Zürcher Nachrichten - Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias

EUR -
AED 4.229821
AFN 74.864237
ALL 93.228828
AMD 421.085566
AOA 1056.160267
ARS 1720.733086
AUD 1.637784
AWG 2.076039
AZN 1.954916
BAM 1.955775
BBD 2.318931
BDT 142.528208
BHD 0.434189
BIF 3440.726871
BMD 1.151756
BND 1.477381
BOB 13.98346
BRL 5.846768
BSD 1.151366
BTN 109.880188
BWP 15.656803
BYN 3.393457
BYR 22574.408206
BZD 2.315671
CAD 1.619057
CDF 2605.270629
CHF 0.931862
CLF 0.026904
CLP 1062.322075
CNY 7.777342
CNH 7.775035
COP 3736.43312
CRC 522.084371
CUC 1.151756
CUP 30.521521
CVE 110.263614
CZK 24.202703
DJF 205.024752
DKK 7.475452
DOP 67.149156
DZD 153.146465
EGP 57.871799
ERN 17.276333
ETB 185.837664
FJD 2.548778
FKP 0.857335
GBP 0.856578
GEL 3.006302
GGP 0.857335
GHS 13.488479
GIP 0.857335
GMD 85.229454
GNF 10111.872879
GTQ 8.78189
GYD 241.04383
HKD 9.033562
HNL 30.861746
HRK 7.534208
HTG 150.536801
HUF 362.376716
IDR 20712.019529
ILS 3.484118
IMP 0.857335
INR 109.655937
IQD 1508.281039
IRR 1583951.78019
ISK 141.999677
JEP 0.857335
JMD 182.047711
JOD 0.816595
JPY 181.232211
KES 149.014032
KGS 100.721368
KHR 4660.900938
KMF 492.951678
KRW 1642.904407
KWD 0.356388
KYD 0.959467
KZT 542.391408
LAK 26041.672617
LBP 103089.392874
LKR 386.57514
LRD 207.822876
LSL 18.980961
LTL 3.400835
LVL 0.696685
LYD 7.334908
MAD 10.727965
MDL 20.154309
MGA 4902.938363
MKD 61.529226
MMK 2418.302526
MNT 4128.236531
MOP 9.301781
MRU 46.030421
MUR 54.17888
MVR 17.794357
MWK 1996.448901
MXN 19.912067
MYR 4.713674
MZN 73.578865
NAD 18.981044
NGN 1570.371947
NIO 42.369467
NOK 10.994201
NPR 175.81079
NZD 1.956723
OMR 0.442841
PAB 1.151386
PEN 3.895551
PGK 5.083936
PHP 70.025536
PKR 319.707481
PLN 4.306816
PYG 6864.943499
QAR 4.197165
RON 5.250796
RSD 117.352727
RUB 93.295072
RWF 1695.341888
SAR 4.314394
SBD 9.295999
SCR 15.438728
SDG 691.053528
SEK 10.992758
SGD 1.476953
SLE 28.160726
SOS 657.991728
SRD 43.543221
STD 23839.013893
STN 24.499267
SVC 10.074873
SZL 18.977597
THB 38.375353
TJS 10.627028
TMT 4.031144
TND 3.382357
TRY 54.772537
TTD 7.816902
TWD 37.32091
TZS 3055.023466
UAH 51.483653
UGX 4311.870919
USD 1.151756
UYU 46.389618
UZS 13747.827169
VES 861.341978
VND 30249.131118
VUV 137.224539
WST 3.146845
XAF 655.948754
XAG 0.019431
XAU 0.000283
XCD 3.112677
XCG 2.075074
XDR 0.816719
XOF 655.948754
XPF 119.331742
YER 274.582072
ZAR 18.940458
ZMK 10367.187916
ZMW 21.786321
ZWL 370.864808
Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias
Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias / foto: Joel Saget - AFP

Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias

A francesa Gisèle Pelicot publicará na próxima terça-feira suas memórias, nas quais escreve sobre os estupros cometidos por seu ex-marido e por dezenas de desconhecidos enquanto estava dopada, e sobre o julgamento histórico que a transformou em um ícone feminista mundial.

Tamanho do texto:

Estes são alguns dos temas abordados no livro "Um hino à vida", que estará à venda a partir de 17 de fevereiro em 22 idiomas.

- Incredulidade -

As memórias, escritas junto com a jornalista e romancista Judith Perrignon, começam em 2 de novembro de 2020, dia em que Gisèle e o marido, Dominique Pelicot, foram convocados à delegacia da localidade de Carpentras, perto de sua residência em Mazan, no sul da França.

Segundo trechos do livro publicados na terça-feira pelo jornal francês Le Monde, ao ser perguntada sobre o marido, Gisèle o descreve como "bondoso, atencioso. Um homem fantástico". Minutos depois, seu mundo desaba ao saber que, durante anos, foi estuprada por ele e por pelo menos 50 desconhecidos, depois de tê-la sedado.

Quando a polícia lhe mostra imagens dos crimes, ela não consegue acreditar. "Meu cérebro parou", escreve. "Eu não reconhecia os indivíduos. Nem aquela mulher. Tinha a bochecha tão flácida, a boca tão mole. Era como uma boneca de pano".

O livro alterna capítulos dedicados aos horríveis fatos que teve de suportar, tanto a nível pessoal, familiar e judicial, com em outros em que narra sua vida anterior e fala sobre sua família, especialmente da avó e da mãe, que morreu quando ela tinha nove anos.

- Julgamento público -

A francesa de 73 anos também recorda o julgamento de Avignon em 2024, de repercussão internacional pela magnitude dos fatos, o número de acusados e a decisão de solicitar que as audiências fossem públicas.

Embora inicialmente quisesse que o julgamento fosse a portas fechadas, acabou decidindo que fosse aberto ao público e que a vissem cara a cara com seus agressores, para que "a vergonha mudasse de lado", afirmou.

"Quando lembro do momento em que tomei minha decisão, penso que, se eu tivesse vinte anos a menos, talvez não tivesse ousado rejeitar o julgamento a portas fechadas. Teria temido os olhares, esses malditos olhares com os quais uma mulher da minha geração sempre teve que lidar", afirma nas memórias, segundo o Le Monde.

"Talvez a vergonha vá embora mais facilmente quando você tem setenta anos e ninguém presta mais atenção em você. Não sei. Não tinha medo das minhas rugas nem do meu corpo", escreve.

- Aplausos -

Gisèle também rendeu agradecimentos ao público, em sua maioria mulheres, que a aplaudia do lado de fora do tribunal. "Essa multidão me salvou", conta.

O apoio também a ajudava a enfrentar as audiências, quando tinha que depor. Não precisava procurar as palavras, relata no livro, "alimentadas e reconfortadas graças àquela multidão lá fora, que crescia e me escoltava todos os dias nos arredores do tribunal".

A essas mulheres "que me transmitiram uma força incrível", disse em uma entrevista divulgada nesta quarta-feira (11) pelo semanário Télérama, "agradeço porque, sem elas, não sei se teria aguentado".

- Otimismo -

"Sempre tive essa alegria de viver. Sou uma otimista incondicional", disse a autora. Por este motivo, apesar dos terríveis acontecimentos que viveu, "estou viva e me permito ser feliz". "Você pode ter amigos e até se apaixonar novamente, como é o meu caso", acrescenta.

Sua firmeza e fortaleza que, segundo ela, vêm da família, sobretudo quando perdeu a mãe na infância, deram a volta ao mundo durante o julgamento, a ponto de transformá-la em um ícone feminista para muitos.

"Não me sinto muito à vontade com a palavra 'ícone'. Eu a aceito, claro, por todas as mulheres que me dizem isso, mas é um pouco demais para mim", afirma.

Ainda assim, afirma que escreveu suas memórias porque sua história "poderia dar esperança a outras pessoas, especialmente às vítimas, às mulheres traumatizadas".

Gisèle Pelicot fará uma turnê pela França para apresentar seu livro. Também viajará a Londres em 20 de fevereiro, onde protagonizará um evento no qual as atrizes Juliet Stevenson e Kristin Scott Thomas lerão trechos da obra.

Posteriormente, viajará a outros países, como Alemanha, Espanha, Itália e Estados Unidos.

H.Roth--NZN