Zürcher Nachrichten - EUA anuncia restrição de vistos para mais de 100 membros do governo da Nicarágua

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EUA anuncia restrição de vistos para mais de 100 membros do governo da Nicarágua
EUA anuncia restrição de vistos para mais de 100 membros do governo da Nicarágua / foto: Handout - El 19 DIGITAL/AFP/Arquivos

EUA anuncia restrição de vistos para mais de 100 membros do governo da Nicarágua

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou, nesta segunda-feira (8), a restrição de vistos para mais de 100 membros do governo da Nicarágua e seus familiares, após a morte de Brooklyn Rivera, líder indígena e opositor nicaraguense.

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"Os Estados Unidos não vão ignorar a responsabilidade da ditadura de Murillo-Ortega na horrenda morte do preso político Brooklyn Rivera", afirmou Rubio em um comunicado, em alusão aos copresidentes do país centro-americano, Daniel Ortega e Rosario Murillo, no poder desde 2007.

Brooklyn Rivera, líder do povo miskito e ex-parlamentar, morreu em 31 de maio aos 73 anos em sua comunidade, após passar três anos na prisão, onde sua saúde se deteriorou de forma irreversível, admitiu o governo da Nicarágua.

Rivera foi detido pela polícia em 29 de setembro de 2023 em sua casa, no povoado caribenho de Bilwi. A organização Anistia Internacional o considerava um "preso de consciência".

"O governo Trump tomou medidas decisivas para impor restrições adicionais de visto para mais de 100 funcionários da ditadura e seus familiares. Com este novo conjunto de restrições, o governo dos Estados Unidos tomou medidas para impor restrições de visto para mais de 2.350 funcionários nicaraguenses e seus familiares", explicou o secretário de Estado americano.

Washington não divulgou a lista de afetados pela restrição de vistos.

O Departamento de Estado não é obrigado por lei a difundir a identidade dos sancionados, lembrou uma fonte oficial à AFP.

"Os vistos geralmente são confidenciais, de acordo com a lei americana", acrescentou esta fonte em um e-mail.

No entanto, o comunicado de Rubio menciona um alto funcionário nicaraguense: Lumberto Campbell Hooker, que já tinha sido sancionado em 2019 na qualidade de presidente interino do Conselho Supremo Eleitoral.

Na ocasião, os Estados Unidos impuseram restrições financeiras contra ele.

Hooker "participou diretamente da negação de atendimento médico para Brooklyn Rivera e impediu que sua família enterrasse seus restos" mortais, segundo o comunicado da imprensa, sem dizer claramente se esse membro do governo nicaraguense está entre os sancionados.

- Indignação internacional -

Washington endureceu as condições para a concessão de vistos de entrada aos EUA para cidadãos de vários países latino-americanos que considera hostis ou que não colaboram com sua política de linha-dura contra o crime organização, a migração ilegal ou supostas violações dos direitos humanos.

Em 17 de abril, o Departamento de Estado anunciou restrições de vistos para 26 pessoas da região, sem informar suas identidades.

Em fevereiro, anunciou sanções contra Roberto Clemente Guevara Gómez, diretor de um presídio de segurança máxima nicaraguense, por "grandes violações dos direitos humanos".

A morte do líder miskito gerou indignação na região e em organismos internacionais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma investigação "rápida, imparcial e transparente", e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos a condenou esta semana.

O governo de Ortega e Murillo na Nicarágua está na mira de Marco Rubio, em especial após os protestos multitudinários de 2018, reprimidos pelo regime.

"Os Estados Unidos estão do lado do povo nicaraguense que, como Rivera, aspira ver uma Nicarágua livre", conclui o comunicado do secretário de Estado americano.

D.Graf--NZN