Zürcher Nachrichten - Aço chinês, um grande problema que ameaça a indústria siderúrgica da América Latina

EUR -
AED 4.184829
AFN 71.778596
ALL 94.713473
AMD 419.412877
ANG 2.039871
AOA 1044.771654
ARS 1684.037898
AUD 1.65217
AWG 2.052229
AZN 1.941395
BAM 1.954275
BBD 2.295209
BDT 140.170644
BGN 1.926481
BHD 0.429577
BIF 3389.525002
BMD 1.139336
BND 1.47455
BOB 7.875167
BRL 5.89839
BSD 1.139611
BTN 106.961675
BWP 15.487597
BYN 3.305121
BYR 22330.988246
BZD 2.291872
CAD 1.617003
CDF 2583.449152
CHF 0.922361
CLF 0.026741
CLP 1052.462206
CNY 7.745378
CNH 7.752824
COP 3933.97956
CRC 517.396348
CUC 1.139336
CUP 30.192408
CVE 110.800888
CZK 24.27816
DJF 202.483266
DKK 7.480658
DOP 67.680991
DZD 151.951028
EGP 56.43136
ERN 17.090042
ETB 180.756124
FJD 2.576894
FKP 0.862156
GBP 0.863068
GEL 3.01359
GGP 0.862156
GHS 12.817976
GIP 0.862156
GMD 83.171943
GNF 10003.37167
GTQ 8.694217
GYD 238.503349
HKD 8.935643
HNL 30.443504
HRK 7.539903
HTG 148.9438
HUF 354.163079
IDR 20349.226973
ILS 3.420345
IMP 0.862156
INR 107.467926
IQD 1492.530337
IRR 1566872.020062
ISK 144.115067
JEP 0.862156
JMD 179.479977
JOD 0.807834
JPY 184.272854
KES 147.320493
KGS 99.635383
KHR 4571.590567
KMF 494.472282
KPW 1025.40292
KRW 1749.519432
KWD 0.35275
KYD 0.949701
KZT 552.928627
LAK 25139.452216
LBP 102027.551287
LKR 383.077949
LRD 207.644445
LSL 18.902021
LTL 3.364164
LVL 0.689173
LYD 7.297492
MAD 10.727424
MDL 20.206123
MGA 4813.695565
MKD 61.682975
MMK 2391.979433
MNT 4079.099526
MOP 9.205882
MRU 45.65363
MUR 54.380945
MVR 17.603174
MWK 1979.027259
MXN 19.943058
MYR 4.65765
MZN 72.807828
NAD 18.902016
NGN 1567.875065
NIO 41.711525
NOK 11.31707
NPR 171.141482
NZD 2.017953
OMR 0.438641
PAB 1.139661
PEN 3.898852
PGK 4.993996
PHP 69.855021
PKR 316.792839
PLN 4.291823
PYG 6955.543036
QAR 4.152924
RON 5.244483
RSD 117.477374
RUB 89.906115
RWF 1670.266774
SAR 4.278251
SBD 9.173881
SCR 14.7775
SDG 683.602068
SEK 11.094411
SGD 1.474647
SHP 0.850629
SLE 28.259714
SLL 23891.313258
SOS 651.134774
SRD 42.70578
STD 23581.957684
STN 25.065395
SVC 9.971177
SYP 125.933213
SZL 18.902007
THB 37.947303
TJS 10.547288
TMT 3.987676
TND 3.346804
TOP 2.743248
TRY 53.039861
TTD 7.744822
TWD 36.299026
TZS 2996.451799
UAH 51.151345
UGX 4182.626747
USD 1.139336
UYU 45.746318
UZS 13689.124042
VES 707.246307
VND 29964.540351
VUV 136.6644
WST 3.173617
XAF 655.445647
XAG 0.019435
XAU 0.00028
XCD 3.079113
XCG 2.053798
XDR 0.816281
XOF 652.839983
XPF 119.331742
YER 271.874128
ZAR 19.349192
ZMK 10255.396502
ZMW 20.528345
ZWL 366.865771
Aço chinês, um grande problema que ameaça a indústria siderúrgica da América Latina
Aço chinês, um grande problema que ameaça a indústria siderúrgica da América Latina / foto: GUILLERMO SALGADO - AFP

Aço chinês, um grande problema que ameaça a indústria siderúrgica da América Latina

Dez milhões de toneladas de aço chinês inundaram a América Latina no ano passado, um recorde que ameaça a siderurgia regional: "Fechar Huachipato seria uma bomba atômica", disse Carlos Ramírez, trabalhador da principal siderurgia chilena que está sofrendo com a forte concorrência da China.

Tamanho do texto:

Huachipato, em Talcahuano, 500 km ao sul de Santiago, anunciou a rápida suspensão das operações, sobrecarregada pela avalanche de aço chinês que toma os mercados e que é comercializado no Chile 40% mais barato que o aço local.

A medida, que inclui um pedido para que o governo imponha uma tarifa de 25% às importações de aço, ameaça 2.700 trabalhadores da companhia e outras 20.000 pessoas que dependem dela.

No Brasil, o maior produtor de aço da região, também há preocupação. No ano passado, as importações vindas da China cresceram 50% e a produção caiu 6,5%, segundo o Instituto Aço Brasil.

A Gerdau, uma das maiores siderúrgicas do país, já despediu 700 trabalhadores. Os últimos, em fevereiro, foram desligados da planta de Pindamonhangaba, em São Paulo, devido ao "cenário desafiador enfrentado pelo mercado brasileiro frente às condições predatórias de importação do aço chinês", comunicou a empresa, que não respondeu os contatos da AFP.

As siderúrgicas brasileiras também pedem uma tarifa de 25%, como a que o México impôs a 205 tipos de produtos feitos de aço, se alinhando às tarifas impostas pelos Estados Unidos, seu principal parceiro comercial.

O aço representa 1,4% do PIB mexicano e gera 700.000 empregos. 77,5% da exportação vão para os Estados Unidos, segundo dados oficiais.

- China "muito presente" -

Nas últimas duas décadas, a China aumentou sua participação no mercado mundial de aço de 15% para 54%, segundo a Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).

Na América Latina, as importações cresceram em 2023 a um recorde de 44%, superando as 10 milhões de toneladas. Duas décadas atrás, a China exportava apenas 85.000 toneladas de aço.

"A China está muito presente na América Latina", lamenta Alejandro Wagner, diretor-executivo da Alacero.

"Ninguém é contra o comércio entre países, mas sempre se fala de um comércio justo", acrescenta o executivo à AFP.

A preocupação pelo excesso de capacidade da siderurgia chinesa aumentou nos últimos anos, ante o menor dinamismo em seu setor de construção, que libera mais produtos para exportação.

Em uma visita recente à China, a secretária americana do Tesouro, Janet Yellen, expressou preocupação pelo "excesso" de produção chinesa e assegurou que os Estados Unidos "não aceitarão" que o mundo seja inundado de bens chineses vendidos abaixo do preço.

Em 2018, os Estados Unidos impuseram uma tarifa adicional de 25% ao aço chinês.

- Doloroso "terremoto social" -

Fechar Huachipato, do grupo privado CAP, desferiria um duro golpe em Talcachuano, um porto do sul do Chile do qual é principal sustento há 70 anos e onde cumpre um importante papel social.

De seu aço nasceu o clube de futebol "Huachipato", atual campeão chileno.

Ramíres é um trabalhador ligado a essa empresa desde criança. Primeiro, como jogador das divisões inferiores; depois como profissional e uma vez aposentado do esporte, como diretor de um dos sindicatos da empresa.

"O que estamos vivendo é muito doloroso", afirmou o homem de 56 anos, que viajou para Santiago ao lado de outros dirigentes para expor o "terremoto social" que se avizinha.

Em um último esforço para se manter competitiva - depois de perdas de 1 bilhão de dólares desde 2009 -, Huachipato solicitou à Comissão Antidistorsões chilena uma tarifa de 25% ao aço importado.

A Comissão encontrou "provas suficientes para apoiar a existência de dumping" - venda de um produto abaixo do custo - por parte da China e recomendou uma taxa de 15%, considerada "insuficiente" pela Huachipato.

"Não estamos pedindo subsídios ou salvaguardas. A Huachipato tem a capacidade de ser lucrativa em um ambiente competitivo", disse seu gerente, Jean Paul Sauré.

Para o governo do esquerdista Gabriel Boric, a Huachipato é uma empresa "estratégica". A Huachipato se especializou em insumos essenciais para a mineração: barras e esferas de aço para moagem de cobre, do qual o Chile é o maior produtor mundial.

Durante a pandemia, quando o comércio mundial foi interrompido, "foi a Huachipato que manteve o fornecimento de aço do país", disse à AFP o ministro da Economia, Nicolás Grau.

A decisão de impor medidas de proteção não é fácil. O Chile assinou um Tratado de Livre Comércio com a China em 2006, o que o expõe a possíveis retaliações comerciais.

Na América Latina, o aço gera 1,4 milhão de empregos, que são altamente especializados e difíceis de reconverter.

O impacto a curto prazo na região dependerá da adoção de medidas pela China para reduzir seu "excesso" de produção e, em nível local, de iniciativas destinadas a restringir a entrada de aço, disse à AFP José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

W.O.Ludwig--NZN