Zürcher Nachrichten - Venezuelanos aguardam libertação de mais presos políticos; Maduro diz estar 'bem'

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Venezuelanos aguardam libertação de mais presos políticos; Maduro diz estar 'bem'
Venezuelanos aguardam libertação de mais presos políticos; Maduro diz estar 'bem' / foto: Federico PARRA, SAUL LOEB - AFP/Arquivos

Venezuelanos aguardam libertação de mais presos políticos; Maduro diz estar 'bem'

Os venezuelanos aguardam a libertação de mais presos políticos neste domingo (11), enquanto o presidente deposto, Nicolás Maduro, declarou desafiadoramente de sua cela nos Estados Unidos que está "bem" após ter sido detido pelas forças americanas uma semana antes na Venezuela.

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O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, começou a libertar os presos aos poucos.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que havia cancelado uma segunda onda de ataques contra a Venezuela após a libertação de um "grande número" de presos políticos naquele país.

"A Venezuela iniciou o processo, em GRANDE ESTILO, de libertação de seus presos políticos. Obrigado!", disse Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social na noite de sábado.

"Espero que esses presos se lembrem da sorte que tiveram de os Estados Unidos terem aparecido e feito o que precisava ser feito", acrescentou.

Rodríguez, que foi vice-presidente durante o governo Maduro, disse que a Venezuela seguiria "a via diplomática" com os Estados Unidos, enquanto Trump afirmou que estava "no comando" da nação sul-americana.

Organizações de direitos humanos estimam que haja entre 800 e 1.200 presos políticos na Venezuela.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em uma operação militar noturna em 3 de janeiro, que começou com ataques aéreos em Caracas. Eles foram levados para a cidade de Nova York por forças americanas para serem julgados por acusações de tráfico de drogas.

- Ansiedade pelos prisioneiros -

Até a tarde de sábado, apenas 21 pessoas haviam sido libertadas, incluindo várias figuras proeminentes da oposição, segundo grupos de direitos humanos.

Um policial preso em dezembro sob a acusação de traição morreu no sábado sob custódia estatal na Venezuela, informaram a oposição e ONGs de direitos humanos.

"O Comitê de Familiares pela Liberdade de Presos Políticos denuncia a morte sob custódia do Estado de Edison José Torres Fernández, de 52 anos, ocorrida em 10 de janeiro de 2026 (...) 62 horas após o anúncio oficial das libertações", afirmou a organização em comunicado divulgado na manhã deste domingo.

Outras organizações venezuelanas de direitos humanos também relataram a morte do policial.

Familiares desesperados se reuniram em frente aos presídios, aguardando a prometida libertação de presos políticos.

Famílias realizaram vigílias à luz de velas em frente à prisão El Rodeo I, a leste de Caracas, e em El Helicoide, uma notória prisão administrada pelos serviços de inteligência da Venezuela. Carregavam cartazes com os nomes de seus parentes presos, entre gritos de "Justiça, justiça e liberdade!" e "São todos inocentes, nenhum deles é criminoso!".

Do lado de fora da prisão Rodeo I, cerca de 40 familiares mantinham a esperança neste domingo, após três dias de angústia.

"Não viemos para visitar, viemos para buscá-los", disse à AFP Ángeles Tirado, de 33 anos, que tem cinco parentes detidos nesse presídio.

As visitas familiares continuaram seguindo o mesmo protocolo de sempre: levar produtos de higiene, entrar, colocar os capuzes e, então, ver o ente querido preso através de uma divisória de vidro.

- Mensagem de Maduro -

Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente deposto, assegurou que seu pai está "bem" nos Estados Unidos, segundo um vídeo divulgado no sábado por um líder de seu partido.

"Os advogados nos disseram que ele está forte. Ele disse para não ficarmos tristes, que 'estamos bem, somos lutadores'", disse Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito", citando seu pai.

"Um homem que eles não conseguiram vencer de jeito nenhum e tiveram que usar força desproporcional, mas não o venceram. Ele está forte", acrescentou.

Cerca de mil manifestantes, agitando bandeiras e faixas com os rostos do presidente deposto e de sua esposa, se reuniram na zona oeste de Caracas, e algumas centenas no distrito leste de Petare.

"Marcharei quantas vezes forem necessárias até que Nicolás e Cilia retornem", disse Soledad Rodríguez, de 69 anos, à AFP no protesto no bairro operário de El Valle.

Os protestos foram marcados pela ausência de figuras-chave do governo.

"Não descansaremos um minuto sequer até que o presidente esteja de volta", disse Rodríguez durante uma visita a uma feira agropecuária em Petare. "Vamos resgatá-lo, é claro que vamos", acrescentou no evento, que foi transmitido pela televisão estatal.

- Petróleo e Cuba -

No sábado, Trump ordenou a imposição de um embargo aos lucros derivados do petróleo venezuelano nos Estados Unidos.

O presidente busca "promover os objetivos da política externa americana", afirmou a Casa Branca em um comunicado que acompanha a ordem executiva.

Embora tenha descartado uma "segunda onda de ataques" à Venezuela por ora, ele mantém a pressão com uma frota naval no Caribe, onde os Estados Unidos apreenderam um quinto petroleiro carregado com petróleo venezuelano.

Neste domingo, Trump mencionou Cuba, aliada da Venezuela, instando suas autoridades a "chegarem a um acordo" ou enfrentarem consequências não especificadas, ao mesmo tempo em que advertiu que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos para Havana cessaria imediatamente.

"NADA DE PETRÓLEO OU DINHEIRO PARA CUBA: ZERO!", disse Trump em sua rede social Truth Social. "Sugiro fortemente que cheguem a um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS", acrescentou.

A.Senn--NZN