Zürcher Nachrichten - Líderes progressistas se reúnem em Barcelona para 'proteger' a democracia

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Líderes progressistas se reúnem em Barcelona para 'proteger' a democracia
Líderes progressistas se reúnem em Barcelona para 'proteger' a democracia / foto: Oscar DEL POZO - AFP

Líderes progressistas se reúnem em Barcelona para 'proteger' a democracia

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou neste sábado (17) que é necessário trabalhar para "proteger e fortalecer" a democracia em uma reunião de líderes internacionais de esquerda em Barcelona, onde a presença da presidente Claudia Sheinbaum evidenciou o degelo nas relações entre Espanha e México.

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"O contexto é claro, a democracia não pode ser considerada como algo garantido. Vemos ataques ao sistema multilateral, uma tentativa após outra de contestar as regras do Direito Internacional e uma perigosa normalização do uso da força", declarou Sánchez durante o discurso de abertura da IV Reunião em Defesa da Democracia.

Diante dos líderes internacionais presentes – como o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o sul-africano Cyril Ramaphosa e o colombiano Gustavo Petro –, o espanhol destacou a disposição dos participantes em "fazer o que for necessário para proteger e fortalecer o sistema democrático".

A quarta edição do fórum, impulsionado em 2024 por Brasil e Espanha, coincide com uma reunião de líderes e simpatizantes da extrema direita europeia em Milão.

"Não basta resistir, temos que propor", acrescentou Sánchez, para quem também chegou o momento de que a ONU "seja renovada, reformada" e "dirigida por uma mulher".

Entre as lideranças mais aguardadas em Barcelona estava a presidente do México, Claudia Sheimbaum, que faz sua primeira viagem ao continente europeu desde que assumiu o cargo em outubro de 2024.

Sua presença também representa um novo passo no avanço das relações entre os dois países, que entraram em um período de tensão com a exigência mexicana de desculpas pela conquista espanhola das Américas.

Após os atritos diplomáticos recentes, os dois governos adotaram gestos de distensão nos últimos meses. O rei Felipe VI da Espanha reconheceu em março que houve abusos durante a conquista.

"Não há crise diplomática, nunca houve. O que é muito importante é que se reconheça a força dos povos originários para a nossa pátria", declarou Sheinbaum antes da reunião.

- "Alternativa" -

Durante o evento, a presidente mexicana fez uma defesa de seu país na qual não faltaram referências às relações históricas com a Espanha.

"Venho de um povo que reconhece sua origem nas grandes culturas originárias, aquelas que foram caladas, escravizadas e saqueadas, mas que nunca foram derrotadas, porque há memórias que não se conquistam e raízes que nunca se arrancam", afirmou Sheinbaum.

Ela também anunciou que o México será a sede da próxima Reunião em Defesa da Democracia e propôs que a atual edição aprove "uma declaração contra a intervenção militar em Cuba".

O encontro, promovido por dois líderes que se destacaram no cenário global por posicionamentos frequentemente contrários às políticas do presidente americano Donald Trump, não quer ser considerado uma reunião anti-Trump, segundo o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

"É uma cúpula por uma alternativa no mundo, a favor, não contra. Trata-se de uma espécie de farol que, em meio à confusão, ao equívoco e à desordem global perigosa para toda a humanidade, traça uma linha, uma espécie de flecha que segue um rumo, o rumo da vida, não o rumo da morte", afirmou antes da reunião.

O encontro coincide também com o fórum 'Global Progressive Mobilisation' (GPM), uma reunião de forças de esquerda, movimentos sindicais e pensadores que acontece paralelamente em Barcelona.

Na sessão de encerramento, neste sábado, devem discursar, entre outros, Sánchez – que também é presidente da Internacional Socialista – e Lula.

Com as reuniões, o chefe de Governo espanhol reforça sua oposição a Trump, com quem polemizou pelos gastos militares e a guerra no Irã, e ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alvo de suas duras críticas, primeiro pela guerra em Gaza e depois pelo conflito no Líbano.

N.Fischer--NZN