Zürcher Nachrichten - A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela

EUR -
AED 4.11944
AFN 72.90019
ALL 92.113084
AMD 405.784792
ANG 2.00797
AOA 1028.454068
ARS 1705.062288
AUD 1.609295
AWG 2.018775
AZN 1.90331
BAM 1.958169
BBD 2.258532
BDT 138.071968
BGN 1.88805
BHD 0.42301
BIF 3362.382548
BMD 1.121542
BND 1.435837
BOB 13.461226
BRL 5.603783
BSD 1.121357
BTN 107.92509
BWP 15.468991
BYN 3.427547
BYR 21982.220793
BZD 2.255218
CAD 1.598781
CDF 2590.762026
CHF 0.932164
CLF 0.027698
CLP 1093.68248
CNY 7.519434
CNH 7.519484
COP 3634.423746
CRC 513.821638
CUC 1.121542
CUP 26.91256
CVE 110.402506
CZK 24.455949
DJF 199.320398
DKK 7.473888
DOP 67.38152
DZD 150.748564
EGP 58.761957
ERN 16.823128
ETB 183.162379
FJD 2.523189
FKP 0.847468
GBP 0.848508
GEL 2.921642
GGP 0.847468
GHS 13.180888
GIP 0.847468
GMD 82.470131
GNF 9865.287187
GTQ 8.572677
GYD 234.565877
HKD 8.800828
HNL 30.101418
HRK 7.537928
HTG 146.837649
HUF 367.472637
IDR 20117.096652
ILS 3.425072
IMP 0.847468
INR 108.027643
IQD 1468.977216
IRR 1958817.202204
ISK 137.007821
JEP 0.847468
JMD 177.915248
JOD 0.795145
JPY 177.209786
KES 145.531793
KGS 98.078739
KHR 4549.686905
KMF 491.235393
KPW 1009.388046
KRW 1504.402777
KWD 0.347001
KYD 0.934447
KZT 513.028391
LAK 25196.371046
LBP 100415.938743
LKR 370.671671
LRD 191.755411
LSL 18.676862
LTL 3.311621
LVL 0.67841
LYD 7.209851
MAD 11.194242
MDL 20.145732
MGA 4979.001558
MKD 61.646781
MMK 2354.628615
MNT 4033.156685
MOP 9.064028
MRU 44.990035
MUR 53.890313
MVR 17.338825
MWK 1944.443782
MXN 20.27535
MYR 4.582286
MZN 71.667158
NAD 18.676195
NGN 1487.467706
NIO 41.271403
NOK 10.755565
NPR 172.680915
NZD 2.005239
OMR 0.431231
PAB 1.121352
PEN 3.869119
PGK 5.080328
PHP 70.2932
PKR 310.595346
PLN 4.382044
PYG 6572.068295
QAR 4.098732
RON 5.341934
RSD 117.437753
RUB 95.138628
RWF 1656.233299
SAR 4.201711
SBD 9.059895
SCR 15.481411
SDG 674.591504
SEK 11.264559
SGD 1.435232
SHP 0.846798
SLE 27.591764
SLL 23518.163288
SOS 640.875351
SRD 42.24403
STD 23213.652474
STN 24.529677
SVC 9.812221
SYP 14582.287773
SZL 18.671589
THB 37.778575
TJS 10.32208
TMT 3.925397
TND 3.350754
TOP 2.700404
TRY 55.130458
TTD 7.601196
TWD 35.590979
TZS 2960.49373
UAH 50.540047
UGX 4507.614221
USD 1.121542
UYU 45.395731
UZS 13202.443606
VES 970.669989
VND 29152.238014
VUV 133.979583
WST 3.127544
XAF 655.957
XAG 0.018344
XAU 0.00027091496
XCD 3.031023
XCG 2.020936
XDR 0.792988
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 265.024266
ZAR 18.671637
ZMK 10095.216295
ZMW 22.118661
ZWL 361.136027
SSP 6406.910625
MXV 2.292612
A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela
A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela / foto: Juan BARRETO - AFP

A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela

Socorristas pedem silêncio ao ouvirem um sobrevivente entre as ruínas de um edifício que desabou após os fortes terremotos na Venezuela. Eles gritam "Jonathan!", e Bárbara Palacios começa a tremer: é o nome de seu marido, que está preso sob os escombros.

Tamanho do texto:

"É aqui, é aqui! Obrigada, meu Deus!", exclama Palacios, de 34 anos, olhando para o céu. Jonathan Suárez, um vendedor de 36 anos, ficou preso entre os destroços de uma loja de bebidas localizada em um pequeno hotel de cinco andares, no balneário de La Guaira, que desapareceu do mapa após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela.

"Foi tudo abaixo, ele tentou sair, mas não teve tempo", conta, ainda profundamente abalada.

A adrenalina toma conta dela, enquanto as lágrimas escorrem pelo rosto. "Sim, ele está vivo, sim", consegue dizer, trêmula e esperançosa.

Mas o tempo passa. Já se passaram quase 72 horas, e os socorristas já não conseguem mais ouvi-lo.

Palacios ainda não consegue aceitar a situação. Não quer acreditar que Jonathan entrará para a estatística de mais de 1.400 mortos da tragédia.

- "Só com a força das mãos" -

A equipe de resgate demorou a chegar, como aconteceu em muitos pontos de La Guaira, o marco zero do desastre, tomado por um forte odor de decomposição que encobriu seu característico cheiro de maresia.

As pessoas tentaram remover os escombros com as próprias mãos enquanto esperavam por uma ajuda que não chegava. Uma história que se repetiu ao longo desta tragédia.

"Eles simplesmente passavam direto", recorda, indignada, Palacios, que decidiu bloquear a principal via de acesso juntamente com familiares de pelo menos outras cinco pessoas que também estavam presas sob os escombros.

O caos acabou obrigando a Defesa Civil, os bombeiros e alguns voluntários a concentrarem esforços naquele edifício desabado.

Enquanto a operação avança, Palacios toma pequenos goles de água e caminha inquieta diante da estrutura destruída. Os escombros passam de mão em mão por uma corrente humana formada por dezenas de voluntários.

Luis Flores pega um balde cheio de pedaços de piso, pedras e poeira e o despeja ao lado. "É muito duro. Estamos fazendo isso apenas com a força das mãos", lamenta o comerciante de 54 anos.

"Já retiramos quatro pessoas com vida, entre elas uma menina. E três mortos", relata, como se repetisse uma oração.

Um gerador fornece energia a uma esmerilhadeira desgastada, enquanto um cilindro de oxigênio e outro de gás combustível alimentam um maçarico que abre caminho entre vigas, estruturas de aço e vergalhões.

"O governo não estava preparado para enfrentar um desastre como este", afirma Jesús, um voluntário que prefere não revelar o sobrenome.

- "Incrédula" -

Uma retroescavadeira chega por volta das cinco da tarde.

"Finalmente chegou uma máquina!", comemoram alguns, entre aplausos.

Em poucos minutos, a máquina abre grandes brechas que a força humana levou horas para conseguir romper.

Palacios não quer sair dali. Continua caminhando, nervosa, diante das ruínas onde os brigadistas ouviram a voz de seu marido.

"Eu não vou sair daqui até tirarem meu marido", afirma.

Ela não tem mais uma casa para onde voltar. Sua residência também foi destruída pelos terremotos. Um parente lhe ofereceu abrigo.

O sol está prestes a se pôr quando 25 integrantes do Exército do México chegam ao local com cães treinados para operações de resgate, como parte das diversas equipes internacionais que desembarcaram no país desde a véspera.

Dois cães farejadores sobem e descem várias vezes pelos escombros, farejam, mas não encontram nenhum sinal.

Os militares exigem silêncio, em tom firme, às centenas de pessoas atraídas pela chegada da retroescavadeira. A tarefa é difícil: as buzinas de um enxame de motociclistas que transportam água e doações não param de soar.

"Tem alguém aí? Grite ou faça algum barulho! Agora!", grita um oficial para o vazio.

Três militares avançam em formação, com passos firmes sobre a estrutura irregular. Em seguida, se inclinam e aproximam os ouvidos dos escombros.

Seis horas depois dos primeiros sons, nada.

A noite inteira foi dedicada à retirada dos escombros, ainda sem qualquer sinal de Jonathan. Quase 72 horas se passaram, e as buscas continuam enquanto o silêncio prevalece.

Bárbara está "em estado de choque", explica sua irmã, Alix Palacios, de 37 anos. Ela parece "ainda incapaz de acreditar e de assimilar a realidade".

Ch.Siegenthaler--NZN