Zürcher Nachrichten - ‘Basta’: o clamor de indígenas pelo fim da exploração petrolífera na Amazônia equatoriana

EUR -
AED 4.222531
AFN 73.008395
ALL 93.878671
AMD 423.356686
ANG 2.058552
AOA 1054.917519
ARS 1651.91745
AUD 1.639507
AWG 2.069586
AZN 1.953626
BAM 1.937566
BBD 2.316897
BDT 141.212338
BGN 1.944124
BHD 0.433583
BIF 3438.96207
BMD 1.14977
BND 1.473731
BOB 7.977923
BRL 5.85325
BSD 1.150374
BTN 108.722855
BWP 15.413946
BYN 3.184829
BYR 22535.492
BZD 2.313627
CAD 1.621348
CDF 2667.466539
CHF 0.919989
CLF 0.025876
CLP 1018.420127
CNY 7.769514
CNH 7.791698
COP 3949.45995
CRC 523.969148
CUC 1.14977
CUP 30.468905
CVE 109.630659
CZK 23.917573
DJF 204.336971
DKK 7.400081
DOP 67.376457
DZD 152.780257
EGP 57.382948
ERN 17.24655
ETB 182.094848
FJD 2.568242
FKP 0.855574
GBP 0.865055
GEL 3.041141
GGP 0.855574
GHS 12.989756
GIP 0.855574
GMD 83.932847
GNF 10092.105043
GTQ 8.768559
GYD 240.635481
HKD 9.009488
HNL 30.695636
HRK 7.53791
HTG 150.236191
HUF 345.677939
IDR 20406.807822
ILS 3.3968
IMP 0.855574
INR 108.434231
IQD 1506.1987
IRR 1580933.749934
ISK 142.95094
JEP 0.855574
JMD 181.93786
JOD 0.815209
JPY 184.265588
KES 148.918415
KGS 100.547112
KHR 4613.444151
KMF 488.652034
KPW 1034.793402
KRW 1738.297018
KWD 0.354242
KYD 0.958678
KZT 560.995826
LAK 25329.432874
LBP 102961.903562
LKR 385.386641
LRD 209.43041
LSL 18.620362
LTL 3.394971
LVL 0.695484
LYD 7.329806
MAD 10.629644
MDL 20.074091
MGA 4829.033941
MKD 61.037423
MMK 2413.881132
MNT 4113.101912
MOP 9.281456
MRU 46.082833
MUR 54.188937
MVR 17.775725
MWK 1996.001016
MXN 19.912755
MYR 4.67359
MZN 73.472723
NAD 18.628478
NGN 1562.675001
NIO 42.093194
NOK 11.063203
NPR 173.955466
NZD 1.993533
OMR 0.442084
PAB 1.150374
PEN 3.923602
PGK 5.044904
PHP 69.415075
PKR 319.978906
PLN 4.193981
PYG 7019.938324
QAR 4.18574
RON 5.182055
RSD 116.208466
RUB 83.900495
RWF 1710.85776
SAR 4.313815
SBD 9.268784
SCR 16.229145
SDG 690.436107
SEK 10.942815
SGD 1.474039
SHP 0.858419
SLE 28.457143
SLL 24110.106228
SOS 657.102209
SRD 42.923244
STD 23797.917624
STN 24.605078
SVC 10.065367
SYP 127.08649
SZL 18.622687
THB 37.407193
TJS 10.663847
TMT 4.035693
TND 3.347843
TOP 2.768371
TRY 53.247545
TTD 7.814461
TWD 36.285019
TZS 3018.149665
UAH 51.519916
UGX 4255.94906
USD 1.14977
UYU 46.443345
UZS 13802.988686
VES 685.304768
VND 30268.84502
VUV 137.113321
WST 3.150041
XAF 649.841615
XAG 0.016919
XAU 0.00027
XCD 3.107311
XCG 2.073271
XDR 0.80909
XOF 649.620256
XPF 119.331742
YER 274.363895
ZAR 18.85421
ZMK 10349.317503
ZMW 20.332658
ZWL 370.225471
‘Basta’: o clamor de indígenas pelo fim da exploração petrolífera na Amazônia equatoriana
‘Basta’: o clamor de indígenas pelo fim da exploração petrolífera na Amazônia equatoriana / foto: Rodrigo BUENDIA - AFP

‘Basta’: o clamor de indígenas pelo fim da exploração petrolífera na Amazônia equatoriana

Uma mancha densa e oleosa cobre parte de um estuário na reserva protegida de Yasuní, na Amazônia equatoriana. Neste parque rico em diversidade, o povo indígena waorani clama pelo fim da exploração petrolífera.

Tamanho do texto:

"Já é hora de dizer basta, chega, já abusaram de nós", diz à AFP Ene Nenquimo, vice-presidente da organização Nacionalidade Waorani (Nawe).

Um derramamento de petróleo mancha a vegetação ao longo de uma estrada que leva à comunidade de Guiyero em Yasuní, lar dos waorani e povos nômades que vivem em isolamento voluntário.

"Lagartos grandes morreram", lamenta Pablo Ahua, de 44 anos e um dos quase 100 indígenas que vivem na pequena aldeia próxima a um dos muitos poços da reserva, de onde é extraído o ouro negro valioso para o cofre do Estado.

Em junho, a estatal Petroamazonas admitiu que o vazamento não quantificado de petróleo no bloco 16 (chamado Iro) contaminou fontes de água de várias comunidades e atingiu o rio Napo, um afluente do Amazonas.

No ano passado, um plebiscito ordenou ao governo a suspensão das atividades em outro bloco, o 43 (conhecido como ITT), que ocupa uma pequena parte do território de Yasuní; 59% votou para deixar centenas de milhões de barris de petróleo debaixo da terra indefinidamente. Mas muitos dos waorani sonham com uma floresta livre da exploração petrolífera.

O ITT começou a ser explorado em 2016 após o fracasso do plano do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017) de evitar a extração em troca de uma compensação internacional de 3,6 bilhões de dólares (R$ 20,2 bilhões na cotação atual).

- "Nos ajude" -

Na reserva, foram identificadas 600 espécies de aves, 220 de mamíferos, 120 de répteis e 120 de anfíbios, sendo considerada um dos lugares mais biodiversos do planeta.

Os waorani pedem o respeito ao mandato popular, considerado um exemplo mundial na luta contra a crise climática. O prazo para fechar os 247 poços do ITT, ainda em operação, venceu em agosto.

"Dizem que (o petróleo) é para o desenvolvimento das comunidades e não há desenvolvimento. O único legado é (...) o impacto ambiental", afirma Nenquimo.

Um grupo de jornalistas chegou a Guiyero, nas margens do rio Tiputini, que deságua no Napo.

Uma dúzia de indígenas cantava em sua língua wao terere para dar as boas-vindas. "Eles estão dizendo: nos ajude a continuar defendendo nosso território", traduz Freddy Nihua, líder dos wao de Orellana, uma das duas províncias de Yasuní.

Segundo ambientalistas, os vazamentos de petróleo ocorrem com muita frequência no parque, que possui um milhão de hectares e é uma reserva mundial da biosfera.

Os vazamentos deixam "um impacto imenso que ninguém pode remediar", acrescenta Nenquimo.

- Os "esquecidos" da floresta -

A Nawe, a maior organização waorani, estima em 4.000 sua população proprietária de cerca de 800.000 hectares na Amazônia, embora reivindique mais 1,2 milhão de hectares.

A Constituição reconhece que os povos originários "têm a propriedade coletiva da terra, como uma forma ancestral de organização territorial", mas mantém a competência do Estado sobre o subsolo.

"Não somos atendidos, somos esquecidos", ao faltar serviços essenciais como saúde, diz Nenquimo.

Com cerca de 17 milhões de habitantes, o Equador registrou em junho 25,5% de pobreza e 10,6% de pobreza extrema, que afeta principalmente as comunidades originárias.

Trabalhar para as petrolíferas é uma saída para alguns waorani, divididos frente a esta atividade que em 2023 gerou receitas de 7,8 bilhões de dólares (R$ 44 bilhões na cotação atual).

- "Goste ou não" -

O governo calcula que levará pelo menos cinco anos para interromper toda a produção no ITT, de cerca de 50.000 barris por dia (10% do total). O primeiro poço foi fechado em 28 de agosto.

Para Nenquimo, o Estado equatoriano "deve respeitar, goste ou não" o que foi decidido nas urnas. Ela sustenta que sua organização poderia "promover" o fechamento de outros blocos em operação em Yasuní.

O Equador estimou em 2023 perdas de 16,5 bilhões de dólares (R$ 93 bilhões) em duas décadas ao fechar o ITT, um dos cerca de 80 blocos na floresta. Os governos locais recebem contribuições dos fundos petrolíferos.

De acordo com Kevin Koenig, da ONG Amazon Watch, outro efeito da exploração de petróleo são as doenças. "Vemos (...) uma relação de pessoas que vivem perto de plataformas de exploração petrolífera, poços, com altos índices de câncer", afirma.

O ambientalista pede que os países desenvolvidos financiem a proteção ambiental com alternativas como o perdão de dívidas.

Por outro lado, Marcela Reinoso, ex-gerente da Petroamazonas, afirma que "um país que não tem energia nem sequer é atraente para investimentos".

O.Hofer--NZN