Zürcher Nachrichten - A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale

EUR -
AED 4.246478
AFN 76.888523
ALL 93.48757
AMD 423.347546
AOA 1061.345207
ARS 1733.058686
AUD 1.635994
AWG 2.082513
AZN 1.970043
BAM 1.961414
BBD 2.328364
BDT 143.103908
BHD 0.435989
BIF 3453.99514
BMD 1.156149
BND 1.48134
BOB 13.739681
BRL 5.892665
BSD 1.156009
BTN 110.002458
BWP 15.603659
BYN 3.442252
BYR 22660.520413
BZD 2.324924
CAD 1.611493
CDF 2615.791646
CHF 0.933942
CLF 0.026753
CLP 1056.362238
CNY 7.801236
CNH 7.796982
COP 3648.921861
CRC 525.515435
CUC 1.156149
CUP 30.637949
CVE 110.647961
CZK 24.266354
DJF 205.471255
DKK 7.476127
DOP 67.346134
DZD 153.688915
EGP 57.556612
ERN 17.342235
ETB 186.583498
FJD 2.553413
FKP 0.859298
GBP 0.856793
GEL 3.023376
GGP 0.859298
GHS 13.596763
GIP 0.859298
GMD 84.981404
GNF 10145.207892
GTQ 8.820244
GYD 241.852202
HKD 9.070596
HNL 30.984681
HRK 7.533703
HTG 151.152612
HUF 363.337748
IDR 20582.920659
ILS 3.468274
IMP 0.859298
INR 110.065674
IQD 1514.334158
IRR 1590340.758301
ISK 142.611425
JEP 0.859298
JMD 183.585438
JOD 0.819755
JPY 182.105612
KES 147.605987
KGS 101.105674
KHR 4685.298214
KMF 492.519879
KRW 1629.419037
KWD 0.356776
KYD 0.963357
KZT 541.790653
LAK 26108.739178
LBP 103533.143415
LKR 387.749774
LRD 209.899292
LSL 18.780552
LTL 3.413808
LVL 0.699343
LYD 7.358934
MAD 10.774363
MDL 20.102535
MGA 4933.054837
MKD 61.708483
MMK 2427.395773
MNT 4157.558143
MOP 9.341598
MRU 46.473418
MUR 54.420371
MVR 17.874501
MWK 2004.537163
MXN 19.809677
MYR 4.729001
MZN 73.883747
NAD 18.780552
NGN 1577.519501
NIO 42.541205
NOK 10.981266
NPR 176.003933
NZD 1.961655
OMR 0.444533
PAB 1.155994
PEN 3.915024
PGK 5.108776
PHP 70.28003
PKR 320.93685
PLN 4.299776
PYG 6873.88175
QAR 4.225923
RON 5.25054
RSD 117.323733
RUB 95.127146
RWF 1699.865164
SAR 4.370505
SBD 9.328213
SCR 16.756231
SDG 694.271725
SEK 10.952356
SGD 1.478142
SLE 28.445505
SOS 660.690956
SRD 43.779321
STD 23929.950059
STN 24.570322
SVC 10.115257
SZL 18.776741
THB 38.118659
TJS 10.664222
TMT 4.052302
TND 3.39612
TRY 55.147195
TTD 7.835596
TWD 37.302111
TZS 3060.902211
UAH 51.776356
UGX 4306.455826
USD 1.156149
UYU 46.534595
UZS 13825.989758
VES 871.980583
VND 30296.306488
VUV 137.59374
WST 3.154455
XAF 657.839796
XAG 0.018249
XAU 0.000266
XCD 3.124551
XCG 2.083463
XDR 0.818777
XOF 656.693016
XPF 119.331742
YER 273.834311
ZAR 18.677755
ZMK 10406.732529
ZMW 21.819165
ZWL 372.279507
A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale
A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale / foto: RALF HIRSCHBERGER - AFP

A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale

Após a sangrenta repressão das manifestações no Irã e diante das ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos, os filmes iranianos apresentados este ano na Berlinale ressoam com mais força do que em anos anteriores.

Tamanho do texto:

A repressão estatal é o fio condutor de "Roya", de Mahnaz Mohammadi, que explora o trauma de uma prisioneira política após sua passagem pela tristemente célebre prisão de Evin, em Teerã. A diretora sabe do que fala, já que esteve presa lá.

A sequência inicial é arrepiante. Filmada do ponto de vista de Roya, revela o tratamento degradante infligido pelos carcereiros.

Resistir à ideologia oficial faz de você um "inimigo" aos olhos das autoridades iranianas, explica Mohammadi à AFP.

Com seu filme, ela deseja mostrar como essa opressão deixa marcas nas vítimas. "Não fica no passado, muda sua vida e a sua percepção, muda tudo", insiste.

Como o nome Roya, que pode significar "sonho", muitas cenas de alucinações marcam o ritmo das imagens, ilustrando o descompasso psíquico e o trauma sofrido.

- Cápsula do tempo -

Em seu curta-metragem documental "Fruits of Despair (Frutos do desespero, em tradução livre), Nima Nassaj relata sua experiência durante a guerra dos 12 dias de junho de 2025 entre Israel e o Irã.

Como muitos habitantes de Teerã, ele encontrou refúgio com sua família em um vilarejo próximo à capital.

O filme é uma "cápsula do tempo" desses doze dias e de seu estado de espírito no período, que descreve como "devastado".

Assim como a protagonista de "Roya", as personagens de seu filme permanecem em silêncio. Apenas uma narração acompanha o espectador.

O diretor conta que se sentiu "totalmente isolado" nestes dias, inclusive das pessoas ao seu redor. "Quando você se depara com o medo da morte, com esse grau de incerteza, é muito difícil se comunicar", explica.

A narração é interrompida por frases projetadas em vermelho intenso na tela. Uma delas diz: "Estamos presos aos jogos de uma quadrilha de loucos".

"A cada ano há mais coisas deste tipo no mundo", observa Nassaj, para quem seu filme reflete a impotência das pessoas comuns diante de "momentos de crise" em um mundo cada vez mais imprevisível.

- Querem liberdade -

“Cesarean Weekend” parece menos abertamente político. Apresenta-se como uma descrição “intensa, selvagem e filosófica” da sociedade iraniana contemporânea.

Para seu criador, Mohammad Shirvani, “há uma diferença entre os diretores que reagem diretamente à República Islâmica e cineastas como eu, que falam da vida dos iranianos”, explicou à AFP por meio de um tradutor.

Seu objetivo é escapar à tendência, nas salas ocidentais, de oferecer uma “imagem orientalizada e exótica do Irã”.

O filme começa com uma festa em uma casa perto do Mar Cáspio, com jovens que bebem, fumam, se beijam e dançam.

“Cada iraniano, ao longo dos 47 anos da República Islâmica, aprendeu a levar uma vida dupla”, acrescenta o cineasta. Seu filme mostra ao público a “o estilo underground da juventude iraniana” de classe média.

A geração de Shirvani, nascido em 1973 — anos antes da Revolução Islâmica de 1979 —, teve de “adaptar-se como pôde e contornar as limitações”.

“Mas esta jovem geração não as suporta, quer se libertar”, insiste. Escolher um ambiente isolado, próximo da natureza, é uma maneira de conquistar mais “liberdade e espaço”, destaca.

Segundo várias ONGs, milhares de pessoas, em sua maioria civis, morreram durante os recentes distúrbios.

“Este tipo de massacre é algo sem precedentes na história iraniana”, declarou a atriz Maryam Palizban, intérprete em “Roya”. “Este regime não deveria mais existir”, acrescentou.

Apesar dos riscos, a cineasta Mahnaz Mohammadi afirma estar decidida a retornar ao Irã. Ela quer viver o suficiente para ver os iranianos “felizes e em paz”.

S.Scheidegger--NZN