Zürcher Nachrichten - Panamá negocia com Maersk para operar no canal após anular contrato com empresa de Hong Kong

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Panamá negocia com Maersk para operar no canal após anular contrato com empresa de Hong Kong
Panamá negocia com Maersk para operar no canal após anular contrato com empresa de Hong Kong / foto: MARTIN BERNETTI - AFP/Arquivos

Panamá negocia com Maersk para operar no canal após anular contrato com empresa de Hong Kong

O Panamá anunciou, nesta sexta-feira (30), que está em negociações com a empresa dinamarquesa Maersk para assumir temporariamente a operação de dois portos pertencentes à empresa CK Hutchison, com sede em Hong Kong, cuja concessão foi anulada pela Justiça — uma decisão rejeitada tanto pela empresa asiática quanto pela China.

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A Suprema Corte do Panamá invalidou os contratos na quinta-feira, após ameaças do presidente americano, Donald Trump, de recuperar a hidrovia interoceânica construída pelos Estados Unidos e cedida ao Panamá, ao alegar que ela é controlada por Pequim.

"As negociações avançaram" com "uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, que demonstrou disposição para assumir temporariamente a operação de ambos os terminais e possui a capacidade e a experiência necessárias", afirmou o presidente panamenho, José Raúl Mulino, em mensagem gravada.

O presidente, que considera os contratos atuais "onerosos", assegurou que, até a execução da sentença, haverá "um período de continuidade com a atual operadora".

"Depois, inicia-se um período de transição, que culminará em uma nova concessão em termos e condições favoráveis ao nosso país", explicou.

Os Estados Unidos e a China são os principais usuários dessa rota, que transporta aproximadamente 5% do comércio marítimo global.

Na noite de quinta-feira, o plenário da Suprema Corte do Panamá declarou "inconstitucionais" as leis sob as quais a Panama Ports Company (PPC), subsidiária da CK Hutchison Holdings, controlava os portos de Balboa e Cristóbal, localizados em entradas opostas do Canal do Panamá, desde 1997.

A anulação foi solicitada pela Controladoria-Geral, que no ano passado entrou com duas ações judiciais alegando que a concessão, renovada em 2021 por 25 anos, era "inconstitucional" e continha irregularidades.

A decisão do tribunal foi rejeitada tanto pela Hutchison quanto pelo governo chinês, que prometeu "proteger" os interesses de suas empresas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, advertiu que Pequim "tomará todas as medidas necessárias para proteger decididamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas".

As autoridades de Hong Kong condenaram o uso de "métodos coercitivos, repressivos ou outros" por qualquer governo estrangeiro para interferir nas relações comerciais.

A PPC declarou na manhã desta sexta-feira que a decisão "carece de fundamento jurídico e põe em risco" não apenas seu contrato, "mas também o bem-estar e a estabilidade de milhares de famílias panamenhas" que dependem de suas operações.

- Venda no limbo -

A CK Hutchison Holdings, fundada por Li Ka-shing, o homem mais rico de Hong Kong, é um dos maiores conglomerados deste centro financeiro semiautônomo da China e abrange os setores de finanças, varejo, infraestrutura, telecomunicações e logística.

Após o anúncio do Panamá, as ações do conglomerado caíram 4,6% nas negociações desta sexta-feira na Bolsa de Hong Kong.

A decisão desfavorável ocorreu em meio a um demorado processo de venda dos portos que a Hutchison anunciou em março de 2025, com a intenção de transferir sua participação nesses terminais panamenhos para um conglomerado liderado pela empresa americana BlackRock. Tudo isso fazia parte de um pacote avaliado em US$ 22,8 bilhões (R$ 131,4 bilhões, na cotação da época).

O acordo foi inicialmente visto com bons olhos pelos Estados Unidos, mas perdeu força depois que a China alertou que poderia prejudicar seus interesses globais.

Pequim instou as partes a agirem com "cautela", sob pena de consequências legais caso prosseguissem sem sua autorização.

Em abril, a Controladoria-Geral do Panamá, responsável por fiscalizar os gastos públicos, denunciou a Hutchison por supostamente não pagar ao governo panamenho US$ 1,2 bilhão (R$ 6,8 bilhões, na cotação da época) por suas operações.

A PPC, por sua vez, afirmou ser "a única operadora portuária do país em que o Estado é acionista" e que pagou ao governo panamenho US$ 59 milhões (R$ 334 milhões, na mesma cotação) nos últimos três anos.

- "Presente insensato" -

Os Estados Unidos inauguraram a hidrovia em 1914, mas a transferiram para o Panamá em 31 de dezembro de 1999, sob tratados bilaterais.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump insiste que a China controla o Canal do Panamá, administrado por uma instituição pública panamenha independente do governo.

"Fomos terrivelmente prejudicados com este presente insensato que nunca deveria ter sido dado (...). A China opera o Canal do Panamá, e nós não o entregamos à China, nós o entregamos ao Panamá. E vamos retomá-lo", disse o magnata republicano ao assumir o poder há um ano.

O Panamá rejeita com firmeza a alegação de que Pequim controla de fato o canal, que movimenta 40% do tráfego de contêineres dos Estados Unidos.

Ch.Siegenthaler--NZN