Ataques israelenses em Gaza deixam 32 mortos
Pelo menos 32 pessoas morreram neste sábado (31) em ataques aéreos israelenses em Gaza, segundo a Defesa Civil do território, poucas horas antes da anunciada reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah.
Israel afirma ter atacado em resposta a violações do cessar-fogo concluído em outubro com o movimento islamista palestino Hamas.
"O balanço desde o amanhecer subiu para 32 mortos, a maioria crianças e mulheres", afirma um comunicado da Defesa Civil de Gaza, um organismo de primeiros socorros que opera sob a autoridade do Hamas.
"Foram atacados edifícios residenciais, tendas e uma delegacia de polícia", afirmou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal.
No bairro de Rimal, na cidade de Gaza, uma residência foi destruída pela explosão. "Três meninas morreram quando dormiam. Encontramos os corpos na rua", declarou Samer al Atbash, parente das vítimas, à AFP.
O ataque contra a delegacia deixou sete mortos, incluindo civis que estavam no local, segundo a Direção Geral da Polícia.
Uma tenda que abrigava deslocados em Khan Yunis (sul) também foi atingida: sete membros da mesma família, incluindo uma criança, morreram, informou o departamento de Comunicação do governo do Hamas.
Um dos ataques teve como alvo Al Mawasi, uma área do sul da Faixa onde dezenas de milhares de deslocados sobrevivem em tendas, constatou um correspondente da AFP.
Em um comunicado, o Exército israelense afirma que atacou em resposta a um incidente ocorrido na sexta-feira, quando oito combatentes palestinos saíram de um túnel na cidade de Rafah, no sul da Faixa, o que — alegam os militares — viola o acordo de trégua.
O Exército destacou que "atingiu quatro comandantes e outros terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza".
O Hamas denunciou os bombardeios deste sábado como um "crime brutal".
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob a autoridade do Hamas, pelo menos 509 pessoas foram mortas por disparos ou ataques israelenses desde o início do cessar-fogo.
O Exército israelense afirma que quatro soldados morreram durante o mesmo período em Gaza.
As restrições de acesso impostas por Israel aos meios de comunicação impedem que a AFP verifique de forma independente o número de vítimas.
- Reabertura da passagem de Rafah -
Egito e Catar, mediadores no conflito, condenaram as "violações repetidas" por parte de Israel do cessar-fogo e pediram às partes que demonstrem "moderação" à medida que se aproxima a reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito.
Israel deve reabrir a passagem no domingo "apenas para um movimento limitado de pessoas".
O posto de Rafah é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel.
Em janeiro, o cessar-fogo entre as partes entrou na segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas, a saída das forças israelenses de mais áreas da Faixa de Gaza e a presença de uma força internacional de estabilização.
Israel e Hamas trocam acusações sobre violações da trégua.
Quase toda a população de Gaza foi deslocada diversas vezes nos dois anos de guerra no território. Centenas de milhares, de uma população total de dois milhões, vivem em tendas.
A guerra começou com o ataque do Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual morreram 1.221 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP elaborado com base em dados oficiais.
Desde então, mais de 71.000 palestinos morreram na campanha militar israelense de retaliação no pequeno território, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A ONU considera o número confiável.
D.Graf--NZN