CHF 0.912722
CLF 0.026002
CLP 1026.718035
CNY 8.183713
CNH 8.157901
COP 4336.841382
CRC 568.904984
CUC 1.18456
CUP 31.39085
CVE 110.259916
CZK 24.273771
DJF 210.680067
DKK 7.47046
DOP 73.01064
DZD 153.702612
EGP 55.556711
ERN 17.768406
ETB 184.030612
FJD 2.600051
FKP 0.869139
GBP 0.873738
GEL 3.16324
GGP 0.869139
GHS 13.00773
GIP 0.869139
GMD 87.065316
GNF 10385.178655
GTQ 9.073582
GYD 247.514855
HKD 9.258228
HNL 31.317274
HRK 7.534521
HTG 155.084632
HUF 377.990883
IDR 19985.902694
ILS 3.673493
IMP 0.869139
INR 107.353568
IQD 1549.761245
IRR 49899.606102
ISK 144.987866
JEP 0.869139
JMD 184.630838
JOD 0.839863
JPY 181.81464
KES 152.618956
KGS 103.589809
KHR 4755.142016
KMF 493.961351
KPW 1066.039875
KRW 1711.156778
KWD 0.36302
KYD 0.985975
KZT 580.675479
LAK 25345.366191
LBP 105942.403528
LKR 366.040846
LRD 220.038925
LSL 18.985725
LTL 3.497699
LVL 0.716529
LYD 7.458002
MAD 10.795376
MDL 20.135496
MGA 5179.045373
MKD 61.640076
MMK 2487.608181
MNT 4228.123686
MOP 9.525462
MRU 47.229414
MUR 54.407253
MVR 18.248119
MWK 2051.517973
MXN 20.309044
MYR 4.620498
MZN 75.6988
NAD 18.985725
NGN 1593.767001
NIO 43.540381
NOK 11.302643
NPR 171.604503
NZD 1.973128
OMR 0.455464
PAB 1.183075
PEN 3.960284
PGK 5.082045
PHP 68.651135
PKR 330.851902
PLN 4.218604
PYG 7733.002466
QAR 4.311901
RON 5.095152
RSD 117.365064
RUB 90.443866
RWF 1727.915138
SAR 4.44217
SBD 9.537678
SCR 16.910148
SDG 712.516941
SEK 10.632726
SGD 1.496283
SHP 0.888727
SLE 28.96215
SLL 24839.638073
SOS 675.003064
SRD 44.659135
STD 24518.008203
STN 24.500215
SVC 10.351741
SYP 13100.734216
SZL 18.980086
THB 37.029717
TJS 11.191295
TMT 4.157807
TND 3.417142
TOP 2.852137
TRY 51.816211
TTD 8.022799
TWD 37.179831
TZS 3069.081054
UAH 51.195649
UGX 4181.913075
USD 1.18456
UYU 45.967104
UZS 14422.639334
VES 468.934214
VND 30763.033012
VUV 141.067611
WST 3.204116
XAF 655.962747
XAG 0.016001
XAU 0.000241
XCD 3.201334
XCG 2.132147
XDR 0.815807
XOF 655.957209
XPF 119.331742
YER 282.369582
ZAR 18.973956
ZMK 10662.466075
ZMW 21.880915
ZWL 381.427958
Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'
Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande' / foto: ADRIAN DENNIS - AFP

Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'

"Muitas pessoas estão morrendo de câncer, o que não existia no Brasil", diz Marilda Lyrio de Oliveira, liderança indígena de Aracruz, no Espirito Santo, ao descrever à AFP, em Londres, o que representou a tragédia ambiental causada em 2015 pelo rompimento da barragem do Fundão, nas proximidades de Mariana (MG).

Tamanho do texto:

Em 14 de novembro passado, a Justiça britânica considerou a gigante da mineração australiana BHP responsável pelo que Marilda classifica como um "crime muito grande". A sentença pode resultar em indenizações de bilhões de dólares.

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento de uma barragem de rejeitos da mina de ferro do Fundão, localizada no município de Bento Rodrigues, perto da Mariana, matou 19 pessoas, arrasou várias cidades e liderou 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de minério tóxicos, que percorreram 650 km pelo rio Doce até chegar ao oceano Atlântico.

A BHP era coproprietária, junto com a mineradora brasileira Vale, da empresa Samarco, dona da barragem que se rompeu.

Uma dezena de demandantes brasileiros afetados pela tragédia estão em Londres para assistir a uma audiência nesta quarta (4) e quinta-feira, no Tribunal Superior de Justiça britânico, na qual deve ser decidido o calendário do julgamento de compensação e quais documentos e provas periciais serão necessários.

"Espera-se que o juiz se ocupe exclusivamente de questões práticas sobre como vai funcionar a próxima etapa do caso", que poderia começar em outubro de 2026 ou no primeiro semestre de 2027, explica à AFP o escritório de advocacia Pogust Goodhead, que defende os demandantes.

- Mais de 600.000 afetados -

A questão das indenizações por perdas e danos para os mais de 600.000 demandantes registrados deverá agora ser objeto deste segundo julgamento.

"Nós esperamos o que for justo, o que nos cabe realmente porque o impacto foi muito grande, o crime foi muito grande", afirma Marilda.

A BHP tinha duas sedes no momento dos fatos, uma dela em Londres, o que explica este julgamento na capital britânica, realizado entre outubro de 2024 e março de 2025.

Desde o início do julgamento, a mineradora australiana negou ser "contaminadora direta".

Em 2024, a Justiça brasileira absolveu as empresas porque considerou que as provas analisadas não eram "determinantes" para estabelecer sua responsabilidade.

Os demandantes recorreram, então, à Justiça britânica, por não terem ficado satisfeitos com os processos que tramitaram no Brasil, reivindicando há dois anos 36 bilhões de libras (aproximadamente R$ 285 bilhões, na cotação da época).

"Temos problemas de saúde, problemas mentais, por não ter mais aquela tarefa que se fazia antes", acrescenta Marilda.

"Nós, indígenas, somos impactados em tudo. Eu, como curandeira, não posso mais usar as ervas que existem no meu país. Não posso mais vender meus artesanatos no meu país, tenho que buscar fora. Não posso mais me alimentar daquilo que os rios nos oferecem. Hoje todos temos que comprar. Para nós está muito difícil", diz a líder indígena.

- "Rompeu nossa vida" -

Ana Paula Auxiliadora Alexandre, que mora em Ouro Preto (MG), perdeu o marido na tragédia. Aos 40 anos, ele deixou viúva e quatro órfãos.

"O sofrimento da perda foi tão grande que rompeu nossa vida, interrompeu sonhos, paralisou nossa vida. Durante esses dez anos estamos correndo atrás de justiça", explica Ana Paula.

"Só de uma megaempresa ser condenada aqui na Inglaterra, eu acho que a Justiça britânica é mais responsável que a Justiça brasileira", acrescenta.

Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina, no Espírito Santo, explica que "a Justiça londrina está garantindo o direito do brasileiro, o direito do colatinense de ser restituído ou reparado pelo crime ambiental causado pela mineradora".

"Menos de 15% dos cidadãos do município de Colatina receberam alguma indenização. Portanto, faltam aí 80%, 90% para receber esse direito e restituir um pouco deste crime ambiental", acrescenta Vasconcelos.

"Desgraçadamente, é a Justiça britânica que está conseguindo algo que a Justiça brasileira aparentemente não lhes deu. Eu acredito na Justiça brasileira, acredito que, de fato, a gente possa organizar melhor e reparar os danos no Brasil, mas lá não se contemplou o quantitativo específico ou o direito de cada brasileiro, de cada habitante do Espírito Santo e de Colatina", conclui.

N.Fischer--NZN