Zürcher Nachrichten - Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas

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Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas
Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas / foto: JOHN WESSELS - AFP

Dois anos depois, luto continua no local do festival israelense atacado pelo Hamas

Dezenas de pessoas se reuniram nesta terça-feira (7) ao amanhecer no mesmo local no sul de Israel onde, exatamente dois anos atrás, o Hamas atacou o festival de música eletrônica Nova, deixando 370 mortos.

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As lágrimas ainda escorrem pelos rostos dos presentes, enquanto observam os retratos de seus entes queridos tirados em casamentos, férias ou dançando, muitos deles exibindo largos sorrisos, mas com os anos de nascimento e morte inscritos na legenda das fotos.

Dois jovens, que chegaram antes do amanhecer ao local perto de Gaza, enrolam cigarros enquanto escutam techno. Às 06h29 (00h29 em Brasília), hora exata em que começou o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino, em 7 de outubro de 2023, o som é silenciado para guardar um minuto de silêncio.

"Saímos dez e voltamos sete", diz Alon Musnikov, estudante de direito de 28 anos. "Hoje, dois anos depois, ainda estamos falando disso, mas ainda é difícil acreditar que realmente aconteceu."

Seus três amigos, Yevgeni Postel, Lior Tkach e Sean Davitashvili, foram assassinados nesse ataque que desencadeou a guerra atual, e ele quer que os nomes deles sejam conhecidos em todo o mundo.

"Vivemos com esse trauma todos os dias", explica Alon. "É como se tivesse acontecido ontem." Ele veio acompanhado pelos familiares dos três jovens, que não conseguem articular palavras porque estão muito abalados.

- "Estou aqui para estar com ela" -

"É assim que vivemos há dois anos, e é a pior sensação do mundo", afirma Orit Baron, cuja filha Yuval, de 25 anos, foi assassinada ali mesmo.

Orit lembra da noite anterior, em 6 de outubro de 2023, quando celebravam uma festividade religiosa em família e riam juntos na cozinha.

Apesar de morar a mais de cem quilômetros dali, a mulher costuma visitar frequentemente essa área do deserto do Neguev, onde a antiga pista de dança do festival foi transformada em uma espécie de cemitério. Em postes, estão pendurados retratos das pessoas assassinadas ou sequestradas durante o ataque do Hamas.

Aos pés de cada retrato há anêmonas silvestres, flores vermelhas que simbolizam o milagre do deserto que floresce, assim como alguns desenhos de crianças ou bandeiras de Israel.

Aos 57 anos, Baron deixou seu trabalho para se dedicar à memória da filha e contar sua história, a de uma jovem que havia acabado de comprar seu vestido de noiva e que morreu ao lado do noivo, Moshe Shuva, de 33 anos: "É muito importante que as pessoas conheçam a verdade em primeira mão".

Enquanto ela limpa o espaço reservado a Yuval e Moshe e organiza as flores, outros acendem velas ou beijam uma foto. À distância, ouve-se o eco de tiros de artilharia e explosões vindos da vizinha Gaza.

"Estou aqui para estar com ela, porque foi a última vez que ela esteve viva, aqui com seu noivo, Moshe", diz Baron, que usa um retrato do jovem casal em um pingente de prata.

Ela conta que não ouve os sons da guerra: "Na primeira vez que estive aqui, fiquei muito assustada, mas agora já não me afeta mais".

- "Imperdoável" -

"Toda vez que vim aqui, houve explosões e, sinceramente, de certa forma, gostamos disso", observa Karen Shaarabany, que perdeu sua filha Sivan, de 21 anos.

"É claro que eu gostaria que tudo isso acabasse", diz esta mulher de 57 anos, referindo-se à guerra em Gaza e à destruição do Hamas prometida pelo governo israelense. "Mas enquanto isso não acabar, não quero tranquilidade (...). Por que eles deveriam ter tranquilidade (em Gaza)? Por que deveriam ter uma vida tranquila?".

O martírio da filha e suas quatro amigas, que tentaram deixar o local do festival durante o ataque, mas foram obrigadas a voltar, está gravado na mente de Shaarabany, minuto a minuto.

Ela se lembra de cada mensagem enviada pela filha. A primeira, às 6h45: "Está tudo bem", dizia. A última, às 8h10, descrevia "os terroristas que estavam atirando". "Elas estavam escondidas, ela estava com medo".

Sivan Shaarabany saiu com quatro amigas, mas apenas uma retornou com vida, assegura sua mãe, que limpa meticulosamente os memoriais das quatro jovens que morreram no Nova.

Contendo os soluços e bastante emocionada, Karen conclui: "O que aconteceu aqui é imperdoável".

J.Hasler--NZN