Zürcher Nachrichten - Bolívia entra na quarta semana de protestos, que presidente tenta acalmar reduzindo seu salário

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Bolívia entra na quarta semana de protestos, que presidente tenta acalmar reduzindo seu salário
Bolívia entra na quarta semana de protestos, que presidente tenta acalmar reduzindo seu salário / foto: Marvin RECINOS - AFP

Bolívia entra na quarta semana de protestos, que presidente tenta acalmar reduzindo seu salário

Milhares de manifestantes marcham nesta segunda-feira (25) na capital política da Bolívia para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que anunciou que reduzirá seu salário à metade em uma tentativa de acalmar os protestos que entraram em sua quarta semana.

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O mandatário de centro-direita, de 58 anos, enfrenta o maior protesto social de sua breve gestão, iniciada em novembro, devido à crise econômica no país andino, a pior das últimas quatro décadas.

Milhares de moradores, garimpeiros, agricultores e operários de fábrica desfilaram pelas ruas e avenidas de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo. "O povo está enfurecido!", gritam alguns manifestantes.

Os manifestantes rejeitam a política econômica liberal de Paz, exigem aumentos salariais e o responsabilizam pela distribuição de gasolina de má qualidade que danificou milhares de veículos.

"O que queremos? Que renuncie! Quando? Agora!", grita a multidão que detonou fogos de artifício enquanto seguiam a La Paz da cidade vizinha de El Alto, constataram jornalistas da AFP.

Os protestos começaram no início de maio com um chamado à greve da Central Operária Boliviana (COB), o maior sindicato do país, e bloqueios de estradas que já chegam a cerca de cinquenta pontos do território.

A escassez de alimentos, remédios e gasolina afeta principalmente La Paz e sua vizinha El Alto. Em outras cidades, como Oruro (oeste), Potosí (sudoeste) e Cochabamba (centro), o problema é menor.

- "Estamos com raiva!" -

No sábado houve confrontos quando policiais e militares tentaram, sem sucesso, abrir uma entrada para La Paz e El Alto para comboios com gasolina, medicamentos e alimentos. Eles foram barrados por civis que usaram pedras e paus.

"Este governo está nos massacrando, está nos discriminando", diz Julia Ramírez, agricultora aimará de 57 anos. Félix Mamani, garimpeiro de 27 anos, afirma à AFP: "estamos com raiva, porque o governo Paz mentiu para nós".

Os manifestantes chegaram ao centro de La Paz, mas o acesso à Plaza de Armas foi cercado por centenas de policiais antichoque. Há várias barricadas de agentes fardados nas ruas de acesso, com grades metálicas, cercas e correntes.

Vendedores ambulantes comercializam máscaras e vinagre, para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo lançado nas marchas da semana passada.

- Diálogo e salários -

Em um discurso que pronunciou na cidade de Sucre (sul), em um aniversário cívico, o presidente anunciou que reduzirá à metade o seu salário e o de seus ministros.

A medida é quase simbólica. A renda mensal do chefe de Estado é de cerca de 24.000 bolivianos (17.262 reais) e sua redução não está entre as reivindicações dos manifestantes.

O presidente voltou a convocar nesta segunda-feira as organizações que lideram os protestos ao diálogo, mas descartou conversar com radicais que usem a violência. "Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode abusar de nós e faremos cumprir claramente a Constituição", advertiu.

O governo boliviano denunciou que essas mobilizações buscam "alterar a ordem democrática" e acusou o ex-presidente socialista Evo Morales, foragido por um caso de suposta exploração de uma menor, de instigá-las.

O líder cocaleiro instou o governo no domingo a convocar novas eleições em 90 dias.

No domingo, Paz deveria iniciar um diálogo com um sindicato de agricultores, mas a reunião não se realizou devido aos confrontos com a polícia no sábado.

A comunidade internacional, com os Estados Unidos à frente, expressou firme apoio à democracia boliviana.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse na semana passada que os Estados Unidos não permitirão "que criminosos e narcotraficantes derrubem líderes eleitos democraticamente".

A.Wyss--NZN