Zürcher Nachrichten - Mutilação genital, uma tragédia silenciosa para crianças indígenas na Colômbia

EUR -
AED 4.114832
AFN 72.82921
ALL 91.604903
AMD 405.522397
ANG 2.006002
AOA 1028.567112
ARS 1700.646865
AUD 1.608445
AWG 2.016797
AZN 1.909201
BAM 1.955264
BBD 2.256782
BDT 138.162147
BGN 1.8862
BHD 0.423284
BIF 3352.581483
BMD 1.120443
BND 1.434807
BOB 13.270647
BRL 5.591912
BSD 1.120493
BTN 108.324322
BWP 15.414777
BYN 3.408666
BYR 21960.683364
BZD 2.253583
CAD 1.597981
CDF 2588.223802
CHF 0.929592
CLF 0.027723
CLP 1094.639669
CNY 7.498173
CNH 7.493191
COP 3580.140405
CRC 511.259929
CUC 1.120443
CUP 26.892632
CVE 110.64419
CZK 24.384542
DJF 199.535333
DKK 7.476273
DOP 67.911394
DZD 150.950644
EGP 58.714914
ERN 16.806645
ETB 182.050423
FJD 2.517916
FKP 0.846731
GBP 0.84616
GEL 2.902385
GGP 0.846731
GHS 13.188051
GIP 0.846731
GMD 82.356877
GNF 9857.299366
GTQ 8.565468
GYD 234.331291
HKD 8.793802
HNL 30.07676
HRK 7.535656
HTG 146.7298
HUF 364.995955
IDR 20046.294405
ILS 3.432433
IMP 0.846731
INR 108.431439
IQD 1697.534921
IRR 1993794.756851
ISK 136.862548
JEP 0.846731
JMD 177.841276
JOD 0.794438
JPY 177.349369
KES 145.320186
KGS 97.983173
KHR 4549.75349
KMF 492.995325
KPW 1008.399082
KRW 1501.887083
KWD 0.348413
KYD 0.933744
KZT 509.170501
LAK 25127.115847
LBP 100341.809048
LKR 370.738428
LRD 191.607505
LSL 18.538521
LTL 3.308377
LVL 0.677745
LYD 7.205026
MAD 11.017881
MDL 20.090496
MGA 4996.631058
MKD 61.558135
MMK 2352.721168
MNT 4028.117652
MOP 9.057019
MRU 44.776732
MUR 53.17665
MVR 17.311269
MWK 1942.967679
MXN 20.631954
MYR 4.577574
MZN 71.607937
NAD 18.538521
NGN 1489.06917
NIO 41.238702
NOK 10.713008
NPR 173.318515
NZD 1.998472
OMR 0.431082
PAB 1.120493
PEN 3.842747
PGK 5.080608
PHP 70.302241
PKR 310.28559
PLN 4.388668
PYG 6373.2539
QAR 4.078831
RON 5.340074
RSD 117.34785
RUB 95.416458
RWF 1651.647493
SAR 4.203761
SBD 9.051019
SCR 16.442544
SDG 673.9506
SEK 11.203538
SGD 1.433499
SHP 0.846576
SLE 27.641745
SLL 23495.120995
SOS 640.324568
SRD 42.232303
STD 23190.908531
STN 24.493289
SVC 9.804314
SYP 14568.000545
SZL 18.534922
THB 37.594267
TJS 10.308676
TMT 3.932755
TND 3.371982
TOP 2.697758
TRY 55.149667
TTD 7.611915
TWD 35.810932
TZS 2958.289508
UAH 50.326412
UGX 4581.192898
USD 1.120443
UYU 45.001847
UZS 13334.346748
VES 981.173757
VND 29018.914224
VUV 133.748795
WST 3.121002
XAF 655.957
XAG 0.018422
XAU 0.00026713469
XCD 3.028054
XCG 2.019447
XDR 0.792211
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 264.652664
ZAR 18.509775
ZMK 10085.335807
ZMW 22.269899
ZWL 360.782198
SSP 6450.986431
MXV 2.330891
Mutilação genital, uma tragédia silenciosa para crianças indígenas na Colômbia
Mutilação genital, uma tragédia silenciosa para crianças indígenas na Colômbia / foto: Diana SANCHEZ - AFP

Mutilação genital, uma tragédia silenciosa para crianças indígenas na Colômbia

Alejandrina Guasorna só descobriu já adulta que ao nascer tinha sido submetida a uma mutilação genital, prática pouco conhecida na Colômbia que persiste em algumas comunidades indígenas e que provocou a morte de muitas bebês por hemorragia ou infecções.

Tamanho do texto:

Nas montanhas cafeeiras do departamento de Risaralda (oeste), território ancestral dos povos Embera Chamí e Katío, a ablação do clitóris afeta centenas de meninas.

Embora a origem do costume não seja conhecida com certeza, acredita-se que esteja ligado a crenças enraizadas na África e transmitidas para algumas comunidades indígenas durante o colonialismo.

Em quartos fechados, as parteiras usam uma navalha ou um prego em água fervente. Assim, realizam a mutilação genital em recém-nascidas, contam à AFP mulheres do território indígena Embera Chamí de Pueblo Rico, território sob jurisdição indígena.

Guasorna soube que havia sido vítima da mutilação quando começou a ouvir rumores. Falar sobre o assunto é um tabu, embora tenha crescido rodeada de mulheres ligadas a esta prática.

"Traziam meninas mortas a todo momento". Pensávamos "que era normal", conta esta agricultora de 74 anos que atuava como parteira, principalmente para mulheres de sua família, mas que não realizava mutilações genitais.

Para erradicar a prática, algumas líderes Embera e parlamentares apresentaram pela primeira vez um projeto de lei que está sendo discutido atualmente no Congresso.

Seu objetivo é proibir a mutilação, embora sem penas de prisão para as parteiras, que são consideradas vítimas da "falta de informação".

A iniciativa contempla especialmente planos de prevenção. Não enfrenta oposição, mas corre contra o relógio: precisa passar por seu último debate no Senado antes de 20 de junho, quando termina o período legislativo.

Apenas entre 2020 e 2025 foram realizadas 204 mutilações genitais na Colômbia, único país da América Latina onde são praticadas, segundo a ONG Equality Now. Oficialmente, não existem dados consolidados.

- Enterradas sem registro -

Nas comunidades onde são realizadas, ainda se acredita que as meninas sem mutilação serão "fáceis" com os homens ou que o clitóris crescerá até se transformar em um pênis, explicam as Embera.

Sem este órgão, cuja função é o prazer, as relações sexuais são, às vezes, associadas ao sofrimento.

Etelbina Queragama tem o rosto adornado com desenhos tradicionais. Esta dona de casa de 63 anos conta que "nunca" sentiu "nada" durante as relações sexuais, apenas "dores". Um de seus sete filhos traduz suas palavras do embera para o espanhol.

A remoção total ou parcial do clitóris provoca graves danos à saúde, pode causar a morte e viola os direitos fundamentais das meninas, segundo a OMS.

A distância das comunidades e o sigilo que envolve a mutilação genital dificultam a contagem dos casos na Colômbia.

"Há uma subnotificação incrível", explica Sarita Patiño, médica de um dos hospitais que recebe mais casos de ablação, em Pueblo Rico. Este ano, o total já chega a seis.

Ela atendeu a última em fevereiro: uma bebê de seis meses que chegou com febre.

"A menina tinha uma mutilação no clitóris, parecia pequena, como se fosse uma queimadura", relata.

Francia Giraldo, líder Embera, diz que muitas meninas morrem sem sequer chegar ao hospital, sem registro de nascimento, nem de óbito.

Elas "sangram até morrer" e "algumas (mães) não as levam ao hospital, as enterram", disse.

Giraldo foi a primeira mulher governadora de sua comunidade e é um dos rostos mais visíveis do projeto de lei.

Seu desejo é que "mulheres que defendem os direitos das mulheres" cheguem aos territórios mais remotos para sensibilizar contra a mutilação.

- Silêncio -

Ao abordar o tema, muitas desviam o olhar ou se calam, visivelmente desconfortáveis.

Sob a jurisdição indígena, a mutilação é punida com o cepo (um instrumento de tortura física), mas os casos são mantidos em sigilo.

Para Carolina Giraldo, congressista criadora do projeto de lei e historiadora, a teoria mais sólida sustenta que a prática veio da África, onde, segundo a ONU, ocorre em 33 países.

O órgão calculou, em 2024, que haviam 230 milhões de mulheres submetidas à mutilação.

Estas características culturais "ficaram aqui primeiro na população afro, mas depois também foram transmitidas à população indígena", afirma.

Francia Giraldo alega que as parteiras apenas seguem um costume e defende um plano estatal de formação pedagógica nas comunidades indígenas.

"Me dói muito quando somos rotuladas como assassinas, como ignorantes", afirma.

als/das/vd/mar/mel/lbc/rm/lm/mvv

I.Widmer--NZN