Zürcher Nachrichten - 'Mudança climática é machista', alertam ONGs

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'Mudança climática é machista', alertam ONGs
'Mudança climática é machista', alertam ONGs / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

'Mudança climática é machista', alertam ONGs

As consequências da mudança climática sobre as desigualdades de gênero, durante muito tempo relegadas a segundo plano, são alvo de alertas de ONGs. Às vésperas do G7, essas organizações denunciam a brecha entre os anúncios políticos e a realidade do financiamento.

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"A mudança climática é machista", afirma Mathilde Henry, da CARE França. "Ela acelera os riscos para as mulheres, multiplica os riscos" e, "quando há secas, quando as colheitas fracassam, são as mulheres que comem por último e em menor quantidade".

Atualmente, 47,8 milhões de mulheres a mais do que homens sofrem insegurança alimentar no mundo, destaca a Ação contra a Fome (ACF), para quem as desigualdades de gênero são ao mesmo tempo "uma causa e uma consequência da fome".

O aumento das temperaturas também influencia sua segurança.

Cada aumento de 1°C na temperatura global está associado a um crescimento de 4,7% na violência doméstica, apontava em abril de 2025 um estudo da Iniciativa Spotlight, parceria entre a União Europeia, a ONU e o governo do México.

Fenômenos meteorológicos extremos, como as inundações em Bangladesh, se traduzem em um aumento documentado da violência de gênero e dos casamentos infantis, segundo Henry.

Além disso, a inação diante da mudança climática pode empurrar até 158,3 milhões adicionais de mulheres e meninas para a pobreza extrema até 2050, detalha o Gender Snapshot 2025, da ONU Mulheres.

Nesse contexto, várias organizações aproveitam o G7 para tentar influenciar esse tema.

- Diplomacia feminista -

Embora a França, que exerce neste ano a presidência do G7, tenha adotado uma estratégia de diplomacia feminista para o período 2025-2030, no terreno as associações denunciam o retrocesso da ajuda e seus efeitos.

Em 2025, a ajuda pública ao desenvolvimento (APD) dos membros e associados do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento alcançou 174,3 bilhões de dólares (R$ 860,8 bilhões), uma queda de 23,1% em relação ao ano anterior, a maior contração anual registrada, segundo a OCDE.

Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França representam 95,7% da queda total da APD.

O Fundo de Apoio às Organizações Feministas (Fsof), "a iniciativa mais emblemática da diplomacia feminista da França, está seriamente afetado", afirma a Plan International França.

"Há um ataque à linguagem, um ataque ideológico e um ataque financeiro que sequer é combatido pelos países que dizem defender a igualdade", comenta Léa Cros, da ACF.

Esses cortes têm efeitos diretos na continuidade de programas de ONGs internacionais, encerrados às dezenas, assim como em estruturas locais na linha de frente e em milhões de beneficiários.

"Tudo isso pode se traduzir, infelizmente, em mortes, crianças fora da escola, casamentos infantis...", enumera Michelle Perrot, da Plan International França.

- Espaços de decisão -

Para tentar frear esses fenômenos, especialistas de países do Sul Global pedem para ser incluídas nas políticas públicas.

Além de sua vulnerabilidade diante dos impactos climáticos, essas mulheres também impulsionam parte das soluções de adaptação, especialmente em matéria de proteção da natureza e agricultura.

"As mulheres não são apenas vulneráveis. Se forem apoiadas, podem se tornar agentes de mudança", afirmou Hoang Thi Ngoc Ha, pesquisadora vietnamita especializada em soluções baseadas na natureza e na integração de gênero na adaptação climática, durante uma entrevista coletiva antes do G7 de Meio Ambiente, no fim de abril.

Por outro lado, as mulheres de comunidades indígenas continuam sendo "quase sistematicamente excluídas" dos espaços internacionais de decisão, segundo Gladys Yolanda Guamán Casillas.

A especialista equatoriana em agroecologia pediu "aos governos de todos os países do mundo" que sejam "impulsionadores para que sejamos ouvidas".

L.Zimmermann--NZN