Zürcher Nachrichten - Trump confirma convite a Putin para integrar seu 'Conselho de Paz'

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Trump confirma convite a Putin para integrar seu 'Conselho de Paz'
Trump confirma convite a Putin para integrar seu 'Conselho de Paz' / foto: Andrew Caballero-Reynolds - AFP/Arquivos

Trump confirma convite a Putin para integrar seu 'Conselho de Paz'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que convidou seu homólogo russo, Vladimir Putin, para se juntar ao seu "Conselho de Paz", uma organização que reivindica a missão de "promover a estabilidade" no mundo.

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A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para fazerem parte deste Conselho, presidido pelo próprio Trump, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.

Os países membros — representados por seus chefes de Estado ou de Governo — podem participar por três anos, ou por um período mais longo caso paguem mais de 1 bilhão de dólares (5,36 bilhões de reais) em dinheiro no primeiro ano, de acordo com o documento fundador obtido pela AFP na segunda-feira (19).

Questionado na segunda-feira por um repórter na Flórida se havia convidado Putin para se juntar ao Conselho, Trump respondeu: "Sim, ele foi convidado".

A China também foi convidada, conforme confirmado pelo seu Ministério das Relações Exteriores nesta terça-feira (20), sem especificar se aceitou o convite ou não.

- Trump, o "primeiro presidente" -

"O Conselho de Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos", afirma o preâmbulo de seus "estatutos".

O texto critica "as diversas abordagens para a paz" que "institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem", em clara alusão às Nações Unidas.

Considera também necessário ter "uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz".

Trump será "o primeiro presidente do Conselho de Paz", com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a seu critério. Ele terá a palavra final nas votações.

Ele também poderá revogar a participação de um país, exceto em caso de veto por dois terços dos Estados-membros.

Além disso, terá "autoridade exclusiva" para "criar, modificar ou dissolver entidades subsidiárias" do Conselho de Paz e será "a autoridade final quanto ao significado, interpretação e aplicação" dos estatutos fundadores.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de 1 bilhão de dólares em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano de entrada em vigor desta Carta", acrescenta o documento.

Este Conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas seu estatuto não parece limitar sua função ao território palestino ocupado.

- França e Canadá -

A reação inicial da França e do Canadá, aliados importantes dos Estados Unidos, foi fria.

"Neste momento, a França não pode aceitar", disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na segunda-feira, durante um debate com parlamentares franceses, observando que os estatutos do Conselho vão além do escopo da reconstrução e governança de Gaza no pós-guerra, que são apoiadas pela ONU.

Ele acrescentou que isso é "incompatível com os compromissos internacionais da França e, em particular, com sua participação nas Nações Unidas".

Na segunda-feira, Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses para pressionar o país europeu a aderir ao Conselho. O círculo íntimo do presidente Emmanuel Macron rapidamente rejeitou a ameaça como "ineficaz" e "inaceitável".

A França ocupa um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e tem poder de veto.

Da mesma forma, uma fonte de Ottawa afirmou que "o Canadá não pagará por um assento no Conselho, nem foi solicitado a fazê-lo neste momento", depois que o primeiro-ministro indicou que aceitaria um convite para participar.

Paul Williams, professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington, lembrou à AFP que a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em outubro, que apoia o plano de paz de Trump para Gaza, concedeu ao "Conselho de Paz" autoridade para agir apenas em relação ao território palestino.

- Contra as instituições internacionais -

A ideia parece contrariar instituições internacionais, como a ONU.

Trump tem criticado regularmente as Nações Unidas e anunciou este mês que seu país se retirará de 66 organizações e tratados internacionais, dos quais aproximadamente metade está ligada à ONU.

Neice Collins, porta-voz do presidente da Assembleia Geral da ONU, disse a jornalistas: "Existe apenas uma organização universal e multilateral para tratar de questões de paz e segurança, e essa é a Organização das Nações Unidas".

O "Conselho de Paz" começou a tomar forma no sábado, com convites estendidos aos líderes de Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Brasil para participarem.

Trump também nomeou como membros o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; seu principal negociador de conflitos, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner.

Israel se opôs à criação de um "conselho executivo para Gaza" que operaria dentro do órgão central.

T.L.Marti--NZN