Zürcher Nachrichten - Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

EUR -
AED 4.180733
AFN 71.709282
ALL 91.571409
AMD 413.681787
ANG 2.037864
AOA 1044.903172
ARS 1725.281725
AUD 1.616358
AWG 2.048831
AZN 1.932494
BAM 1.949761
BBD 2.29221
BDT 139.926572
BGN 1.916159
BHD 0.429059
BIF 3414.717787
BMD 1.138239
BND 1.454208
BOB 12.369424
BRL 5.883102
BSD 1.13808
BTN 108.904621
BWP 15.47491
BYN 3.445941
BYR 22309.489539
BZD 2.28892
CAD 1.604746
CDF 2629.332313
CHF 0.939028
CLF 0.02777
CLP 1096.500629
CNY 7.639122
CNH 7.639327
COP 3746.275501
CRC 516.402692
CUC 1.138239
CUP 30.16334
CVE 110.693938
CZK 24.405213
DJF 202.287485
DKK 7.477049
DOP 67.668425
DZD 152.473973
EGP 58.515293
ERN 17.073589
ETB 183.256357
FJD 2.560753
FKP 0.854281
GBP 0.8592
GEL 2.976487
GGP 0.854281
GHS 13.186553
GIP 0.854281
GMD 84.229622
GNF 9959.593343
GTQ 8.687168
GYD 238.104554
HKD 8.928125
HNL 30.635684
HRK 7.534691
HTG 148.749244
HUF 365.375102
IDR 20326.27836
ILS 3.453339
IMP 0.854281
INR 109.122144
IQD 1491.662553
IRR 1564595.233755
ISK 138.011239
JEP 0.854281
JMD 179.316137
JOD 0.806978
JPY 180.192354
KES 147.36771
KGS 99.538792
KHR 4618.409033
KMF 492.857273
KPW 1024.415698
KRW 1555.028027
KWD 0.352012
KYD 0.948391
KZT 506.084607
LAK 25525.015756
LBP 101929.326015
LKR 374.430189
LRD 196.716167
LSL 18.621342
LTL 3.360925
LVL 0.688509
LYD 7.256264
MAD 10.92795
MDL 20.142105
MGA 5008.252716
MKD 61.330028
MMK 2389.82139
MNT 4095.29786
MOP 9.193636
MRU 45.598
MUR 54.498985
MVR 17.585767
MWK 1977.121465
MXN 19.944911
MYR 4.643707
MZN 72.744643
NAD 18.621139
NGN 1508.690482
NIO 41.728113
NOK 10.796939
NPR 174.247029
NZD 2.005282
OMR 0.437632
PAB 1.13808
PEN 3.844401
PGK 5.063456
PHP 71.493183
PKR 315.917893
PLN 4.37097
PYG 6745.106785
QAR 4.146592
RON 5.275854
RSD 117.560753
RUB 96.502703
RWF 1676.626433
SAR 4.274166
SBD 9.106497
SCR 15.740256
SDG 684.651911
SEK 11.300496
SGD 1.457173
SHP 0.859373
SLE 28.057104
SLL 23868.298967
SOS 650.5037
SRD 43.051054
STD 23559.254631
STN 24.671336
SVC 9.958198
SYP 14799.387176
SZL 18.620964
THB 38.039803
TJS 10.532966
TMT 3.99522
TND 3.356097
TOP 2.740607
TRY 55.576353
TTD 7.735074
TWD 36.236077
TZS 3016.331787
UAH 51.082319
UGX 4427.305706
USD 1.138239
UYU 45.619094
UZS 13473.900913
VES 970.270945
VND 29606.172329
VUV 134.70877
WST 3.133034
XAF 655.957
XAG 0.017662
XAU 0.000265
XCD 3.076149
XCG 2.051056
XDR 0.804794
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 269.364113
ZAR 18.627405
ZMK 10245.519969
ZMW 22.164539
ZWL 366.512578
SSP 6502.294799
MXV 2.260481
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense / foto: Joseph Eid - AFP/Arquivos

Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

Uma investigação da Agence France-Presse sobre o bombardeio no sul do Líbano em 13 de outubro, que matou um cinegrafista da Reuters e feriu outros seis jornalistas, incluindo dois da AFP, aponta para um projétil de tanque usado exclusivamente pelo Exército israelense nessa região de alta tensão na fronteira.

Tamanho do texto:

Dois disparos atingiram sucessivamente o grupo de jornalistas enquanto trabalhavam perto da vila fronteiriça de Alma al-Shaab, em uma área onde o Exército israelense e grupos armados libaneses e palestinos se envolvem em confrontos quase diários.

Issam Abdallah, de 37 anos, morreu instantaneamente. Os outros jornalistas presentes, dois da Reuters, dois da Al Jazeera e dois da AFP, ficaram feridos. A fotógrafa da AFP, Christina Assi, de 28 anos, ficou gravemente ferida, teve uma perna amputada e segue hospitalizada.

A AFP conduziu uma investigação de sete semanas em colaboração com a Airwars, uma ONG que investiga incidentes a civis em situações de conflito, com base em evidências de análise de munições especializadas, imagens de satélite, testemunhos e imagens de vídeo feitas antes e durante o bombardeio.

As evidências apontam para um projétil de tanque israelense de 120 mm com estabilização por aletas, usado apenas pelo Exército israelense na região de alta tensão na fronteira.

A investigação indica que os disparos vieram do sudeste em relação à posição dos jornalistas, perto da cidade israelense de Jordeikh, onde tanques israelenses estavam operando.

A natureza dos disparos e a falta de atividade militar nas proximidades dos jornalistas, combinadas com os recursos de vigilância aérea israelenses, indicam que foi um bombardeio deliberado e direcionado.

Essas descobertas são apoiadas por investigações separadas realizadas pelos grupos de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional.

Outra investigação, da Reuters, também publicada nesta quinta-feira, conclui igualmente que os disparos foram lançados de um tanque israelense.

A HRW concluiu que os disparos foram "aparentemente deliberados contra civis, o que constitui um crime de guerra" e que "devem ser processados por crimes de guerra". A Anistia disse que o incidente foi "provavelmente um ataque direto a civis que deve ser investigado como um crime de guerra".

Após o bombardeio, um porta-voz militar israelense disse que "lamentamos muito pela morte do jornalista", acrescentando que Israel estava "investigando" o incidente, sem assumir a responsabilidade.

O Diretor de Informação da AFP, Phil Chetwynd, afirmou que é "absolutamente fundamental ter respostas de Israel".

"Assim que ocorreu este incidente, pedimos a Israel que conduzisse uma investigação aprofundada para descobrir exatamente o que tinha acontecido. Dois meses depois, ainda estamos à espera de respostas", afirmou.

"A AFP deixou muito claro que iremos buscar todas as vias judiciais que considerarmos relevantes e possíveis para garantir que possamos obter justiça para Christina e Issam", insistiu Chetwynd.

- Os disparos -

Dois disparos em sucessão atingiram o grupo de jornalistas às 18h02 enquanto estavam posicionados acima de Alma al-Shaab, uma vila localizada a cerca de um quilômetro da "Linha Azul", a linha de demarcação monitorada pela ONU entre o Líbano e Israel.

O Hezbollah libanês e braços locais dos movimentos palestinos Hamas e Jihad Islâmica vinham trocando disparos com Israel quase diariamente na fronteira desde os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro.

Mais de 110 pessoas morreram no lado libanês, principalmente combatentes do Hezbollah, além de mais de uma dúzia de civis, segundo um balanço da AFP.

Israel afirma que seis de seus soldados morreram.

Os sete jornalistas estiveram no local por cerca de uma hora antes de serem atingidos, posicionados no topo de uma pequena colina que oferecia uma ampla visão para filmar os bombardeios israelenses, que se intensificaram naquela tarde.

O Exército israelense confirmou que estava realizando disparos de artilharia em resposta a uma tentativa de infiltração.

Os jornalistas da Al Jazeera, Carmen Joukhadar e Elie Brakhya, foram os primeiros a chegar, seguidos por Dylan Collins e Christina Assi, da AFP, e os correspondentes da Reuters, Issam Abdallah, Thaer Al-Sudani e Maher Nazeh.

Todos estavam equipados com capacetes e coletes à prova de balas, identificados com a palavra "Press" (Imprensa, em inglês), e estavam atrás de câmeras posicionadas sobre tripés, como mostrado em um vídeo filmado por Assi e publicado em seu Instagram pouco depois das 17h00.

"Eu estava ao vivo para informar sobre o bombardeio israelense e tinha acabado de comentar que não havia lançamento de foguetes do lado libanês. Estávamos todos no topo de uma colina em uma área a céu aberto, sem qualquer foguete ou local militar perto de nós. Não havia nada perto de nós", afirmou Joukhadar, da Al Jazeera.

O primeiro disparo aconteceu às 18h02, matando Abdallah instantaneamente e ferindo gravemente Assi. Nas imagens do vídeo, é possível ouvir a jornalista gritando: "O que aconteceu? O que aconteceu? Não consigo sentir minhas pernas".

"Gastamos cerca de uma hora filmando uma coluna distante de fumaça ao sul e alguns disparos limitados de artilharia israelense ao longo das colinas a sudeste. Pouco antes das 18h, viramos nossas câmeras para o oeste e, de repente, fomos atingidos. Veio do nada", disse Collins.

"Estávamos em uma área exposta, todos usando nossos capacetes, nossos coletes, apenas fazendo nosso trabalho. Estávamos mantendo uma distância segura da linha de frente", disse Assi. "De repente, tudo ficou branco... E eu perdi a sensação nas pernas, e comecei a pedir ajuda."

Collins tentou dar os primeiros socorros, mas 37 segundos depois, ocorreu um segundo disparo, que atingiu o carro da Al Jazeera localizado a poucos metros de distância. Collins, que estava tentando colocar torniquetes nas pernas de Assi, ficou ferido.

Todas as testemunhas presentes insistem em que não havia atividade militar ou disparos de artilharia nas proximidades.

O veículo da Al Jazeera atingido pelo segundo disparo foi destruído pelo impacto. O corpo de Abdallah, que foi atingido diretamente pelo primeiro bombardeio, foi arremessado para um campo do outro lado de um muro de pedra perto do qual ele estava.

- Projétil de tanque israelense -

Um grande fragmento de munição foi filmado perto do corpo de Abdallah imediatamente após o disparo. No dia seguinte, um morador, que pediu anonimato, recuperou o fragmento e tirou fotos do local.

A pedido da AFP e da Airwars, o fragmento foi analisado por seis especialistas em armas, incluindo ex-oficiais do Exército britânico e investigadores experientes de zonas de conflito.

Todos concordam que era parte de um projétil de tanque de 120 mm com estabilização por aletas, tipicamente usado pelo Exército israelense em seus tanques Merkava. Nenhum outro grupo militar ou organização na região usa esse tipo de munição, afirmaram os analistas.

"Estes são os restos de um projétil de tanque, claramente de um tanque Merkava", disse um dos especialistas, Chris Cobb-Smith, consultor de segurança e ex-oficial de artilharia do Exército britânico.

"É bastante óbvio para mim porque você pode ver as ranhuras no próprio projétil, o que indica que vem da família de munições com estabilização por aletas. Quando disparadas, algumas aletas saltam da parte traseira do projétil para estabilizá-lo em voo, o que o torna muito mais preciso e aumenta seu alcance", acrescentou Cobb-Smith, que tem experiência com esse tipo de munição, incluindo fragmentos encontrados durante as guerras de 2008 e 2012 em Gaza.

Investigações independentes da HRW e da Anistia Internacional também apontaram para o uso de um projétil de tanque de 120 mm de origem israelense.

A Justiça libanesa possui outros fragmentos do local e abriu uma investigação para determinar as circunstâncias exatas dos disparos.

Suas conclusões ainda não foram divulgadas, mas uma fonte judicial e duas fontes militares libanesas disseram à AFP que elas demonstraram que o primeiro disparo foi causado por tanques israelenses, sem dar mais detalhes.

- Posição israelense -

A investigação identificou pelo menos duas posições israelenses de onde os projéteis foram disparados naquela tarde. De acordo com especialistas que falaram com a AFP e a Airwars, a origem mais provável dos disparos aos jornalistas foi uma posição a sudeste, perto da cidade israelense de Jordeikh.

No momento do bombardeio, os jornalistas tinham suas câmeras apontadas a sudoeste, em direção a uma base perto da cidade israelense de Hanita, e suas filmagens não capturam o projétil que os atingiu.

Eles foram atingidos pelo lado, não pela frente, como indicado pela orientação dos destroços do muro perto de Abdallah, que se espalhou de leste a oeste por cerca de 10 metros.

Imagens anteriores indicam uma posição israelense perto de Jordeikh. Cerca de 45 minutos antes, a câmera da AFP estava apontando nesta direção e capturou o som de pelo menos um disparo, seguido por uma coluna de fumaça que subia neste local.

Imagens de satélite daquele dia e do dia seguinte, às quais a AFP teve acesso, mostram a presença de veículos com as mesmas dimensões de um tanque Merkava muito perto de Jordeikh.

- Disparos direcionados -

Os especialistas concordam em que os dois disparos ocorreram com 37 segundos de intervalo, atingindo seus alvos apenas quatro ou cinco metros um do outro, o que exclui a possibilidade de um bombardeio acidental. Eles acreditam que os disparos foram deliberadamente direcionados para o mesmo alvo.

"Qualquer pessoa que sugira que isso foi um acidente ou engano teria muita dificuldade para convencer", disse um ex-oficial militar europeu que trabalha há décadas em análise de munições.

"Um projétil claramente atingiu diretamente o cinegrafista, e o segundo projétil atingiu o veículo. Então, acho que podemos descartar (a ideia) de que tenha sido de alguma forma um disparo aleatório ou ao acaso", acrescentou Cobb-Smith. "Na minha avaliação, essas pessoas eram os alvos."

A investigação buscou determinar se os jornalistas poderiam ter sido confundidos com combatentes de algum dos grupos armados ativos na região.

O especialista Cobb-Smith disse que isso era improvável dadas "a sofisticação e as capacidades dos ativos de vigilância do Exército israelense".

Os jornalistas "não estavam agindo de maneira militar", acrescentou. "Estavam em local aberto, com câmeras em tripés, trabalhando abertamente, então é preciso questionar por que foram atingidos com um armamento dessa capacidade."

A investigação da Anistia descobriu que os jornalistas tomaram todas as precauções necessárias para se identificarem.

"O Exército israelense sabia ou deveria saber que os sete indivíduos eram jornalistas, e ainda assim os atacaram não uma, mas duas vezes, portanto, a Anistia está dizendo que isso é provavelmente um bombardeio direto contra civis e deve ser investigado como um crime de guerra", afirmou à AFP Aya Majzoub, diretora regional adjunta da Anistia para o Oriente Médio.

A investigação da AFP não conseguiu determinar qual unidade militar estava envolvida ou qual nível de comando deu a ordem de atirar. A investigação não especulou sobre possíveis motivações que poderiam ter levado o Exército israelense a disparar deliberadamente contra um grupo de jornalistas.

Vários incidentes semelhantes ocorreram na região nas últimas semanas, à medida que jornalistas transmitiam ao vivo os confrontos com Israel.

Em 9 de outubro, um bombardeio atingiu um local a poucos metros de uma equipe da Al Jazeera em Marwahin, outra cidade na fronteira do sul do Líbano.

Um jornalista do canal catariano ficou ferido em 13 de novembro por disparos israelenses enquanto ele e outros correspondentes cobriam os bombardeios no sul do Líbano, perto de carros marcados com a inscrição "Press" (Imprensa, em inglês), segundo a mídia estatal libanesa, um prefeito local e os próprios jornalistas.

Em 21 de novembro, dois jornalistas do canal pró-iraniano Al Mayadeen foram mortos juntamente com um civil por disparos israelenses no sul do Líbano, segundo a mídia oficial libanesa.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, expressou "forte condenação" ao "ataque", afirmando que o "objetivo de Israel é silenciar a mídia que expõe seus crimes e ataques".

A Al Jazeera afirmou que "condena veementemente" o que chamou de "alvejamento deliberado de jornalistas no sul do Líbano por forças israelenses". O canal instou o Tribunal Penal Internacional a "responsabilizar Israel e seu exército por esses crimes hediondos".

Um porta-voz da Reuters disse que era "chocante que um grupo de jornalistas claramente identificados pudesse ser atingido por disparos dessa maneira".

A agência de notícias reiterou seu apelo aos israelenses para conduzirem sua própria investigação. "Já se passaram quase dois meses desde que pedimos que investigassem, e não ouvimos nada desde então."

"Praticamente o mesmo número de jornalistas morreu nos últimos dois meses quanto nos 20 anos de conflito no Afeganistão", lembrou Phil Chetwynd, diretor de Informação da AFP. "Não podemos permitir o desenvolvimento de uma cultura de impunidade e é absolutamente essencial que nos unamos como indústria para garantir que algo seja feito a respeito".

Até 7 de dezembro, o Comitê para Proteção de Jornalistas afirmou que "pelo menos 63 jornalistas e profissionais de mídia" foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, em 7 de outubro.

R.Schmid--NZN