Zürcher Nachrichten - República Centro-Africana, último reduto do grupo paramilitar russo Wagner

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República Centro-Africana, último reduto do grupo paramilitar russo Wagner
República Centro-Africana, último reduto do grupo paramilitar russo Wagner / foto: Annela NIAMOLO - AFP

República Centro-Africana, último reduto do grupo paramilitar russo Wagner

Depois de uma intensa pressão há alguns anos dos grupos armados, o governo da República Centro-Africana (RCA) voltou a controlar quase todo o país. Uma mudança que tem um protagonista: o grupo paramilitar russo Wagner, remunerado com ouro e diamantes.

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A presença do grupo Wagner na RCA é simbolizada por um mural na capital Bangui, que mostra o presidente russo Vladimir Putin apertando a mão de seu homólogo centro-africano Faustin-Archange Touadera, ao lado de soldados e paramilitares.

A embaixada russa considerou a obra, trabalho de um artista local, um "sinal de nossa vitória comum sobre o caos e a instabilidade".

O mural colorido ilustra a importância da presença militar russa para o governo de Touadera, 68 anos, que disputará a reeleição no próximo domingo, quando o país celebrará eleições presidenciais e legislativas.

A ex-colônia francesa, rica em recursos naturais, é o último reduto do grupo paramilitar Wagner, que se tornou parceiro de segurança do governo em troca de contratos lucrativos de extração de ouro e diamantes.

Sergei Eledinov, um militar russo aposentado e especialista em segurança africana, afirma que o grupo Wagner ajudou de maneira decisiva a melhorar a segurança na RCA.

"A República Centro-Africana foi, na verdade, o único caso bem-sucedido", disse Eledinov à AFP, ao comentar a presença do grupo paramilitar na África. Wagner já atuou em Moçambique, na Líbia e no Mali.

"A situação de segurança melhorou, a estabilidade voltou e as estradas estão mais seguras, há menos ataques", comentou o fundador da Convoy Africa, uma consultoria que trabalha com empresas russas e estrangeiras.

Atualmente, quase 90% do país está novamente sob a autoridade efetiva do governo. Em 2021, os grupos armados controlavam 80% do território, segundo vários analistas.

"Mas também não seria correto dizer que todos estão contentes", ponderou Eledinov.

Moscou ressalta a popularidade dos mercenários, mas defensores dos direitos humanos e opositores denunciam crimes de guerra. A embaixada russa em Bangui não respondeu a um pedido de comentário.

O fundador do grupo Wagner, Yevgueni Prigozhin, faleceu em um acidente aéreo em agosto de 2023, depois de protagonizar uma breve rebelião contra a cúpula militar russa.

Após sua morte, o Ministério da Defesa russo tentou substituir o Wagner na África e coordenar as operações de segurança por meio de um grupo conhecido como Africa Corps.

Ao contrário de países como o Mali, onde o Africa Corps assumiu as operações, os mercenários russos na RCA não estão sob controle do Ministério da Defesa.

- Mais segurança -

"Não conseguiram convencer Touadera a desistir do Wagner na República Centro-Africana", afirmou uma fonte militar europeia à AFP.

O Wagner é pago com concessões de mineração, o que, segundo a fonte, é conveniente a Touadera. "Se aceitasse o Africa Corps, ele teria que pagar em dinheiro", disse a mesma fonte.

O Wagner chegou ao país em 2018, a pedido de Touadera, para fortalecer um Exército debilitado. O grupo teve um papel central em proporcionar estabilidade ao país, também rico em urânio e madeira.

Embora ainda registre alguns focos de violência, em particular no leste e noroeste do país, os russos ajudaram a expulsar os grupos armados das principais cidades.

O grupo Wagner foi crucial em 2020, quando Touadera foi reeleito em uma votação marcada por denúncias de fraude e um levante de seis grupos rebeldes.

A tentativa de derrubar o governo foi impedida pela intervenção do Exército de Ruanda e dos mercenários russos.

Os russos também trabalharam para garantir a segurança antes da votação do próximo domingo.

Muitos mercenários russos que atuam no país combateram na Ucrânia, incluindo Dmitry Podolsky, conselheiro de Segurança de Touadéra, que perdeu as pernas e um braço na guerra.

- Tensões -

Touadera disse em novembro que há conversas com Moscou sobre a presença militar russa no país, mas negou qualquer pressão para aderir aos serviços do Africa Corps.

"Por que você fala em pressão?", declarou ao canal France 24, antes de citar a "amizade e fraternidade" entre os dois países.

O presidente de RCA se negou a revelar detalhes das conversas. "Seria descortês com a Federação Russa", explicou.

Analistas apontam que uma saída do Wagner acarretaria problemas para o governo da RCA.

"O Wagner está bem estabelecido lá, com atividades econômicas sólidas e um histórico de segurança percebido como positivo", disse Charles Bouessel, analista do International Crisis Group.

"As autoridades temem que o Afrika Corps seja menos proativo militarmente, como vimos no Mali", acrescentou.

Eledinov disse não acreditar que Moscou busque desmantelar uma estrutura bem-sucedida. "Acho improvável que a desmantelam em um futuro próximo", disse.

F.E.Ackermann--NZN