Zürcher Nachrichten - Crise de combustível desacelera rotina em Cuba

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Crise de combustível desacelera rotina em Cuba
Crise de combustível desacelera rotina em Cuba / foto: Yamil Lage - AFP/Arquivos

Crise de combustível desacelera rotina em Cuba

Cuba começou a aplicar nesta segunda-feira (9) novas medidas de emergência destinadas a economizar combustível para enfrentar o estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos, que afeta duramente o cotidiano da população.

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Nas ruas de Havana, o trânsito estava menor do que o habitual. No bairro central de El Vedado, as calçadas, normalmente cheias de moradores que saem para resolver pendências, estavam quase desertas.

Rosa Ramos, enfermeira de 37 anos, esperava havia mais de uma hora na rua por um transporte que lhe permitisse chegar ao trabalho, um hospital situado a oeste da capital, a cerca de dez quilômetros dali.

As medidas anunciadas pelo governo na sexta-feira, que incluem a semana de trabalho de quatro dias para economizar eletricidade, o teletrabalho e o racionamento da venda de combustível a particulares, "são medidas de resistência", disse ela à AFP, "para que o país não colapse".

"Mas, ao mesmo tempo, geram muita incerteza na população, porque a gente se pergunta por quanto tempo um país consegue viver nessas condições", lamentou.

Desde segunda-feira, usuários de táxis privados notaram aumento no preço do serviço, que em alguns trajetos passou de 200 pesos (R$ 2,09) para 350 pesos cubanos (R$ 3,66).

A ilha comunista, com 9,6 milhões de habitantes, encontra-se em situação particularmente vulnerável após o fim do envio de petróleo da Venezuela, depois da derrubada de Nicolás Maduro em uma incursão armada dos Estados Unidos.

Além disso, Washington ameaçou impor tarifas aos países que forneçam petróleo a Havana.

O México negocia com Washington uma forma de abastecer Havana com petróleo sem sofrer represálias de seu principal parceiro comercial.

- "Muito injusto" -

Nesta segunda-feira, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, classificou como "muito injusto" que os Estados Unidos ameacem impor tarifas a quem forneça petróleo a Cuba. "Não se pode sufocar um povo dessa maneira, é muito injusto", denunciou a presidente de esquerda.

O México anunciou no domingo que enviou, a bordo de dois navios de sua Marinha, mais de 814 toneladas de alimentos para a população cubana.

Moscou também reagiu na segunda-feira, denunciando as "medidas asfixiantes" dos Estados Unidos.

"A situação em Cuba é realmente crítica", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ao informar que a Rússia mantém conversas com as autoridades cubanas para oferecer assistência.

Por sua vez, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que o objetivo de Washington "como sempre, é dobrar a vontade política dos cubanos". "O cenário é duro e exigirá grande sacrifício", declarou na rede social X.

Como sinal da gravidade da crise, as autoridades cubanas informaram às companhias aéreas que operam no país que o fornecimento de combustível ficará suspenso por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira.

A medida obrigará as empresas que realizam voos de longa distância a fazer uma "escala técnica" para garantir o reabastecimento.

Além disso, o governo anunciou o fechamento de alguns hotéis com baixa ocupação e a realocação de turistas para outros estabelecimentos.

"Já estão fechando hotéis em Varadero", principal balneário de Cuba, a cerca de 150 quilômetros a leste de Havana, "mas também em outras províncias", comentou à AFP uma trabalhadora do setor que preferiu não se identificar.

Também houve redução dos serviços de ônibus e trens entre províncias, assim como dos dias letivos. As universidades passaram a funcionar a distância, como durante a epidemia de covid-19, ou em regime semipresencial.

As medidas devem permitir economizar combustível para favorecer "a produção de alimentos e a produção de eletricidade" e garantir "a proteção das atividades fundamentais que geram divisas", declarou o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, citando em especial o setor do tabaco.

As ações adotadas pelo governo cubano lembram as diretrizes aplicadas durante o "período especial", a grave crise econômica que ocorreu após a queda da União Soviética, então principal fornecedora de petróleo de Cuba, em 1991.

bur-rd-jb-lis/nn/lm/am

N.Fischer--NZN