Zürcher Nachrichten - Trump joga com a relação com a China antes de encontro com 'brilhante' Xi

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Trump joga com a relação com a China antes de encontro com 'brilhante' Xi
Trump joga com a relação com a China antes de encontro com 'brilhante' Xi / foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS, SUO TAKEKUMA - AFP/Arquivos

Trump joga com a relação com a China antes de encontro com 'brilhante' Xi

Durante anos, poucas questões geraram tanto consenso nos Estados Unidos quanto a ideia de que a China é o adversário que Washington precisa enfrentar.

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Mas Donald Trump, como tem feito em outros temas, alterou muitas dessas suposições, ao mesmo tempo em que planeja se reunir com seu par chinês, Xi Jinping, na quinta-feira, na Coreia do Sul — o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde 2019.

Trump, que costuma se vangloriar de suas habilidades como negociador, usou palavras semelhantes para descrever suas relações com Xi e com o presidente russo, Vladimir Putin, com quem tem tentado, sem sucesso, chegar a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia.

Durante sua campanha eleitoral no ano passado, Trump elogiou Xi, chamando-o de um "cara brilhante".

"Ele comanda 1,4 bilhão de pessoas com punho de ferro... preparado, brilhante, tudo perfeito. Não há ninguém em Hollywood como esse cara", disse Trump à Fox News.

E voltou a destacar o poder de sua relação com Xi na semana passada, ao afirmar que a China não invadirá Taiwan, a ilha democrática autogovernada que Pequim reivindica.

O comércio tem sido o tema mais importante na agenda de Trump nas relações entre as duas maiores economias do mundo.

O volátil líder americano ameaçou impor tarifas à China e depois recuou. Ambas as partes indicaram que um acordo estaria próximo, após semanas de negociações em Kuala Lumpur.

Ryan Hass, que foi alto conselheiro para assuntos da China durante o governo de Barack Obama, disse que há uma desconexão entre o Trump que busca acordos e a burocracia americana ainda centrada em conter Pequim.

Ele também questionou se a China tem interesse em chegar a um acordo com Trump para destravar uma espécie de "era de ouro" de cooperação econômica.

"A China está interessada em si mesma e em empurrar os Estados Unidos para a periferia, não em ter Estados Unidos e China juntos no centro", disse Hass, pesquisador sênior do Brookings Institution.

A China poderia querer chegar a um acordo com Trump para "ganhar tempo, mas não acredito que seus interesses sejam favorecidos por concluir um acordo econômico abrangente com os Estados Unidos", acrescentou.

- Uma relação de caráter transacional -

Em 2019, Trump elogiou um acordo comercial com a China que classificou como histórico. Pelo pacto, Pequim deveria comprar 200 bilhões de dólares adicionais em exportações americanas.

O acordo fracassou, em parte, devido à pandemia de covid-19. Ao final de seu primeiro mandato (2017–2021), Trump atacou o que chamou de "vírus chinês".

Depois, Joe Biden assumiu o governo e aumentou a pressão sobre a China, com restrições à importação de tecnologias sensíveis, mas também buscou acordos em temas de interesse específico.

Yun Sun, pesquisadora sênior do Centro Stimson, disse que talvez a China não esteja buscando uma relação calorosa com Trump: "Os chineses têm um problema com o estilo dele, mas o veem como alguém com quem podem trabalhar", afirmou.

"Acredito que há um reconhecimento na China de que Trump tem sido muito cooperativo, ou pelo menos amistoso, em relação a muitas coisas sobre as quais o governo anterior não estava disposto a fazer concessões", acrescentou.

Ela citou a suposta recusa do governo Trump em permitir que o presidente taiwanês, Lai Ching-te, visitasse Nova York durante uma viagem à América Latina — o tipo de escala que antes era rotineiro.

- E Taiwan? -

Henrietta Levin, ex-funcionária do Departamento de Estado, disse conhecer bem a forma como cada potência apresentará suas posições sobre Taiwan — mas que isso não deve impedir o avanço das negociações.

A China há muito se opõe à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan e tem buscado que Trump declare explicitamente que Washington se opõe à independência taiwanesa.

No entanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse a jornalistas no sábado que os Estados Unidos não abandonarão Taiwan em troca de um acordo com a China.

R.Bernasconi--NZN