Zürcher Nachrichten - A odisseia de María Corina Machado para sair da Venezuela

EUR -
AED 4.257664
AFN 73.026624
ALL 96.238144
AMD 437.582231
ANG 2.074968
AOA 1062.937298
ARS 1598.08421
AUD 1.645579
AWG 2.089361
AZN 1.97515
BAM 1.95864
BBD 2.333975
BDT 142.192527
BGN 1.981339
BHD 0.43431
BIF 3442.663586
BMD 1.159146
BND 1.482068
BOB 8.007716
BRL 6.159011
BSD 1.158876
BTN 108.338579
BWP 15.802121
BYN 3.515914
BYR 22719.261378
BZD 2.33067
CAD 1.591566
CDF 2637.057544
CHF 0.913917
CLF 0.027244
CLP 1075.745893
CNY 7.982348
CNH 8.005172
COP 4303.433806
CRC 541.282631
CUC 1.159146
CUP 30.717369
CVE 111.1046
CZK 24.515015
DJF 206.003881
DKK 7.48519
DOP 68.390029
DZD 152.108556
EGP 59.995792
ERN 17.38719
ETB 182.160246
FJD 2.566871
FKP 0.87126
GBP 0.86899
GEL 3.147128
GGP 0.87126
GHS 12.640533
GIP 0.87126
GMD 85.201694
GNF 10174.408376
GTQ 8.876835
GYD 242.454744
HKD 9.082315
HNL 30.787368
HRK 7.547552
HTG 152.028504
HUF 393.739159
IDR 19654.711213
ILS 3.60393
IMP 0.87126
INR 109.016
IQD 1518.481245
IRR 1525001.44174
ISK 144.047519
JEP 0.87126
JMD 182.063242
JOD 0.82188
JPY 184.581294
KES 150.229726
KGS 101.364887
KHR 4648.175821
KMF 494.955743
KPW 1043.080849
KRW 1744.874492
KWD 0.35536
KYD 0.965713
KZT 557.135552
LAK 24904.251971
LBP 103801.523689
LKR 361.50269
LRD 212.558441
LSL 19.717515
LTL 3.422657
LVL 0.701156
LYD 7.395793
MAD 10.850191
MDL 20.181528
MGA 4833.639175
MKD 61.634787
MMK 2434.137979
MNT 4156.167228
MOP 9.354025
MRU 46.516967
MUR 53.904625
MVR 17.920835
MWK 2013.436982
MXN 20.747095
MYR 4.565921
MZN 74.073751
NAD 19.508864
NGN 1572.092184
NIO 42.564277
NOK 11.093021
NPR 173.341379
NZD 1.985179
OMR 0.442313
PAB 1.158896
PEN 4.032714
PGK 4.997948
PHP 69.723065
PKR 323.63785
PLN 4.282755
PYG 7568.943802
QAR 4.224512
RON 5.101986
RSD 117.884032
RUB 96.003268
RWF 1691.193997
SAR 4.352659
SBD 9.33305
SCR 16.654324
SDG 696.647132
SEK 10.831104
SGD 1.486377
SHP 0.86966
SLE 28.486057
SLL 24306.724357
SOS 662.456177
SRD 43.45349
STD 23991.981659
STN 24.939026
SVC 10.139705
SYP 128.128397
SZL 19.508855
THB 38.008825
TJS 11.130786
TMT 4.068602
TND 3.372
TOP 2.790945
TRY 51.328032
TTD 7.862368
TWD 37.135217
TZS 2998.321243
UAH 50.766603
UGX 4380.333447
USD 1.159146
UYU 46.697721
UZS 14135.785719
VES 527.05282
VND 30499.449254
VUV 138.346896
WST 3.161587
XAF 656.918161
XAG 0.017031
XAU 0.000257
XCD 3.13265
XCG 2.08852
XDR 0.81819
XOF 661.296951
XPF 119.331742
YER 276.576393
ZAR 19.853279
ZMK 10433.709028
ZMW 22.627107
ZWL 373.244535
A odisseia de María Corina Machado para sair da Venezuela
A odisseia de María Corina Machado para sair da Venezuela / foto: Odd ANDERSEN - AFP

A odisseia de María Corina Machado para sair da Venezuela

Vida na clandestinidade, disfarces, postos policiais, barcos em um mar enfurecido, especialistas em resgate, aviões de combate e um jato particular... A saída da líder opositora María Corina Machado da Venezuela para chegar a Oslo, onde deveria receber o prêmio Nobel da Paz, é digna de um filme de espionagem.

Tamanho do texto:

O título seria "Operação Dinamite Dourada", como Bryan Stern a batizou. Este veterano do exército americano, que criou uma empresa especializada em retirar estrangeiros de áreas perigosas, explicou alguns capítulos da odisseia em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (12).

"Dinamite" pelo perigo, mas também por Alfred Nobel, o inventor deste explosivo e fundador dos prêmios que levam seu nome.

Quando soube que ganhou o prêmio, María Corina, de 58 anos, prometeu que o receberia pessoalmente. Mas havia um problema: a líder da oposição venezuelana mergulhou na clandestinidade após as eleições presidenciais de 2024, denunciadas como fraudulentas pela oposição.

A vitória do presidente Nicolás Maduro, que reprimiu os protestos pós-eleitorais, não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional.

Machado faz raras aparições públicas em manifestações. Ela chega de surpresa e vai embora de moto para voltar ao seu refúgio e evitar ser detida.

Entretanto, concede entrevistas por videoconferência com um fundo branco para não revelar sua localização, apesar das provocações do ministro do Interior, que garante que se encontra no bairro nobre de Valle Arribe, onde fica a embaixada dos Estados Unidos em Caracas.

- Peruca -

O desafio de tirar Machado, conhecida por praticamente todos os venezuelanos, de um país fortemente militarizado, é gigantesco. Em maio, cinco opositores, entre eles seu braço direto, conseguiram fugir da Venezuela em condições nunca reveladas, após passarem meses refugiados na embaixada da Argentina.

A "Operação Dinamite Dourada" começou na terça-feira. Machado se disfarçou com uma peruca e saiu da capital rumo a uma praia no norte da Venezuela, cujo local continua secreto.

"Foi perigoso e (...) arriscado porque ela estava sendo ativamente perseguida pelo regime de Maduro durante muito tempo", conta Stern. "Os serviços de inteligência cubano, venezuelano, russo, iraniano, os coletivos (paramilitares), os cartéis, todos os tipos de pessoas trabalhavam juntas para encontrar María. E todo mundo sabia que ela tentaria chegar à cerimônia do Nobel".

"Estávamos preocupados que viessem F-16 venezuelanos para nos explodir. Estávamos preocupados com uma detecção em terra, mar e ar. (...) Se tivessem nos detectado, certamente teriam nos matado", diz.

Para despistar, Stern espalhou rumores de que Machado já estava no exterior. Jornalistas e autoridades saíram atrás de notícias falsas: que ela estava no Equador, que havia partido em um avião que repatriava migrantes, que foi vista em Cúcuta, na fronteira colombiana...

Disfarçada e com a ajuda de uma equipe, Machado conseguiu atravessar, sem ser detectada, uma dezena de postos de controle policial, indicou Stern, sem fornecer detalhes.

As autoridades venezuelanas a apelidaram de "Sayona" por sua pele clara e cabelos pretos, semelhante aos do fantasma do folclore venezuelano. Ironicamente, esta mulher espectral e que costuma se vestir de branco, além de perseguir homens, aparece e desaparece à vontade...

- "Bingo" -

Ao chegar à praia, como nos filmes ruins, a embarcação que deveria tirá-la do país estava avariada, explicou ao Wall Street Journal. Os agentes que a ajudam escolheram um velho barco de pesca para evitar suspeitas e também para não serem confundidos com uma embarcação do tráfico de drogas, em um momento em que Washington realiza bombardeios que já causaram ao menos 87 mortes no Caribe e Pacífico.

Com atraso, a embarcação finalmente zarpou rumo a Curaçao, uma pequena ilha holandesa a cerca de 60 quilômetros da Venezuela.

"O mar estava muito agitado. (...) Ondas de 1,5 a 3 metros a bordo de embarcações muito pequenas na escuridão total", explica Stern, que especifica ter avisado os americanos de um "resgate".

De novo, como se fosse escrito por um roteirista ruim, a viagem se complicou: o GPS não funcionava.

"Houve contratempos no caminho, porque sempre há. É assim aqui, não é Uber", brinca Stern. Ele esperou em outro barco no mar até que finalmente as duas embarcações se encontraram.

"Bingo! Bingo! Bingo! Dinamite Dourada", anunciou sua equipe. Em seguida, ele disse a Machado: "Meu nome é Bryan Stern. Prazer em conhecê-la".

Entorpecida de frio e encharcada, a líder opositora pediu um suéter e pensava mais em se reunir com sua filha do que no Prêmio Nobel, conta Stern. A embarcação chegou a Curaçao. Ela estava sã e salva, mas não chegaria a Oslo a tempo para a cerimônia.

Um avião particular a levou para Bangor, no estado americano de Maine, para reabastecer, e depois à Noruega, onde chegou na quinta-feira, calçada com botas militares.

"María é uma heroína (...) Pensei que seu apelido 'dama de ferro' fosse um eufemismo. Mas não é verdade. Ela é dura como aço", concluiu.

"Houve momentos em que senti que havia um risco real para minha vida", comentou Machado em Oslo, ao agradecer "a todos aqueles homens e mulheres que arriscaram suas vidas" por ela.

E logo após este episódio, a firme opositora reiterou que voltará ao seu país.

P.Gashi--NZN