Zürcher Nachrichten - Netanyahu pede à população da Cidade de Gaza para sair "agora"

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Netanyahu pede à população da Cidade de Gaza para sair "agora"
Netanyahu pede à população da Cidade de Gaza para sair "agora" / foto: Omar AL-QATTAA - AFP

Netanyahu pede à população da Cidade de Gaza para sair "agora"

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, instou nesta segunda-feira (8) a população a deixar "agora" a Cidade de Gaza, principal área urbana do território palestino, onde seu Exército intensifica sua ofensiva.

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O anúncio chegou horas depois de homens armados palestinos terem realizado um dos ataques mais mortíferos cometidos em Jerusalém desde o início da guerra, há quase dois anos.

Dois palestinos abriram fogo em uma estação de ônibus de Jerusalém Oriental, setor da Cidade Santa ocupado e anexado por Israel, e mataram seis pessoas, antes de serem abatidos.

"Esta operação é uma resposta natural aos crimes da ocupação e ao genocídio que está sendo cometido contra nosso povo", reagiu o movimento islamista palestino Hamas, em guerra com Israel na Faixa de Gaza, em um comunicado, sem reivindicar o ataque.

A Defesa Civil de Gaza, por sua vez, informou ao menos 39 mortos em bombardeios israelenses na Faixa, dos quais 25 na Cidade de Gaza, no norte do território.

"Em dois dias derrubamos 50 torres terroristas, e este é apenas o começo da intensificação das manobras terrestres na Cidade de Gaza. Digo aos moradores: vocês foram advertidos, saiam agora!", declarou Netanyahu em um vídeo.

Por sua vez, o Exército israelense anunciou a morte de quatro soldados no norte da Faixa.

- "Estamos com medo" -

O Exército israelense destruiu nesta segunda-feira outro bloco de residências da Cidade de Gaza que, segundo Israel, é o último reduto do Hamas. O Exército afirma controlar 40% da cidade, que deveria ser totalmente tomada de acordo com um plano aprovado em agosto.

Os israelenses, que haviam chamado para evacuar esses edifícios antes de bombardeá-los, acusam o movimento islamista de utilizá-los para operar, algo que o Hamas nega.

"Eles fazem tudo isso para nos deslocar. Temos medo de sair, somos incapazes de sair! No sul não há lugar para nós e não temos dinheiro", disse uma moradora local, Um Ahmed.

No hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza, diversos palestinos choravam por seus familiares mortos em ataques contra tendas de deslocados, segundo imagens da AFP.

Várias mulheres soluçavam perto dos corpos de duas meninas de 2 e 5 anos. Mais adiante, um homem acariciava o rosto de seu bebê de um ano, cujo corpo estava envolto em um sudário branco.

- "Aniquilados" -

Pela manhã, Israel e Washington haviam exigido que o Hamas liberasse os reféns detidos em Gaza.

"Esta é uma última advertência aos assassinos e estupradores do Hamas (...): libertem os reféns e depõem as armas, ou Gaza será destruída e vocês aniquilados", declarou no X o ministro da Defesa, Israel Katz.

"Os israelenses aceitaram minhas condições. É hora de o Hamas também aceitá-las. Eu o adverti sobre as consequências de não aceitá-las. Esta é minha última advertência", havia indicado no domingo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Hamas, cujo ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel desencadeou a guerra, declarou-se disposto a retomar as negociações "em troca de uma declaração clara de fim da guerra e da retirada completa de Israel da Faixa de Gaza", entre outras condições.

Israel não aceita essas exigências e insiste em seu objetivo de destruir o Hamas e assumir o controle da segurança de todo o território palestino.

- Atrito entre Espanha e Israel -

A tensão entre Israel e vários países europeus também se intensificou depois que o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou medidas "para deter o genocídio em Gaza".

O governo espanhol anunciou que havia chamado para consultas sua embaixadora em Tel Aviv.

"Sánchez e seus ministros perversos, que justificaram o massacre de 7 de outubro, há muito tempo escolheram ficar do lado do Hamas", havia acusado antes o chanceler israelense.

 

Segundo o Exército, em Gaza ainda há 47 cativos, dos 251 sequestrados durante o ataque.

As represálias israelenses causaram ao menos 64.522 mortos em Gaza, em sua maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do território, sob autoridade do Hamas, cujos dados são considerados confiáveis pela ONU.

S.Scheidegger--NZN