Lula retoma perfurações de petróleo e gás no Polo Urucu, na Amazônia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Petrobras anunciaram, nesta quarta-feira (27), a retomada, após quase uma década, das perfurações no Polo Urucu, a maior província petrolífera terrestre do Brasil, no coração da Amazônia.
Lula sustenta que o mundo deve abandonar progressivamente os combustíveis fósseis para combater as mudanças climáticas, mas afirma que o país precisa dos recursos dos hidrocarbonetos para financiar a transição energética.
No ano passado, o Brasil se situou como o nono produtor mundial de petróleo cru.
"Nós somos brasileiros, nós gostamos do Brasil, nós gostamos da Petrobras, nós queremos viver bem, queremos trabalhar bem, queremos estudar bem, e (a gente) só vai ter isso se a economia estiver crescendo", disse o presidente, de 80 anos, nesta quarta-feira, durante um evento em Manaus.
A Petrobras anunciou cerca de 2,5 bilhões de reais em investimentos para perfurar 22 novos poços no campo de Urucu.
Trata-se da maior reserva terrestre ('onshore') de petróleo e gás do Brasil, que extrai cerca de 95% de sua produção de reservas marítimas ('offshore').
A Petrobras leva quase dez anos sem abrir novos poços em Urucu, no município amazonense de Coari, no coração da floresta amazônica.
A produção de gás neste campo, que em 2025 representou quase 8% do total nacional, é crucial para o abastecimento de energia no norte do país.
A rede de ONGs Observatório do Clima considerou essencial evitar que as novas perfurações provoquem a "degradação" ambiental da Amazônia.
"O ideal mesmo é que a Amazônia fosse declarada como uma área livre de exploração de (energias) fósseis, tanto de petróleo quanto de gás. Mas, pelo menos, nós temos que lutar para que não sejam abertas novas fronteiras com essa finalidade", disse à AFP Suely Araújo, do Observatório do Clima.
Lula também promove um megaprojeto de exploração de petróleo na Margem Equatorial, área marítima próxima da costa da Amazônia.
Em novembro passado, o presidente foi o anfitrião da COP30, a conferência climática da ONU, em Belém do Pará, na qual chamou os líderes mundiais a apresentarem um "mapa do caminho" para abandonar os combustíveis fósseis.
Mas o próprio governo brasileiro descumpriu o compromisso de entregá-lo em fevereiro e não o fez até agora.
Lula tentará se reeleger em outubro para um quarto mandato, em eleições nas quais enfrentará o pré-candidato da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
A.P.Huber--NZN