Zürcher Nachrichten - Mossul recupera sua identidade com reconstrução de minarete icônico

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Mossul recupera sua identidade com reconstrução de minarete icônico
Mossul recupera sua identidade com reconstrução de minarete icônico / foto: Zaid AL-OBEIDI - AFP

Mossul recupera sua identidade com reconstrução de minarete icônico

O emblemático minarete Al Hadba voltou a brilhar em Mossul, um símbolo da proteção do patrimônio iraquiano, após ter sido destruído durante os combates contra os extremistas do grupo Estado Islâmico, que fizeram da cidade sua fortaleza.

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O minarete faz parte da histórica mesquita Al Nuri, onde o ex-líder do grupo EI, Abu Bakr al Baghdadi, proclamou seu "califado" em julho de 2024, mergulhando grandes partes do Iraque e da Síria no horror.

Al Hadba e Al Nuri são alguns dos monumentos restaurados com o apoio da Unesco, que há cinco anos trabalha na reabilitação do patrimônio desta grande cidade do norte do Iraque.

O minarete Al Hadba, apelidado de "a corcunda", "é uma cópia exata do que era, construído com os mesmos tijolos", afirma Abdallah Mahmud, do departamento de antiguidades iraquiano.

"Al Hadba é nossa identidade. Restaurá-lo foi devolver a identidade à cidade", destaca.

Sua inclinação de 160 cm foi preservada, exatamente como na década de 1960. Mas suas fundações foram reforçadas para evitar o afundamento progressivo observado desde sua construção, no século XII.

"O interior precisou de 96.000 tijolos novos, mas reutilizamos 26.000 antigos para o exterior", explica Mahmud.

Dois dias antes da conclusão da obra, centenas de operários continuavam trabalhando ao redor da mesquita Al Nuri, dando os últimos retoques em colunas, cúpula e pátio.

O mihrab, nicho que indica a direção de Meca aos fiéis, foi restaurado em grande parte com suas pedras originais, mas o minbar, de onde o imã faz seu sermão, perdeu a maioria de seus componentes originais.

- Devolver a vida -

Imad Zaki, antigo muezim da mesquita, acompanha os avanços das obras diariamente. "Hoje, sente-se a espiritualidade. É como se nossas almas finalmente encontrassem a paz", comenta o homem de 52 anos.

Destruídos em junho de 2017, durante a batalha contra o EI, a mesquita e o minarete foram dinamitados antes da retirada dos jihadistas, segundo as autoridades iraquianas.

A cidade antiga de Mossul ficou destruída em 80% e mais de 12.000 toneladas de escombros foram retirados dos principais sítios do projeto de reabilitação da Unesco, que inclui as igrejas de Al Tahira e Nossa Senhora da Hora, assim como 124 casas históricas.

A igreja de Al Tahira, inaugurada em 1862, recuperou seus arcos, pilares esculpidos e vitrais coloridos.

Durante sua restauração, os operários descobriram uma adega subterrânea e grandes ânforas que eram usadas antigamente para a conservação do vinho. Agora, um teto de vidro permite aos visitantes observarem o interior.

O objetivo do projeto é restaurar os monumentos emblemáticos "e devolver a vida" a Mossul, explica María Acetoso, chefe do projeto do escritório da Unesco no Iraque.

Mossul "parecia uma cidade fantasma quando cheguei em 2019. Cinco anos depois, a mudança é enorme", confirma.

- Seguros -

Os sítios restaurados serão inaugurados pelas autoridades iraquianas nas próximas semanas.

Mas embora a vida tenha voltado aos cafés e às ruas, a cidade ainda tem as marcas dos combates. Em casas em ruínas pode-se ler a inscrição "segura", indicando que foram desminadas.

Mas as janelas quebradas e as paredes rachadas são testemunhas do exílio de seus proprietários, especialmente os cristãos, que não retornaram.

Mohamed Kasem, de 59 anos, reconstruiu seu lar. Mossul "precisa de muito" para voltar a ser o que era, ressalta. A cidade "precisa que os cristãos retornem", ressalta.

Em frente à mesquita Al Nuri, Sad Mohamed, de 65 anos, também espera a volta dos visitantes.

Apesar da nostalgia pelo que foi perdido, um sorriso ilumina seu rosto ao ver o minarete.

"Um dia abrimos a janela e vimos a bandeira preta do EI sobre Al Hadba", lembra. "Hoje, o minarete se ergue novamente junto à mesquita e às igrejas. Agora, nos sentimos seguros", confessa.

A.Ferraro--NZN