Zürcher Nachrichten - Honduras define presidente entre esquerda e direita sob a ameaça de Trump

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Honduras define presidente entre esquerda e direita sob a ameaça de Trump
Honduras define presidente entre esquerda e direita sob a ameaça de Trump / foto: Marvin RECINOS - AFP

Honduras define presidente entre esquerda e direita sob a ameaça de Trump

Os hondurenhos votam para presidente neste domingo (30) em uma eleição acirrada e sob a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu votos para o candidato de direita Nasry Asfura sob pena de cortar a ajuda ao país da América Central.

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Na véspera da votação, Trump advertiu que, se o ex-prefeito e empresário de 67 anos não vencer a disputa presidencial, Washington "não desperdiçará" dinheiro ajudando Honduras.

As eleições gerais decidirão se este país, com histórico de fraudes eleitorais e golpes de Estado, vira a página de seu primeiro governo de esquerda e segue os passos da Bolívia e da Argentina, cujo presidente Javier Milei também anunciou apoio a Asfura.

Após uma campanha radical que minou a confiança dos eleitores com denúncias antecipadas de fraude, quase 6,5 milhões de hondurenhos estão registrados para escolher quem sucederá a presidente Xiomara Castro em uma votação de turno único, que também definirá deputados e prefeitos para mandatos de quatro anos.

Asfura, do Partido Nacional (PN), está empatado nas pesquisas com a advogada de esquerda Rixi Moncada, 60 anos, do partido governista Livre, e com o astro da televisão Salvador Nasralla, 72 anos, do direitista Partido Liberal (PL).

Os três trocaram acusações de planos de fraudes durante a campanha, o que antecipa uma jornada eleitoral tensa. Moncada já anunciou que não reconhecerá os resultados preliminares do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), e sim a apuração das 19.167 atas de votação, o que pode demorar vários dias.

O governo dos Estados Unidos advertiu que atuará com "firmeza" em caso de fraude. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia (UE) enviaram observadores ao país.

- "Narcoterroristas" -

Trump entrou na campanha na semana passada para advertir que se "Tito" Asfura, como é popularmente conhecido, não vencer, Honduras ficará sob o controle do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e "seus narcoterroristas".

O presidente americano disse considerar Asfura o "único verdadeiro amigo da liberdade".

Moncada foi chamada de "comunista" que idolatra Fidel Castro, enquanto Nasralla, ex-aliado do partido Livre, foi classificado de "quase comunista" e pouco confiável. Trump disse que não poderia trabalhar com nenhum dos dois.

Para aumentar sua aposta em Asfura e em um ato que vai na contramão de sua operação antidrogas no Caribe, Trump colocou mais lenha na fogueira ao anunciar na sexta-feira que concederá indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, ex-líder do PN, condenado em 2024 a 45 anos de prisão por narcotráfico nos Estados Unidos.

Asfura, que disputa a presidência pela segunda vez, após a derrota em 2021 para Castro, disse à AFP que não tem "nenhum vínculo" com Hernández e destacou que o apoio de Trump pode trazer "benefícios" econômicos e migratórios ao país.

Em um claro aceno a Washington, Asfura e Nasralla - três vezes candidato à presidência - pretendem se aproximar de Taiwan, depois que Xiomara Castro restabeleceu relações entre Honduras e China em 2023.

- Pobreza e violência -

As eleições acontecem em um cenário de profunda polarização, iniciada com o golpe de Estado que derrubou em 2009 o presidente Manuel Zelaya, marido de Xiomara Castro.

Moncada chama os rivais de "oligarcas golpistas", enquanto estes a chamam de "comunista" aliada da Venezuela.

Preocupados com a troca de ataques, os candidatos pouco abordaram durante a campanha as preocupações dos hondurenhos: a pobreza, a violência das gangues, a corrupção e o narcotráfico.

A ameaça de Trump de cortar ajuda não é pouca coisa em um país extremamente dependente dos Estados Unidos, com 60% de seus 11 milhões de habitantes vivendo na pobreza e 27% de seu PIB alimentado pelas remessas da migração.

Em um dos países mais violentos do continente, os hondurenhos votarão sob um estado de exceção parcial imposto por Castro em 2022.

O narcotráfico já não usa o país apenas como ponte, mas também como produtor de cocaína.

A votação acontece das 7h00 às 17h00 (10h00 às 20h00 de Brasília) e o CNE pretende divulgar os primeiros resultados durante a noite de domingo.

T.Furrer--NZN