Zürcher Nachrichten - Cientistas afirmam que criaram 'pseudoembriões' e geram controvérsias

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Cientistas afirmam que criaram 'pseudoembriões' e geram controvérsias
Cientistas afirmam que criaram 'pseudoembriões' e geram controvérsias / foto: AHMAD GHARABLI - AFP/Arquivos

Cientistas afirmam que criaram 'pseudoembriões' e geram controvérsias

Começou a corrida para criar embrioides, grupos de células que se assemelham a embriões, e vários laboratórios anunciam avanços decisivos nessa área, causando grandes controvérsias.

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Embrioides são massas celulares que imitam o funcionamento e o desenvolvimento de um embrião, ou seja, o primeiro estágio de desenvolvimento de um organismo multicelular.

A diferença é que, no caso dos embrioides, a fertilização não é necessária.

Nos últimos dias, várias equipes de pesquisadores anunciaram estudos provisórios (sem terem sido verificados por outros cientistas independentes) com material humano, o que levanta muitas questões éticas e legais, como aconteceu com a clonagem décadas atrás.

Embora às vezes referidos como "embriões de síntese", os embrioides são realmente incapazes de se desenvolver em um feto viável. Mas essas misturas celulares também não são totalmente sintéticas, porque são geradas a partir de células reais.

Para os cientistas, a utilidade dos embrioides é ajudar a entender os primeiros dias de um embrião humano, período ainda desconhecido.

Até agora, os especialistas usavam células animais, basicamente ratos, para fazer experimentos. Agora, esses estudos se dedicam à vida humana.

Duas equipes se destacam: a da pesquisadora Magdalena Zernicka-Goetz, do Reino Unido, e a do israelense Jacob Hanna.

Ambos já publicaram no ano passado, com algumas semanas de diferença, artigos científicos detalhando como conseguiram criar os primeiros embrioides de ratos.

Agora, a equipe de Zernicka-Goetz acaba de anunciar, em uma conferência em Boston na semana passada, que conseguiu criar as primeiras estruturas celulares a partir de material humano.

O israelense Hanna afirma que esses emaranhados de células não são suficientemente desenvolvidos e diferenciados para serem comparados a embrioides reais.

"A professora Zernicka-Goetz às vezes é uma grande cientista e devemos muitos avanços a ela, mas este caso em particular não é sério, cientificamente falando", disse Hanna à AFP.

Após esta declaração, a equipe liderada pelo cientista israelense publicou suas próprias pesquisas e defende que seus testes são avançados o suficiente para serem considerados embrioides humanos autênticos.

- Ausência de validação independente -

A disputa se espalhou para outras equipes de pesquisa, na China e nos Estados Unidos.

Mas todos esses estudos não foram revisados por cientistas independentes, processo conhecido em inglês como "peer to peer" (par a par, em tradução livre), essencial para sua validação acadêmica.

Alguns observadores atribuem a primazia da descoberta a Hanna, já que sua equipe, sempre de acordo com os dados provisórios publicados, não precisou modificar geneticamente as células humanas que utilizou, ao contrário da equipe de Zernicka-Goetz.

Alguns embrioides da equipe de Hanna parecem ter atingido um estágio evolutivo próximo a um organismo de 14 dias e "têm uma notável semelhança com um embrião natural", disse o pesquisador alemão Jesse Veenvliet em um comentário publicado pelo Science Media Center, no Reino Unido.

Outro cientista, Darius Widera, especialista em células-tronco da Universidade de Reading (Reino Unido), insiste em que devemos aguardar o processo de avaliação "peer to peer".

De qualquer forma, "o impacto de ambos os estudos é imenso", reconheceu em declarações à AFP.

O período de desenvolvimento de 14 dias é importante porque, segundo os biólogos, a partir dessa data os embriões humanos começam a formar órgãos, inclusive o cérebro.

É um período sobre o qual pouco se sabe.

O fato de os pesquisadores trabalharem com material orgânico, vivo, gera todo tipo de incerteza sobre a legalidade desses testes.

"Temos que agir com cuidado e de forma transparente", explicou James Briscoe, do instituto britânico Francis Crick.

"O perigo é que um erro, ou um anúncio inválido, assuste o grande público e as autoridades políticas", acrescentou.

A.Ferraro--NZN