Zürcher Nachrichten - Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia

EUR -
AED 4.286951
AFN 77.041935
ALL 92.239359
AMD 424.151071
ANG 2.089232
AOA 1071.591028
ARS 1764.688182
AUD 1.629502
AWG 2.09824
AZN 1.985645
BAM 1.955574
BBD 2.348629
BDT 143.493447
BGN 1.980186
BHD 0.439649
BIF 3481.398391
BMD 1.16731
BND 1.481629
BOB 13.427451
BRL 6.009199
BSD 1.166065
BTN 111.209171
BWP 15.613199
BYN 3.517994
BYR 22879.282683
BZD 2.345329
CAD 1.615517
CDF 2659.721351
CHF 0.936136
CLF 0.027087
CLP 1066.069918
CNY 7.844734
CNH 7.841255
COP 3613.922777
CRC 529.038971
CUC 1.16731
CUP 30.933724
CVE 110.252281
CZK 24.070814
DJF 207.656045
DKK 7.475415
DOP 68.292122
DZD 155.261725
EGP 58.801741
ERN 17.509655
ETB 188.214888
FJD 2.559386
FKP 0.856451
GBP 0.855423
GEL 3.040819
GGP 0.856451
GHS 13.0025
GIP 0.856451
GMD 85.798605
GNF 10245.818059
GTQ 8.896974
GYD 243.971856
HKD 9.150015
HNL 31.277392
HRK 7.53417
HTG 152.552402
HUF 360.976737
IDR 20657.891104
ILS 3.47754
IMP 0.856451
INR 110.882928
IQD 1527.623776
IRR 1604584.79479
ISK 141.209394
JEP 0.856451
JMD 185.07865
JOD 0.827648
JPY 185.884848
KES 151.084766
KGS 102.081325
KHR 4719.455571
KMF 493.77205
KPW 1050.57965
KRW 1615.364885
KWD 0.360197
KYD 0.971788
KZT 533.948405
LAK 26172.980727
LBP 104425.653624
LKR 383.015816
LRD 211.645585
LSL 18.652448
LTL 3.446764
LVL 0.706094
LYD 7.383148
MAD 10.775357
MDL 20.150675
MGA 4990.424313
MKD 61.521856
MMK 2451.084129
MNT 4198.275285
MOP 9.414714
MRU 46.757606
MUR 54.595383
MVR 18.046666
MWK 2022.066738
MXN 19.782981
MYR 4.716053
MZN 74.596975
NAD 18.652448
NGN 1571.911262
NIO 42.915049
NOK 10.880832
NPR 177.934474
NZD 1.954066
OMR 0.448831
PAB 1.166165
PEN 3.913649
PGK 5.170404
PHP 71.920912
PKR 323.50958
PLN 4.303482
PYG 6990.193622
QAR 4.25091
RON 5.256752
RSD 117.296015
RUB 97.645083
RWF 1718.90171
SAR 4.382697
SBD 9.3611
SCR 16.062454
SDG 702.137104
SEK 11.038898
SGD 1.48162
SHP 0.864821
SLE 28.773862
SLL 24477.913292
SOS 666.423122
SRD 44.26676
STD 24160.967267
STN 24.497174
SVC 10.203823
SYP 15177.368943
SZL 18.650848
THB 38.182828
TJS 10.75156
TMT 4.097259
TND 3.397908
TOP 2.810603
TRY 56.169457
TTD 7.922086
TWD 37.186773
TZS 3093.370102
UAH 52.10009
UGX 4349.498249
USD 1.16731
UYU 46.874593
UZS 13733.415735
VES 914.800628
VND 30480.807623
VUV 138.094437
WST 3.170349
XAF 655.881339
XAG 0.016967
XAU 0.000251
XCD 3.154715
XCG 2.101658
XDR 0.825349
XOF 655.881339
XPF 119.331742
YER 276.774218
ZAR 18.59676
ZMK 10507.191229
ZMW 22.208438
ZWL 375.873454
Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia
Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia / foto: Genya SAVILOV - AFP

Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia

Dezenas de milhares de civis e centenas de milhares de soldados morreram desde o início da invasão russa da Ucrânia, há quatro anos.

Tamanho do texto:

Milhões de ucranianos foram forçados a fugir de suas casas para escapar dos combates e, na Rússia, centenas de pessoas que se opuseram ao conflito receberam duras sentenças ou foram obrigadas a deixar o país para evitar perseguição.

No quarto aniversário do início do conflito, a AFP reconstrói quatro histórias que retratam o impacto da guerra: o assassinato de uma família inteira, a vida de um soldado ucraniano amputado, um humorista pró-Kremlin e uma ativista russa contra a guerra.

- Uma família destruída -

Kira tinha quatro meses de idade, sua mãe, Valeria, 28 anos, e sua avó, Lyudmila, 54, quando um míssil russo atingiu sua casa em Odessa, no sul da Ucrânia, em abril de 2022.

Em segundos, o impacto dizimou três gerações dessa família. O pai de Kira, Yurii Glodan, estava fazendo compras no momento da tragédia. Imagens posteriores mostram o homem desesperado vasculhando os escombros do que um dia fora sua casa.

Após perder sua família, Yurii — um advogado que trocou o terno por um emprego em uma padaria em Odessa — alistou-se no exército em março de 2023.

Ele morreu ainda naquele ano, alguns meses depois, em setembro, perto de Bakhmut, na frente oriental, em uma das batalhas mais ferozes do conflito.

A história da família Glodan tornou-se um símbolo do sofrimento dos civis ucranianos desde o início da invasão.

"Existem centenas de histórias como essa por todo o país", disse Alla Koroliova, a melhor amiga de Valeria, em entrevista à AFP em Odessa, em fevereiro de 2026.

Ela "era um raio de sol. Adorava Odessa, a cultura ucraniana, a ópera", disse a amiga. Ela ainda guarda fotos de Kira em seu celular, enviadas pela amiga. Um bebê que ela nunca chegou a conhecer.

- O amputado que quer combater -

Volodimir completou 32 anos no dia em que a Rússia lançou sua invasão. Quatro anos depois, apesar de ter perdido uma perna e um antebraço em um bombardeio enquanto servia no exército, quer voltar ao combate.

A AFP o entrevistou na região nordeste de Kharkiv alguns meses antes de sua grave lesão. Ele afirmou na ocasião que os drones acertam seus alvos em 90% das vezes, "se o piloto for bom".

Em janeiro de 2026, Volodimir relembra o trauma do ferimento. "Levantei a cabeça de onde estava deitado, olhei para minha perna e um cara (...) estava serrando-a", recordou.

Ele passou por 21 cirurgias em um mês: "Quase todos os dias, exceto sábado, dia de descanso para muitos médicos".

Volodimir, agora com uma prótese na perna, conversou com a AFP durante um torneio de futsal em Pavlograd, cidade onde jogava antes do acidente. Ele se move com facilidade e sem muletas.

Determinado a se alistar novamente, este homem sorridente está passando por um treinamento de reciclagem há 18 meses. Ele quer voltar para seus "irmãos de armas", mas em uma posição mais distante da linha de frente.

Apesar de sua determinação em lutar, Volodimir espera que um acordo seja alcançado para pôr fim à guerra. "Há dois anos, estávamos firmemente convencidos de que poderíamos retornar às fronteiras de 1991", com a Península da Crimeia e o leste da Ucrânia sob o controle de Kiev.

"Mas agora, depois de estar no exército e ter visto tudo isso em primeira mão, entendo que o preço a pagar pelas fronteiras de 1991 será muito alto", admite.

- O comediante oportunista -

Na década de 1990, o comediante Andrey Bocharov, também conhecido como "Bocharik", personificou o "filhinho da mamãe" para milhões de russos em uma série de televisão cult.

A guerra permitiu que ele redirecionasse sua carreira, que estava estagnada. Este siberiano havia se tornado uma estrela da série "33 m²", na qual interpretava o membro mais jovem de uma família e encantava o público com seus tropeços e expressões ingênuas.

Mais tarde, essa estrela da telinha, que personificou aqueles anos em que a Rússia ria de suas imperfeições, passou por um período de declínio.

Em 24 de fevereiro de 2022, relançou sua carreira. Em um momento em que a sociedade russa estava dividida em campos irreconciliáveis entre apoiadores e opositores da guerra, Bocharov — agora com 59 anos — escolheu sem hesitar "sua pátria e suas raízes".

Em suas publicações e podcasts, demonstra um patriotismo fervoroso, denuncia todas as críticas à ofensiva e ataca com sarcasmo mordaz aqueles que fugiram do país em protesto, para evitar represálias ou o recrutamento para o exército.

Seguido por mais de 350 mil inscritos em seus canais no Telegram e na rede social russa VK, Bocharik encontrou uma plataforma midiática para suas críticas a um Ocidente "decadente".

Todas as sextas-feiras, apresenta um programa na rádio estatal Sputnik.

Ao contrário de muitos de seus colegas que se exilaram, Bocharik levanta a voz para defender os interesses nacionais e os "valores tradicionais", que se tornaram obrigatórios para os "verdadeiros patriotas".

"Somos os primeiros porque temos alma e não apenas dinheiro, e nossos soldados na linha de frente provam isso todos os dias", afirma na Sputnik, comparando a Rússia e o Ocidente.

"A Rússia sempre vence: somos russos e o borscht está conosco!", repete em tom de brincadeira, referindo-se à sopa tradicional cuja origem é disputada por russos e ucranianos.

- Opositora silenciosa -

Em 24 de fevereiro de 2022, Varvara (nome fictício) participou de uma manifestação em Moscou contra a guerra. Depois disso, perdeu o emprego em um órgão público por assinar uma petição contra o conflito.

Ela contou à AFP que, quando foi à manifestação naquele dia, teve "uma vaga sensação de não saber o que ia acontecer". Avisou alguns amigos de que poderia ser presa, deixou uma chave reserva e esperava que seu gato "não morresse de fome" em sua ausência. Escapou de ser processada.

Nos primeiros dias da invasão, a Rússia adotou uma censura militar draconiana. Centenas de pessoas foram condenadas a longas penas de prisão e milhares receberam multas ou penas curtas de prisão.

Vários amigos de Varvara deixaram o país. Ela considerou fazer o mesmo, mas não o fez. "Eu não sabia como, nem para onde, nem como ia viver".

A visita da polícia que ela tanto temia nunca aconteceu. Ela encontrou um novo emprego em uma instituição de caridade.

Ela conta que, após a invasão, levou dois anos para voltar a sentir alegria sem culpa: "Eu e uma amiga fomos passear. Era verão, e de repente percebi que era simplesmente um dia lindo e que eu não queria me sentir culpada por aproveitá-lo".

Ela agora é casada e quer ter filhos. Por isso, não quer correr o risco de ser presa e evita se manifestar publicamente. Assim como ela, a maioria dos russos que se opõem ao conflito permanece em silêncio.

A guerra ainda pesa muito em sua vida. Seu pai, membro das forças de segurança, serviu na Ucrânia. Ela o ama, e ele lhe oferece ajuda financeira regularmente, mas ela sempre recusa.

Varvara não acredita que seja possível mudar o regime russo na situação atual. "Qualquer resistência que venha de baixo será esmagada. Só espero que sobrevivamos a tudo isso, fisicamente", disse.

burx/jc-rco/pop/ial/an-mas/erl/jc/aa

W.O.Ludwig--NZN