Zürcher Nachrichten - Esperança de encontrar sobreviventes dos terremotos na Venezuela diminui

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Esperança de encontrar sobreviventes dos terremotos na Venezuela diminui

Esperança de encontrar sobreviventes dos terremotos na Venezuela diminui

A esperança de encontrar sobreviventes diminui nesta segunda-feira (29) na Venezuela, onde cresce a frustração com a resposta do governo aos dois terremotos que deixaram pelo menos 1.450 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.

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La Guaira, a área mais afetada, a 40 km de Caracas, parece uma zona de guerra. Prédios desabaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros.

Imagens de drone da AFPTV mostram colunas de fumaça sobre os escombros, com bairros inteiros destruídos.

O 'terremoto duplo' aconteceu na quarta-feira às 18h06 locais (19h06 de Brasília) e provocou o desabamento de quase 800 edifícios, 189 deles totalmente, em um país que enfrenta uma grave crise política e econômica.

Com 7,2 e 7,5 graus de magnitude, com um intervalo de poucos segundos, os tremores estão entre os mais fortes e devastadores já registrados na América Latina.

A janela de tempo crítica de 72 horas para resgatar sobreviventes sob os escombros terminou. Especialistas acreditam que, após o prazo, a tarefa se transforma basicamente na recuperação de cadáveres.

"Todos dizem que não há mais ninguém, mas nós (continuamos) esperando aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém", declarou Eduardo Cardozo, um trabalhador rural que viajou para ajudar nos trabalhos de resgate em Tucacas, na costa, quase 200 km ao leste de Caracas.

"O mais difícil era quando sentíamos esperança nos túneis onde entrávamos, rastejando, tirando escombros, fazendo um trabalho de coração, com muita fé, e quando chegávamos aos objetivos (as pessoas), as encontrávamos sem vida", contou Luis Salas, outro voluntário, de 27 anos.

Em meio à tragédia, surgiu uma luz de esperança: um homem e seu filho adolescente foram resgatados no domingo em La Guaira, segundo correspondentes da AFP.

Socorristas de 24 países trabalham sem cessar, enquanto helicópteros e aeronaves americanas Osprey V-22 sobrevoam a região.

Mas a população não esconde a revolta com a ajuda insuficiente e lenta do governo.

"Nós mesmos é que fazemos tudo. Nós mesmos nos ajudamos e, confiando em Deus, acreditamos que Deus nos ajudou", declarou à AFP Dayana Lean, de 51 anos, na praia Los Cocos, em La Guaira.

"Há poucos espaços habilitados como abrigos pela quantidade de pessoas que estão nas ruas", disse Yelit Contreras, de 28 anos.

- "Sabemos que estão mortos" -

"Não temos o apoio para tirar nossos familiares, nós mesmos não conseguimos", disse Héctor Aguilera, de 60 anos, à AFP. Quatro de seus familiares ficaram soterrados sob um prédio que desabou. Foram recuperados dois corpos sem vida.

"Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades", acrescentou. "Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças".

O balanço oficial mais recente é de 1.450 mortos, 20 a mais que no sábado, e 3.150 feridos. O governo evita falar de desaparecidos, um número que as Nações Unidas calcula em mais de 50 mil.

- - "Permissão para salvar vidas" -

La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10 mil mortos.

Imagens aéreas realizadas pela AFP mostram o novo nível de destruição. Prédios transformados em uma espécie de mil-folhas e os que permaneceram de pé estão sem paredes, rachados, inabitáveis.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse que 189 edifícios sofreram um colapso total e que o total de imóveis afetados é de 774.

A ONU calcula que os terremotos podem deixar quase sete milhões de afetados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (cerca de 34,6 bilhões de reais), 6% do PIB do país petrolífero.

O governo militarizou La Guaira e impôs a exigência de uma permissão para que socorristas, médicos e voluntários possam acessar a região do desastre.

"Uma permissão para salvar vidas, imagina só", reclamou Carlos Itriago, socorrista de 27 anos.

Também tenta controlar a cobertura da imprensa internacional. A imprensa é levada de ônibus a determinadas áreas de La Guaira, segundo o governo, para evitar epidemias.

As ofertas de ajuda se multiplicam, mas a AFP presenciou saques em La Guaira, e as denúncias de roubos continuam aumentando.

Farmácias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais foram saqueados, relataram moradores. Muitos reclamaram da inação do governo.

O aeroporto internacional que atende Caracas reabriu parcialmente no sábado e recebe, desde então, voos de carga com ajuda dos Estados Unidos

O Exército dos Estados Unidos também enviou várias aeronaves e helicópteros para ajudar nos trabalhos de resgate. Militares entregaram suprimentos no porto de La Guaira no domingo, informou o Comando Sul.

A crise econômica na Venezuela afetou gravemente os hospitais e os serviços públicos. Milhões de venezuelanos partiram para o exílio nos últimos anos.

A líder da oposição, María Corina Machado, afirmou no domingo ao canal americano Fox que retornará à Venezuela "muito em breve". "Chegou a hora, é meu dever estar ao lado do meu povo", declarou.

S.Scheidegger--NZN