Zürcher Nachrichten - Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela?

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Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela?
Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela? / foto: Pedro MATTEY - AFP

Um mês sem Maduro no poder: o que mudou na Venezuela?

As primeiras bombas caíram na madrugada de 3 de janeiro, exatamente um mês atrás. O zumbido das hélices do helicóptero, o barulho e o clarão das explosões despertaram os venezuelanos, atônitos com o resultado da incursão lançada pelos Estados Unidos: Nicolás Maduro não era mais presidente.

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Maduro foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, e levado para Nova York para ser julgado por tráfico de drogas.

O país passou para as mãos de Delcy Rodríguez, a então vice-presidente que, sob pressão, lidera as mudanças exigidas pelo presidente americano, Donald Trump, ao mesmo tempo em que mantém viva a retórica chavista.

Aproximação de Washington, abertura do setor petroleiro, anistia geral: o panorama é diferente na Venezuela sem Maduro. O que mudou? O que permanece igual?

- "Estabilidade tutelada" -

Trump ordenou o bombardeio que resultou na captura de Maduro e na morte de quase 100 pessoas, entre civis e militares.

No entanto, evitou uma ruptura completa, ao contrário das ações anteriores dos Estados Unidos em países como o Iraque. Delcy Rodríguez mantém o chavismo no poder, embora sob a influência de Washington. É uma "estabilidade tutelada", avaliou Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana.

Trump chamou Rodríguez de "formidável" e a convidou para a Casa Branca em data que ainda será definida. "Tudo está indo muito bem com a Venezuela", afirmou ele em 14 de janeiro, após o primeiro telefonema entre os dois.

Os dois países também avançam na retomada das relações, rompidas por Maduro em 2019, embora o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tenha alertado Rodríguez que ela poderia sofrer o mesmo destino de Maduro se não se alinhar aos objetivos de Washington.

Na segunda-feira, Rodríguez recebeu a nova chefe da missão diplomática dos EUA, Laura Dogu, que enfatizou que a "transição" faz parte da agenda.

- Abertura petroleira -

A Venezuela aprovou uma reforma em sua lei do petróleo, determinada pelos Estados Unidos, segundo analistas.

A legislação revoga efetivamente a nacionalização de 1976 e, principalmente, o modelo estatista imposto por Hugo Chávez 30 anos depois. Empresas privadas poderão operar de forma independente, em vez de como acionistas minoritários em parcerias com a estatal PDVSA. O plano de Trump é atrair empresas petroleiras americanas, como a Chevron, para investir na Venezuela.

A nova lei também flexibiliza as taxas de royalties e simplifica o pagamento de impostos. Além disso, elimina a exclusividade da exploração e da exploração primária.

"É a única maneira de obter investimentos significativos", explicou o analista de petróleo Francisco Monaldi, professor nos Estados Unidos.

Segundo especialistas, a Venezuela precisa de aproximadamente 150 bilhões de dólares (788 bilhões de reais, na cotação atual) para revitalizar sua indústria, que foi duramente atingida por anos de corrupção e má gestão.

Trump assumiu o controle de algumas das vendas de petróleo da Venezuela no mercado, sem os descontos obrigatórios pelo embargo que ele impôs em 2019. Ele realizou uma venda inicial que gerou 500 milhões de dólares (2,62 bilhões de reais) para o país.

- Governo e propaganda -

Teoricamente, Rodríguez lidera o governo de Maduro de forma interina.

Ela substituiu ministros e oficiais de alta patente das Forças Armadas desde que assumiu o poder, embora Diosdado Cabello e Vladimir Padrino, os influentes ministros do Interior e da Defesa, permaneçam em seus cargos por enquanto.

"É uma fase de reajuste para um sistema que preferia não alterar sua hegemonia", declarou Aveledo.

A reaproximação com os Estados Unidos contrasta com a retórica historicamente "anti-imperialista" do chavismo, que permeia as Forças Armadas.

O partido do governo organiza marchas quase diariamente para condenar o "sequestro" de Maduro e a televisão estatal transmite uma música cativante que exige sua libertação.

Seu rosto e o de sua esposa foram exibidos em um show de luzes com drones no Forte Tiuna, o principal complexo militar do país, onde estavam hospedados na madrugada de 3 de janeiro, local que foi bombardeado durante a incursão americana.

Uma formação perfeita de drones também exibiu a transcrição de sua queixa no tribunal de Nova York, onde ele se declarou um "prisioneiro de guerra".

- Anistia e medo -

Rodríguez declarou anistia geral, que o Parlamento precisa aprovar esta semana. Seu alcance ainda não está claro.

"Liberdade, liberdade!", gritavam familiares de presos políticos do lado de fora das prisões quando receberam a notícia.

Ela também anunciou o fechamento do Helicoide, prisão denunciada há anos como um centro de torturas.

Presume-se que a anistia conceda liberdade aos presos políticos. Rodríguez já havia anunciado um processo de solturas, que, no entanto, avançava muito lentamente. Até segunda-feira, 687 pessoas permaneciam detidas por razões políticas, segundo a ONG Foro Penal.

"A anistia, em princípio, implica esquecimento, não perdão", explicou Alfredo Romero, diretor do Foro Penal, que rejeitará qualquer proposta que sirva como "manto de impunidade".

O medo imposto por Maduro diminuiu, mas não desapareceu. As pessoas ainda criticam o governo em sussurros.

Há uma "liberalização tática", observou Aveledo. "O sistema está recalibrando os custos da repressão".

P.Gashi--NZN