Zürcher Nachrichten - Trump nega que esteja 'desesperado' por fechar acordo com o Irã

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Trump nega que esteja 'desesperado' por fechar acordo com o Irã

Trump nega que esteja 'desesperado' por fechar acordo com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (26) que esteja desesperado para alcançar um acordo que ponha fim à guerra no Oriente Médio e afirmou que o Irã está disposto a negociar, apesar da fria recepção ao seu plano de paz.

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Seu enviado especial Steve Witkoff disse que existem "fortes indícios" sobre a "possibilidade" de um acordo com os iranianos e confirmou que Washington submeteu ao Irã um plano de cessar-fogo em 15 pontos, por meio do Paquistão, que atua como mediador.

Trump rejeitou que esteja buscando uma rota de fuga, enquanto os preços do petróleo disparam e aumenta a pressão política para evitar o tipo de guerra prolongada no Oriente Médio que ele próprio menosprezou no passado.

"Hoje li uma notícia que dizia que estou desesperado para conseguir um acordo", disse Trump a jornalistas em sua primeira reunião de gabinete desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. "É exatamente o contrário. Não me importo", assegurou.

Durante a reunião televisionada de 90 minutos na Casa Branca, o republicano oscilou entre reiteradas ameaças de "aniquilar" o Irã e afirmações de que o país estava à beira da capitulação.

"Eles querem chegar a um acordo. A razão pela qual querem chegar a um acordo é que o país ficou todo ferrado", declarou.

"Calculamos que levaria aproximadamente de quatro a seis semanas para cumprir nossa missão. No vigésimo sexto dia, estamos extremamente, realmente, muito avançados", ressaltou.

Em sua plataforma Truth Social, Trump havia exortado os iranianos a levarem "a sério" as negociações "antes que seja tarde demais".

O presidente também revelou qual é o misterioso "presente" iraniano que mencionou pela primeira vez na terça-feira: Teerã prometeu permitir a passagem de "oito grandes petroleiros" e acabou deixando passar "dez navios". Um gesto que, segundo Trump, demonstra que Washington "negocia com as pessoas certas" no Irã.

Mas, no terreno, os combates continuam e Washington deixa todas as portas abertas, a ponto de Trump considerar uma "opção" assumir o controle do petróleo iraniano ao término da guerra.

Oficialmente, o Irã nega as negociações para pôr fim ao conflito bélico, mas extraoficialmente vazam informações contrárias.

A agência iraniana Tasnim, citando uma fonte anônima, afirma que a república islâmica respondeu a uma proposta americana de 15 pontos para encerrar a guerra, transmitida pelo Paquistão, e agora espera "que a outra parte se pronuncie".

Segundo a fonte citada pela Tasnim, o Irã respondeu com uma contraproposta de cinco pontos.

- Cinco condições -

As cinco condições são: o fim da "agressão", o estabelecimento de um mecanismo que garanta que nem Israel nem os Estados Unidos retomem a guerra, uma compensação financeira e o fim das hostilidades em todas as frentes — o que implicaria que Israel deixe de combater o Hezbollah no Líbano e, possivelmente, o Hamas em Gaza.

A fonte também afirmou que o Irã busca o reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.

O conteúdo exato do plano americano é desconhecido.

A abertura dos Estados Unidos para um acordo contrasta com Israel, que está determinado a continuar sua ofensiva.

Israel anunciou ter "eliminado", em um ataque aéreo, o chefe da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Alireza Tangsiri, acusado de ser "diretamente responsável" pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que elevou o preço do petróleo e ameaça a economia mundial.

Desde o início do conflito, Israel anunciou a morte de vários altos dirigentes iranianos, incluindo o ex-líder supremo Ali Khamenei.

- Ataques em "grande escala" -

O Irã, sob bombardeios quase diários, foi alvo nesta quinta-feira do que o Exército israelense descreveu como "uma série de ataques em grande escala".

Em Qeshm, uma ilha iraniana no Golfo, um habitante relatou à AFP, via Telegram, suas dúvidas sobre a guerra.

"Não acredito que a guerra seja a solução para essas condições, mas encerrá-la também não mudará muito para nós", afirmou Sadeq, de 42 anos. "Nossa maior guerra é com a república islâmica".

O Irã também atacou países do Golfo que acusa de servirem como plataformas de lançamento para os ataques americanos.

Nesta quinta-feira, foram registradas duas mortes por destroços de um míssil balístico iraniano interceptado perto de Abu Dhabi, e houve lançamentos de drones contra a Arábia Saudita e o Kuwait.

Como todos os dias, os preços do petróleo oscilam em função das notícias. Desta vez, as mensagens vacilantes sobre as negociações os impulsionaram para cima.

Em outra frente, o Líbano, arrastado para a guerra em 2 de março após ataques do Hezbollah contra Israel, os bombardeios continuam, com pelo menos cinco mortos.

O Exército israelense anunciou a morte de dois soldados no sul do Líbano e estima que precisa enviar mais militares para esse front.

Segundo dados do governo libanês, 1.094 pessoas morreram desde a retomada da guerra, entre elas 121 crianças.

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T.L.Marti--NZN