Zürcher Nachrichten - Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de 'milícia terrorista'

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Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de 'milícia terrorista'
Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de 'milícia terrorista' / foto: Mohammed HUWAIS - AFP/Arquivos

Houthis acusam Arábia Saudita de ataques e rei os chama de 'milícia terrorista'

Os houthis do Iêmen acusaram nesta terça-feira a Arábia Saudita de realizar ataques contra um porto no Mar Vermelho, e foram chamados pelo rei Salman de "milícia terrorista" que tem como alvo a cidade sagrada de Meca.

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A tomada da costa iemenita do Mar Vermelho pelos houthis deixou centenas de mortos e desperta temores quanto ao comércio e à navegação mundial através do essencial Estreito de Bab el-Mandeb.

A ONU alertou hoje que o número de deslocados pode aumentar dos aproximadamente 130.000 atuais para mais de 230.000 nos próximos meses.

A conquista de território pelos houthis reforçou o Irã e seus aliados em duas rotas marítimas: Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz, ambas muito importantes para o trânsito de hidrocarbonetos.

A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen reconhecido por boa parte da comunidade internacional, tenta conter seu avanço.

O rei Salman da Arábia Saudita, que aos 90 anos não costuma aparecer em público, condenou "a nova tentativa da milícia terrorista houthi de atacar Meca" e considerou que se tratava de "uma provocação aos muçulmanos de todo o mundo", segundo a imprensa estatal.

Riade acusa os combatentes pró-Irã de terem realizado um ataque contra Meca nesta terça-feira.

A retomada das hostilidades no Iêmen afeta fortemente o principal exportador mundial de petróleo, com uma forte queda do tráfego em Bab el-Mandeb.

Esta via, que conecta a Europa à Ásia pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez, era fundamental para o reino desde que o Irã bloqueou Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

- Civis mortos no Iêmen -

Riade não conseguiu fazer com que os houthis recuassem, apesar dos bombardeios diários em áreas do Iêmen que controlam.

Ataques aéreos contra a cidade portuária de Moca mataram seis civis, incluindo duas crianças e uma mulher, segundo os combatentes pró-Irã.

Os houthis também anunciaram a morte de uma mulher e de seu filho em ataques no noroeste do país, assim como a de nove detentos em uma prisão.

Este grupo iemenita continua, por sua vez, com seus ataques ao reino saudita, afirmando ter como alvo infraestruturas energéticas e militares.

- Apoio de Paris e Londres -

Preocupado com uma "instabilidade econômica mundial", o G7 expressou sua "plena solidariedade" ao governo iemenita e à Arábia Saudita, e instou os houthis a cessar seus ataques.

Nesse contexto, uma fonte diplomática declarou à AFP que a França está "disposta a contribuir" para a segurança das infraestruturas energéticas. "Em nenhum caso se trata de participar do conflito com os houthis", afirmou.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, concordou em fornecer apoio logístico militar a Riade, segundo vários meios de comunicação.

O presidente do conselho presidencial iemenita, respaldado pelo governo saudita, pediu apoio aos Estados Unidos durante um telefonema com o presidente Donald Trump no domingo, assegurou na segunda-feira à AFP uma fonte de seu entorno.

Trump expressou sua solidariedade a Rachad al-Alimi, mas não prometeu apoio militar, acrescentou a fonte.

Segundo vários veículos, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato da Arábia Saudita, também pediu ao presidente americano que atacasse os houthis.

O enviado especial dos Estados Unidos Steve Witkoff reuniu-se hoje em Nova York com o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, paralelamente à Assembleia Geral da ONU. Segundo a agência de notícias estatal Irib, Araqchi disse a Witkoff que as exigências de Teerã incluem "o levantamento imediato do bloqueio naval americano a portos iranianos, o pagamento imediato de todos os ativos iranianos congelados e o fim da guerra em todas as frentes de resistência".

A guerra no Iêmen eclodiu em 2014, quando os houthis assumiram o controle da capital, Saná, e de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.

A.Senn--NZN