Zürcher Nachrichten - Venezuela, entre navios de guerra, estado de exceção e Natal antecipado

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Venezuela, entre navios de guerra, estado de exceção e Natal antecipado
Venezuela, entre navios de guerra, estado de exceção e Natal antecipado / foto: Federico PARRA - AFP

Venezuela, entre navios de guerra, estado de exceção e Natal antecipado

A Venezuela antecipa o Natal, prepara tropas e se prepara para decretar estado de exceção com poderes especiais para o presidente Nicolás Maduro, enquanto navios de guerra dos Estados Unidos percorrem o Caribe no que Caracas considera uma "ameaça militar".

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O governo de Maduro denuncia sete semanas de "guerra psicológica" e "cerco" devido a esta operação, que segundo Washington busca combater uma rede de narcotráfico supostamente liderada pelo mandatário venezuelano.

Quatro barcos de supostos narcotraficantes foram destruídos por ataques americanos nas últimas semanas.

A Venezuela, que denuncia uma "pena de morte" em alto-mar, acredita que o presidente Donald Trump está utilizando o narcotráfico como falso pretexto para derrubar Maduro e se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo.

Maduro respondeu com a mobilização de milícias e exercícios militares. Também antecipou por decreto o início do Natal para 1º de outubro para defender "o direito à felicidade". Fez o mesmo em 2024 após protestos pós-eleitorais que deixaram 28 mortos e 2.400 detidos.

- Decreto de comoção externa-

A presença de oito navios de guerra no Caribe constitui uma "ameaça desproporcional" e "injustificável", segundo Maduro, que já preparou um decreto de comoção externa, uma medida excepcional para conflitos armados que amplia seus poderes.

"Poderá ser decretado em caso de conflito externo, que coloque seriamente em perigo a segurança da nação, de seus cidadãos e cidadãs, ou de suas instituições", indica o texto.

É um "instrumento constitucional (que) tenho em minhas mãos para o caso de a pátria ser agredida militarmente, algo que esperamos com a graça de Deus que não ocorra", indicou Maduro.

É "uma medida de defesa da nação, que é uma atribuição exclusiva do presidente da República para tomar ações, medidas extraordinárias diante de uma ameaça iminente", disse à AFP a deputada governista Iris Varela.

"A Venezuela não é um narcoestado, a Venezuela é um estado petroleiro, a Venezuela tem muitas riquezas", destacou.

O alcance do decreto não está claro. Nunca foi aplicado antes e poderia levar à suspensão de garantias constitucionais.

Juan Carlos Apitz, decano da Faculdade de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade Central da Venezuela (UCV), esclareceu que direitos fundamentais como o direito à vida, igualdade ou informação "não podem ser limitados".

- "Etapa dissuasiva" -

Embora se fale de uma eventual invasão estrangeira nas redes sociais e reuniões familiares, os venezuelanos estão mais preocupados com a inflação e os baixos salários, e a maioria teme falar publicamente sobre o assunto.

"Temos tantos problemas no nosso cotidiano que não sentimos esse conflito: a inflação, a contração econômica, são situações que não permitem que os venezuelanos desviem o olhar para outras questões", disse Apitz.

Para Benigno Alarcón, analista político especializado em conflito e negociação, "há uma operação que está em fase dissuasiva", mas "as fases dissuasivas podem se desgastar muito rapidamente".

"A maneira de tornar uma ameaça crível é por aproximações progressivas", destacou.

Fontes militares citadas pela rede americana NBC News indicaram que os Estados Unidos preparam ataques a traficantes de drogas dentro da Venezuela.

A Venezuela é "objeto de um bloqueio naval real, mesmo que queiram disfarçá-lo como uma luta contra o narcotráfico", denunciou o deputado opositor Timoteo Zambrano. "Estamos em uma situação de pré-guerra", disse.

- "Resistência ativa prolongada" -

A Venezuela acusa Trump de subestimar as capacidades militares do país e incentivar uma guerra no Caribe, ao mesmo tempo que o instiga a negociar. Maduro chegou a enviar uma carta a seu homólogo americano com um pedido de diálogo. A Casa Branca descartou mudar sua posição.

Figuras-chave do governo venezuelano, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, reconheceram que a Venezuela está muito longe do poder militar dos Estados Unidos.

"Quem disse que temos uma força armada igual à dos Estados Unidos? (...) Quem disse que temos a aviação que os Estados Unidos têm? Ninguém disse isso", observou Cabello. "É burrice pensar isso".

"Nossa estratégia é resistência ativa prolongada, ofensiva permanente", garantiu Cabello ao comparar o poder militar dos Estados Unidos com aliados como China, Rússia e Irã.

O.Krasniqi--NZN