Zürcher Nachrichten - "Barbecue", o ex-policial que virou líder das gangues do Haiti

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"Barbecue", o ex-policial que virou líder das gangues do Haiti
"Barbecue", o ex-policial que virou líder das gangues do Haiti / foto: Clarens SIFFROY - AFP

"Barbecue", o ex-policial que virou líder das gangues do Haiti

Com uma arma automática no ombro, Jimmy "Barbecue" Chérizier, que gosta de se apresentar como um revolucionário, lidera a coalizão de gangues "Viv ansanm" (Viver juntos), que devasta o Haiti e controla cada vez mais território em Porto Príncipe e no restante do país.

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Aos 48 anos, esse ex-policial tornou-se a figura central da violência que há vários anos assola essa pobre nação caribenha, provocando uma crise humanitária, política e de segurança.

Os Estados Unidos ofereceram nesta terça-feira (12) uma recompensa de cinco milhões de dólares por qualquer informação que possa levar à sua prisão.

Em fevereiro de 2024, o "Viv ansanm", união das gangues G9 e G-Pèp, antes rivais, lançou vários ataques contra infraestruturas-chave de Porto Príncipe, provocando a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry e a instauração de um conselho presidencial de transição.

Apesar do envio de uma força internacional de apoio à segurança em junho de 2024, o grupo liderado por "Barbecue" continuou conquistando novos territórios.

Desde janeiro, vários municípios do país e bairros da capital caíram sob seu controle.

Essas gangues assassinaram policiais e soldados haitianos, além de membros da missão internacional, e provocaram o deslocamento de centenas de milhares de habitantes.

No dia 7 de agosto, enquanto o conselho de transição trocava de presidente, Chérizier tentou atacar o bairro onde ficam as sedes dessa instituição e a do primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé.

Enquanto a capital despertava com o som das rajadas das armas automáticas dos criminosos, "Barbecue" apareceu em um vídeo pedindo à população que permitisse que seus homens chegassem ao bairro.

"Temos que derrubar esses ladrões que dirigem o país. O povo deve nos ajudar na batalha para libertar o Haiti", declarou na gravação.

Não é a primeira vez que o ex-policial chama atenção.

Em 2022, à frente da gangue G9, bloqueou durante meses o principal terminal de combustíveis do país, paralisando a distribuição de gasolina e mergulhando ainda mais o Haiti no caos.

Esse episódio desencadeou pedidos para o envio de uma força multinacional que ajudasse a polícia haitiana, já sobrecarregada — uma missão que ainda não correspondeu às expectativas.

- Sob sanções -

Como demonstração de sua influência, Chérizier foi o primeiro a ser incluído, em outubro de 2022, no novo regime de sanções da ONU contra as gangues armadas haitianas (proibição de viajar, congelamento de ativos, embargo seletivo de armas).

O "Viv ansanm", principal coalizão de gangues do Haiti, também foi classificado como "organização terrorista estrangeira" em 2 de maio de 2025 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Na esteira das sanções impostas pela ONU, um relatório de especialistas da organização mencionou a participação de "Barbecue" no "massacre de La Saline", ocorrido em 2018 nesse bairro pobre da capital.

"Enquanto era oficial da Polícia Nacional Haitiana, Jimmy Chérizier planejou e participou dos ataques de La Saline", afirmou também o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ao impor sanções contra ele no final de 2020.

Durante esses acontecimentos, que deixaram 71 mortos em poucos dias, as gangues — usadas às vezes pelas autoridades para silenciar reivindicações dos bairros populares — "retiraram as vítimas, incluindo crianças, de suas casas para executá-las e arrastá-las pelas ruas, onde seus corpos foram queimados, esquartejados e dados de comer a animais", escreveu então o Departamento, referindo-se ao apoio prestado a Chérizier por dois altos funcionários do governo do ex-presidente haitiano Jovenel Moïse, assassinado em 2021.

Mas o líder da gangue, que publica frequentemente vídeos nas redes sociais, rejeitou as acusações contra ele.

"Não sou um gangster, nunca serei um gangster", afirmou em 2021, em entrevista à rede Al Jazeera, garantindo que luta "por outra sociedade".

L.Muratori--NZN