Israel matou novo chefe do braço armado do Hamas
Israel anunciou, nesta quarta-feira (27), que matou o novo chefe do braço armado do Hamas em Gaza, Mohammed Odeh, depois de eliminar seu antecessor há algumas semanas, em pleno cessar-fogo.
Desde o ataque devastador do Hamas em 7 de outubro de 2023, Israel visa sistematicamente os líderes do grupo, em Gaza e no restante da região.
Odeh é o quarto chefe das Brigadas Ezzedin al-Qassam que Israel afirma ter eliminado desde o início da guerra em Gaza.
Em um comunicado conjunto, o Exército israelense e a agência de segurança interna Shin Bet anunciaram a morte de Mohammed Odeh. Segundo a nota, ele havia sido nomeado chefe das brigadas após o assassinato de Ezzedin al-Haddad em 15 de maio.
Tanto o Hamas quanto seu braço armado confirmaram o falecimento, ocorrido na Cidade de Gaza.
O braço armado do movimento islamista palestino afirmou que Odeh, a quem descreveu como o "chefe do Estado-Maior das Brigadas Ezzedin al-Qassam", foi alvo de "um assassinato covarde que resultou em seu martírio, bem como no de sua esposa e de seus filhos".
Nesta quarta-feira, o funeral dos quatro foi realizado na Cidade de Gaza, com a presença de centenas de pessoas, conforme observou um jornalista da AFP.
Os quatro corpos foram envoltos em bandeiras do Hamas e um fuzil AK-47 foi colocado sobre o caixão de Odeh. Uma multidão o carregou até a mesquita para o funeral.
Recordando que Odeh foi morto durante o festival muçulmano de Eid al-Adha, Basem Abu Odeh, seu primo, disse à AFP que o falecido e sua família "estavam prontos para celebrar o Eid, mas em vez disso, os sionistas criminosos (...) os alvejaram com mísseis".
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Odeh foi "enviado para se reunir com seus companheiros nas profundezas do inferno".
Até agora, o Hamas nunca havia anunciado oficialmente Odeh como chefe das brigadas, mas ele estava há muito tempo no comando do serviço de inteligência e era uma das figuras de maior hierarquia do grupo que permanecia na Faixa de Gaza.
- "Marcados para morrer" -
"Nos comprometemos a eliminar todos os que lideraram o massacre de 7 de outubro, e é isso que vamos fazer: todos estão marcados para morrer, onde quer que estejam", escreveu Katz na rede social X, em referência aos ataques do Hamas em 2023 que desencadearam a guerra em Gaza.
O ministro da Defesa reiterou o objetivo de Israel de acabar com o governo do Hamas no território palestino e mencionou um plano para o deslocamento de seus moradores.
"O plano para a migração voluntária a partir de Gaza também será implementado: tudo será feito no momento adequado e da maneira adequada", disse Katz.
O deslocamento dos habitantes de Gaza foi um projeto inicialmente apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas depois descartado pelo republicano.
Em fevereiro, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou planos "destinados a provocar uma mudança demográfica permanente em Gaza".
- Seis mortos nos últimos ataques -
Desde o início de um cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025, 910 pessoas morreram em ataques de Israel, segundo o Ministério da Saúde do território.
Mahmud Bassal, porta-voz da agência de Defesa Civil de Gaza, declarou à AFP que seis pessoas morreram em ataques israelenses no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza, na noite de terça-feira.
Israel mantém o controle de 60% da Faixa de Gaza, incluindo todos os pontos de entrada e saída, enquanto a população se concentra na costa.
Após o ataque do Hamas contra Israel em 2023, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se comprometeu a localizar e eliminar os líderes e comandantes do movimento.
A ofensiva do Hamas de outubro de 2023 provocou a morte de 1.221 pessoas em território israelense, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais do Estado hebreu.
A resposta de retaliação de Israel em Gaza deixou pelo menos 72.803 mortos, segundo o Ministério da Saúde do território, que atua sob a autoridade do Hamas.
Israel matou em Teerã o então chefe político do Hamas, Ismail Haniyeh, e Yahya Sinwar, líder do movimento em Gaza, amplamente considerado o cérebro do ataque de 7 de outubro.
Também matou Mohammed Deif, comandante por muitos anos do braço armado do Hamas, assim como Mohammed Sinwar, que sucedeu seu irmão Yahya como chefe em Gaza.
A.Weber--NZN