Zürcher Nachrichten - Centenas de desabrigados iniciam 'uma nova vida' após terremotos na Venezuela

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Centenas de desabrigados iniciam 'uma nova vida' após terremotos na Venezuela
Centenas de desabrigados iniciam 'uma nova vida' após terremotos na Venezuela / foto: Federico PARRA - AFP

Centenas de desabrigados iniciam 'uma nova vida' após terremotos na Venezuela

Dezenas de pessoas vasculham pilhas de roupas na grama de um estádio em La Guaira, o estado mais afetado pelos dois terremotos que devastaram a Venezuela. Elas procuram algo para vestir nesse abrigo improvisado que serve de lar para muitos que perderam tudo.

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Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que aconteceram na quarta-feira (24) deixaram, em menos de um minuto, um total de quase mil mortos, mais de 50 mil desaparecidos e um cenário de devastação no país, especialmente em La Guaira, estado vizinho de Caracas.

"É como se Deus te desse a oportunidade de ter mais uma vida", diz Yosey Escalona no abrigo.

Prédios reduzidos a escombros, ambulâncias que não param de ir e vir, motos que transportam insumos de ajuda e a desesperada busca por pessoas e corpos presos sob o concreto compõem o cenário que vive La Guaira.

Centenas de pessoas desabrigadas encontraram no estádio poliesportivo José María Vargas um espaço aberto, com estruturas firmes, para se refugiarem das mais de 300 réplicas registradas desde que a terra tremeu violentamente às 18h04 da tarde de quarta-feira (19h04 no horário de Brasília).

Escalona contou que teve que abandonar sua casa porque "a estrutura está toda fraturada, está inabitável. As paredes se desprenderam das colunas".

Nas instalações esportivas, foram montadas grandes tendas. Dentro de cada uma convivem grupos de até 50 pessoas. Guardam produtos de higiene pessoal, água em embalagens plásticas e alimentos não perecíveis.

- "Damos graças a Deus"

Entre os moradores, eles se organizam para designar responsáveis que distribuam insumos e mantenham a ordem dentro do abrigo.

"Aqui há espaço e todo mundo os recebe. Aqui estamos 100% dispostos a ajudar uns aos outros porque é um momento muito difícil", destacou Escalona, enquanto coordena 46 pessoas provenientes de diversas regiões que agora vivem sob o teto de lona.

A entrada parece repleta de motos estacionadas e um mar de gente que entra e sai levando ajuda para os atingidos. Carregam bolsas grandes, malas, colchões.

Este abrigo é também um centro de coleta para concentrar e distribuir insumos de primeira necessidade.

Apesar da tristeza, ainda há espaço para o ímpeto que permite apoiar outras vítimas.

"A solidariedade que existe agora é impressionante", ressaltou Carlos Marcanos, um trabalhador portuário que também perdeu sua casa em uma área popular próxima à costa.

A maioria das perdas aconteceu em La Guaira, estado costeiro com uma população superior a 400 mil pessoas.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou a área como "zona de desastre". Além disso, durante uma fala na madrugada deste sábado (27), afirmou que o Estado "está militarizado para garantir a segurança".

A ajuda chega de todas as partes do país para apoiar abrigos e centros de saúde com o envio de produtos básicos e comida.

Pedro Colmenares levou, junto com seus colegas de trabalho, 500 pães e bebidas para distribuir no abrigo. Enormes filas se formavam à espera dos alimentos.

"Todo o povo está unido. Entre nós mesmos, dando-nos um abraço de irmandade para que o mundo veja que o venezuelano é uma pessoa que se ama, que se apoia nos momentos mais difíceis", exclamou.

Hematomas, curativos, roupas cobertas de poeira. A marca da tragédia está gravada na pele dos refugiados. Feridos e pacientes psiquiátricos também estão abrigados nas tendas.

O Hospital Periférico de Pariata recebeu a maioria dos afetados. Um enfermeiro disse à AFP que mais de 400 feridos foram atendidos nas primeiras 48 horas.

Este centro de saúde os encaminha ao abrigo porque eles não têm para onde ir.

"À medida que os pacientes vão recebendo alta, surge outro problema (...). Eles não têm para onde ir, porque perderam as casas, perderam tudo", explicou a cirurgiã Geralldyne Franco.

L.Muratori--NZN