Zürcher Nachrichten - Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas

EUR -
AED 4.24074
AFN 72.747691
ALL 95.895133
AMD 436.035414
ANG 2.067062
AOA 1058.887004
ARS 1597.14826
AUD 1.653535
AWG 2.0814
AZN 1.966277
BAM 1.954614
BBD 2.329187
BDT 141.903893
BGN 1.973789
BHD 0.433337
BIF 3423.122848
BMD 1.154729
BND 1.479003
BOB 7.991047
BRL 6.142352
BSD 1.156498
BTN 108.115396
BWP 15.769909
BYN 3.508595
BYR 22632.694475
BZD 2.325889
CAD 1.58378
CDF 2627.009167
CHF 0.911347
CLF 0.026718
CLP 1054.995133
CNY 7.95193
CNH 7.985934
COP 4268.503083
CRC 540.172223
CUC 1.154729
CUP 30.600327
CVE 110.198132
CZK 24.510626
DJF 205.935039
DKK 7.472149
DOP 68.648344
DZD 151.793891
EGP 60.003318
ERN 17.32094
ETB 182.257927
FJD 2.55709
FKP 0.865494
GBP 0.866919
GEL 3.135129
GGP 0.865494
GHS 12.60635
GIP 0.865494
GMD 84.876085
GNF 10136.848958
GTQ 8.858625
GYD 241.950042
HKD 9.043552
HNL 30.610955
HRK 7.53426
HTG 151.717938
HUF 393.547918
IDR 19621.160435
ILS 3.590198
IMP 0.865494
INR 108.324752
IQD 1514.980709
IRR 1519190.748592
ISK 143.82149
JEP 0.865494
JMD 181.692896
JOD 0.818703
JPY 184.287291
KES 149.814345
KGS 100.978653
KHR 4621.195857
KMF 493.069599
KPW 1039.260968
KRW 1742.561599
KWD 0.354005
KYD 0.963715
KZT 555.992624
LAK 24833.715834
LBP 103570.056743
LKR 360.757968
LRD 211.631582
LSL 19.508693
LTL 3.409615
LVL 0.698484
LYD 7.403508
MAD 10.806402
MDL 20.139605
MGA 4822.220038
MKD 61.60262
MMK 2424.299257
MNT 4118.861959
MOP 9.334836
MRU 46.292909
MUR 53.706697
MVR 17.85242
MWK 2005.443881
MXN 20.75095
MYR 4.549061
MZN 73.808037
NAD 19.508862
NGN 1566.089785
NIO 42.554178
NOK 11.072601
NPR 172.983536
NZD 1.986219
OMR 0.441332
PAB 1.156483
PEN 3.998274
PGK 4.991971
PHP 69.571301
PKR 322.895052
PLN 4.278215
PYG 7553.416585
QAR 4.228934
RON 5.088547
RSD 117.378775
RUB 97.510497
RWF 1682.708077
SAR 4.335894
SBD 9.297488
SCR 15.868071
SDG 693.992302
SEK 10.819427
SGD 1.481801
SHP 0.866346
SLE 28.377449
SLL 24214.108766
SOS 660.910406
SRD 43.287914
STD 23900.565327
STN 24.485142
SVC 10.11886
SYP 127.671546
SZL 19.515834
THB 38.137236
TJS 11.10776
TMT 4.0531
TND 3.415527
TOP 2.78031
TRY 51.181643
TTD 7.846171
TWD 37.086405
TZS 2997.126504
UAH 50.663993
UGX 4371.347465
USD 1.154729
UYU 46.600714
UZS 14099.444454
VES 525.044597
VND 30394.784897
VUV 137.673867
WST 3.149861
XAF 655.570554
XAG 0.017624
XAU 0.000264
XCD 3.120714
XCG 2.084217
XDR 0.81533
XOF 655.559207
XPF 119.331742
YER 275.517486
ZAR 19.768269
ZMK 10393.950388
ZMW 22.580298
ZWL 371.822367
Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas
Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas / foto: JOHN WESSELS - AFP

Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas

Dezenas de pessoas se reuniram nesta terça-feira (7) ao amanhecer no mesmo local no sul de Israel onde, exatamente dois anos atrás, o Hamas atacou o festival de música eletrônica Nova, deixando 370 mortos.

Tamanho do texto:

As lágrimas ainda escorrem pelos rostos dos presentes, enquanto observam os retratos de seus entes queridos tirados em casamentos, férias ou dançando, muitos deles exibindo largos sorrisos, mas com os anos de nascimento e morte inscritos na legenda das fotos.

Dois jovens, que chegaram antes do amanhecer ao local perto de Gaza, enrolam cigarros enquanto escutam techno. Às 06h29 (00h29 em Brasília), hora exata em que começou o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino, em 7 de outubro de 2023, o som é silenciado para guardar um minuto de silêncio.

"Saímos dez e voltamos sete", diz Alon Musnikov, estudante de direito de 28 anos. "Hoje, dois anos depois, ainda estamos falando disso, mas ainda é difícil acreditar que realmente aconteceu."

Seus três amigos, Yevgeni Postel, Lior Tkach e Sean Davitashvili, foram assassinados nesse ataque que desencadeou a guerra atual, e ele quer que os nomes deles sejam conhecidos em todo o mundo.

"Vivemos com esse trauma todos os dias", explica Alon. "É como se tivesse acontecido ontem." Ele veio acompanhado pelos familiares dos três jovens, que não conseguem articular palavras porque estão muito abalados.

- "Estou aqui para estar com ela" -

"É assim que vivemos há dois anos, e é a pior sensação do mundo", afirma Orit Baron, cuja filha Yuval, de 25 anos, foi assassinada ali mesmo.

Orit lembra da noite anterior, em 6 de outubro de 2023, quando celebravam uma festividade religiosa em família e riam juntos na cozinha.

Apesar de morar a mais de cem quilômetros dali, a mulher costuma visitar frequentemente essa área do deserto do Neguev, onde a antiga pista de dança do festival foi transformada em uma espécie de cemitério. Em postes, estão pendurados retratos das pessoas assassinadas ou sequestradas durante o ataque do Hamas.

Aos pés de cada retrato há anêmonas silvestres, flores vermelhas que simbolizam o milagre do deserto que floresce, assim como alguns desenhos de crianças ou bandeiras de Israel.

Aos 57 anos, Baron deixou seu trabalho para se dedicar à memória da filha e contar sua história, a de uma jovem que havia acabado de comprar seu vestido de noiva e que morreu ao lado do noivo, Moshe Shuva, de 33 anos: "É muito importante que as pessoas conheçam a verdade em primeira mão".

Enquanto ela limpa o espaço reservado a Yuval e Moshe e organiza as flores, outros acendem velas ou beijam uma foto. À distância, ouve-se o eco de tiros de artilharia e explosões vindos da vizinha Gaza.

"Estou aqui para estar com ela, porque foi a última vez que ela esteve viva, aqui com seu noivo, Moshe", diz Baron, que usa um retrato do jovem casal em um pingente de prata.

Ela conta que não ouve os sons da guerra: "Na primeira vez que estive aqui, fiquei muito assustada, mas agora já não me afeta mais".

- "Imperdoável" -

"Toda vez que vim aqui, houve explosões e, sinceramente, de certa forma, gostamos disso", observa Karen Shaarabany, que perdeu sua filha Sivan, de 21 anos.

"É claro que eu gostaria que tudo isso acabasse", diz esta mulher de 57 anos, referindo-se à guerra em Gaza e à destruição do Hamas prometida pelo governo israelense. "Mas enquanto isso não acabar, não quero tranquilidade (...). Por que eles deveriam ter tranquilidade (em Gaza)? Por que deveriam ter uma vida tranquila?".

O martírio da filha e suas quatro amigas, que tentaram deixar o local do festival durante o ataque, mas foram obrigadas a voltar, está gravado na mente de Shaarabany, minuto a minuto.

Ela se lembra de cada mensagem enviada pela filha. A primeira, às 6h45: "Está tudo bem", dizia. A última, às 8h10, descrevia "os terroristas que estavam atirando". "Elas estavam escondidas, ela estava com medo".

Sivan Shaarabany saiu com quatro amigas, mas apenas uma retornou com vida, assegura sua mãe, que limpa meticulosamente os memoriais das quatro jovens que morreram no Nova.

Contendo os soluços e bastante emocionada, Karen conclui: "O que aconteceu aqui é imperdoável".

J.Hasler--NZN