Zürcher Nachrichten - Harvard realiza cerimônia de formatura em meio a ameaças de Trump

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Harvard realiza cerimônia de formatura em meio a ameaças de Trump
Harvard realiza cerimônia de formatura em meio a ameaças de Trump / foto: Rick Friedman - AFP

Harvard realiza cerimônia de formatura em meio a ameaças de Trump

Milhares de alunos de Harvard celebraram sua formatura nesta quinta-feira (29), dia em que uma juíza americana manteve o bloqueio temporário da iniciativa de Donald Trump que busca proibir a universidade de matricular estudantes estrangeiros.

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O presidente americano colocou Harvard no centro da sua batalha contra as universidades de elite do país, que acusa de seguirem um viés esquerdista e de serem antissemitas.

A juíza Allison Burroughs, de Massachusetts, afirmou em audiência que vai prorrogar a suspensão cautelar do veto a estudantes estrangeiros, que concedeu depois que a universidade recorreu à Justiça para impugnar a medida. O objetivo é oferecer "alguma proteção aos estudantes estrangeiros" enquanto a unidade de ensino superior e o governo Trump se preparam para apresentar seus casos, declarou.

"Queremos nos certificar de que não haja mais truques", disse o advogado de Harvard, Ian Gershengorn, acrescentando que os alunos "estão apavorados e já temos pessoas sendo transferidas" para outras universidades.

Em apresentação de última hora antes da audiência, o governo Trump emitiu um aviso formal de sua intenção de impedir Harvard de matricular e hospedar estudantes estrangeiros, iniciando o processo legal de inabilitação para substituir a ordem emitida anteriormente.

Autoridades deram à universidade 30 dias para apresentar provas que mostrem por que a instituição não deveria ser impedida de receber e matricular esses alunos, que representaram 27% do corpo discente em 2025.

- 'Orgulho e aprovação' -

Uma professora de direito presente no tribunal lotado mencionou que o governo Trump estava prolongando o sofrimento dos estudantes estrangeiros. "Harvard está nesse purgatório. O que um estudante internacional deve fazer?", questionou a ex-aluna da faculdade de direito da instituição, que pediu para não ser identificada.

Uma das oito universidades privadas americanas que integram a exclusiva Ivy League, Harvard desatou a ira de Trump após rejeitar publicamente e nos tribunais as reiteradas exigências do governo para que cedesse o controle sobre as matrículas, os currículos e as pesquisas dos alunos.

"Harvard está tratando o nosso país com grande desrespeito, e tudo o que está fazendo é se envolver em cada vez mais problemas", disse o republicano na quarta-feira.

O presidente da universidade, Alan Garber, foi muito aplaudido ao mencionar os estudantes internacionais que estavam presentes na formatura com suas famílias, afirmando que era "como deveria ser", embora não tenha mencionado diretamente o conflito com Trump.

Em certo momento, foi aplaudido de pé, um gesto "revelador do orgulho e aprovação da comunidade", afirmou um estudante à AFP.

Ao contrário de outras universidades, Harvard recorreu aos tribunais para anular estas medidas, que, segundo o governo, visam combater o antissemitismo e invalidar as políticas de diversidade, equidade e inclusão, consideradas como esquerdistas.

Garber reconheceu que a instituição de ensino superior tem problemas com o antissemitismo, mas também com a islamofobia, e declarou que trabalha para garantir que uma variedade de pontos de vista possa ser expressada com segurança no campus.

Para a estudante indiana Uzma Farheen, recém-formada em saúde pública, o dia de hoje mostrou "o amor pela comunidade global". "Estamos unidos para representar poderosamente o que Harvard defende: a verdade, integridade e inclusão."

Em frente a um grande palco, fechado ao público em geral por motivo de segurança, milhares de alunos, professores e convidados se reuniram para ouvir os discursos, incluindo um totalmente em latim.

Muitos alunos da Harvard Kennedy School of Government seguravam balões de plástico que simbolizavam a composição internacional do seu corpo discente.

"Nos últimos dois meses, tem sido muito difícil, tenho me sentido muito vulnerável", disse Lorena Mejia, de 36 anos, que concluiu um mestrado em administração pública e usava uma beca que a identificava como colombiana.

T.Furrer--NZN