Zürcher Nachrichten - China condena plano 'discriminatório' dos Estados Unidos de revogar vistos de estudantes

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China condena plano 'discriminatório' dos Estados Unidos de revogar vistos de estudantes
China condena plano 'discriminatório' dos Estados Unidos de revogar vistos de estudantes / foto: Joseph Prezioso - AFP/Arquivos

China condena plano 'discriminatório' dos Estados Unidos de revogar vistos de estudantes

Pequim reagiu nesta quinta-feira (29) com fúria à promessa do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos de estudantes chineses e classificou a medida do presidente Donald Trump contra estudantes estrangeiros como "política e discriminatória".

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A administração Trump anunciou na quarta-feira (28) que eliminará as permissões para estudantes chineses, que são uma das maiores fontes de receitas para as universidades americanas, em seu ataque mais contra o Ensino Superior nos Estados Unidos.

Washington também revisará os critérios de visto para reforçar os controles sobre todas as futuras solicitações procedentes da China e de Hong Kong, anunciou o secretário de Estado, Marco Rubio.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, chamou a decisão de "irracional".

"Os Estados Unidos revogaram de maneira irracional os vistos dos estudantes chineses sob o pretexto de ideologia e (proteção dos) direitos nacionais", declarou a porta-voz da diplomacia da China em uma entrevista coletiva.

"Esta prática política e discriminatória dos Estados Unidos expôs as mentiras da suposta liberdade e abertura que os Estados Unidos sempre promoveram, e prejudicou ainda mais sua própria imagem internacional, imagem nacional e credibilidade", disse Mao Ning.

Rubio intensificou sua aposta nas medidas contra alunos estrangeiros depois que a China criticou sua decisão de suspender temporariamente a tramitação dos vistos de estudantes de todo o mundo.

Antes das medidas, o governo Trump já havia tentado eliminar a permissão para todos os estudantes estrangeiros na Universidade de Harvard, que rejeita a pressão do presidente.

Os estudantes chineses, que pagam matrículas de dezenas de milhares de dólares, constituem uma das fontes de receita mais importantes para as universidades americanas.

Mais de 277.300 estudantes chineses estavam matriculados no ano acadêmico 2023-24, ocupando o segundo lugar, atrás apenas dos indianos, segundo um relatório do Instituto de Educação Internacional apoiado pelo Departamento de Estado.

Em seu primeiro mandato, Trump também visou os estudantes chineses, mas se concentrou naqueles que estudavam carreiras consideradas sensíveis ou com vínculos com o Exército.

- Incerteza mundial -

A China pediu na quarta-feira que o governo dos Estados Unidos garanta "concretamente os direitos e interesses legítimos dos estudantes internacionais, incluindo os estudantes chineses".

Marco Rubio é muito criticado por revogar milhares de vistos, a maioria de estudantes estrangeiros que participaram de protestos contra Israel.

Segundo um memorando interno assinado na terça-feira pelo chefe da diplomacia americana, ao qual a AFP teve acesso, o governo pretende examinar os perfis nas redes sociais dos estrangeiros que desejam estudar em universidades americanas.

No mesmo texto, Rubio ordena às embaixadas e consulados que não permitam "nenhum visto de estudante ou intercâmbio (...) até que novas diretrizes sejam emitidas".

Na quarta-feira, Rubio foi mais longe e anunciou em um comunicado que Washington "revogará ativamente vistos de estudantes chineses, incluindo aqueles com vínculos com o Partido Comunista Chinês ou que estudem em áreas cruciais".

As ações, no entanto, também podem afetar estudantes de países aliados dos Estados Unidos.

Em Taiwan, um estudante de doutorado que se preparava para estudar na Califórnia disse que a pausa na concessão de vistos provoca incerteza em seus planos para o próximo ano acadêmico, que começa em agosto.

"Entendo que o processo pode atrasar, mas ainda resta algum tempo antes do início do semestre, em meados de agosto", disse o estudante de 27 anos, que não quis revelar seu nome.

"Tudo o que posso fazer agora é esperar e não perder a esperança", completou.

Trump é ainda mais duro com Harvard porque a universidade rejeita todas as ações de seu governo que buscam supervisionar as admissões e contratações da instituição. O governo do republicano acusa as principais autoridades acadêmicas de transformar o prestigioso centro de ensino em um foco de antissemitismo e ideologia liberal "woke".

A Casa Branca também retirou os recursos federais de pesquisa de Harvard e outras universidades americanas que estão entre aquelas consideradas mais elitistas do mundo.

X.Blaser--NZN