Zürcher Nachrichten - Brasil sufoca com juros Altos

EUR -
AED 4.242183
AFN 72.180509
ALL 95.08478
AMD 425.540869
ANG 2.067888
AOA 1060.242353
ARS 1665.429808
AUD 1.642535
AWG 2.081794
AZN 1.974129
BAM 1.952391
BBD 2.325359
BDT 141.923393
BGN 1.928671
BHD 0.435534
BIF 3448.67519
BMD 1.154948
BND 1.484421
BOB 7.978137
BRL 5.995223
BSD 1.154494
BTN 110.091704
BWP 15.616864
BYN 3.188859
BYR 22636.983831
BZD 2.322065
CAD 1.611107
CDF 2628.66185
CHF 0.921185
CLF 0.026909
CLP 1059.053311
CNY 7.822175
CNH 7.82728
COP 4133.328456
CRC 532.774248
CUC 1.154948
CUP 30.606126
CVE 110.470852
CZK 24.170872
DJF 205.257382
DKK 7.474443
DOP 67.275678
DZD 154.361132
EGP 59.728607
ERN 17.324222
ETB 186.136668
FJD 2.563179
FKP 0.865274
GBP 0.862891
GEL 3.072378
GGP 0.865274
GHS 13.629318
GIP 0.865274
GMD 83.72884
GNF 10113.426844
GTQ 8.800708
GYD 241.550281
HKD 9.05186
HNL 30.868152
HRK 7.534897
HTG 150.957695
HUF 356.063608
IDR 20755.573287
ILS 3.401969
IMP 0.865274
INR 110.184129
IQD 1512.471919
IRR 1588111.459759
ISK 143.421496
JEP 0.865274
JMD 182.311636
JOD 0.818855
JPY 185.216145
KES 149.426788
KGS 100.999869
KHR 4637.941084
KMF 493.162449
KPW 1039.286159
KRW 1765.072864
KWD 0.357191
KYD 0.962128
KZT 563.780372
LAK 25422.825135
LBP 103389.449824
LKR 389.662919
LRD 210.70388
LSL 18.992698
LTL 3.410262
LVL 0.698616
LYD 7.358151
MAD 10.671165
MDL 20.077114
MGA 4843.583758
MKD 61.642641
MMK 2424.436175
MNT 4133.187516
MOP 9.318907
MRU 46.100895
MUR 55.287679
MVR 17.844425
MWK 2002.021275
MXN 20.127742
MYR 4.691174
MZN 73.812514
NAD 18.989498
NGN 1570.33695
NIO 42.486176
NOK 10.969463
NPR 176.146926
NZD 1.984084
OMR 0.444095
PAB 1.154594
PEN 4.008834
PGK 5.053176
PHP 71.053556
PKR 321.280741
PLN 4.242298
PYG 7110.444327
QAR 4.20905
RON 5.238957
RSD 117.388725
RUB 83.127806
RWF 1690.562468
SAR 4.336136
SBD 9.295696
SCR 15.663572
SDG 693.556135
SEK 10.928345
SGD 1.486193
SHP 0.862285
SLE 28.409257
SLL 24218.687759
SOS 659.853434
SRD 43.280518
STD 23905.09497
STN 24.457502
SVC 10.102446
SYP 127.658842
SZL 18.988006
THB 38.005909
TJS 10.771883
TMT 4.042319
TND 3.393574
TOP 2.780838
TRY 53.264819
TTD 7.831392
TWD 36.511379
TZS 3014.41237
UAH 51.86513
UGX 4355.431973
USD 1.154948
UYU 46.738786
UZS 13880.880492
VES 649.756606
VND 30409.784911
VUV 137.767572
WST 3.171895
XAF 654.819182
XAG 0.017704
XAU 0.000271
XCD 3.121305
XCG 2.080784
XDR 0.818172
XOF 654.813522
XPF 119.331742
YER 275.599513
ZAR 19.07455
ZMK 10395.926536
ZMW 20.50537
ZWL 371.892835

Brasil sufoca com juros Altos




A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano consolidou o Brasil como um dos países com os maiores juros reais do mundo. O Comitê de Política Monetária argumenta que a medida é necessária para ancorar as expectativas e garantir a convergência da inflação à meta, mas o alto custo do crédito já afeta a vida das famílias e das empresas. Instituições financeiras, consultores e lideranças empresariais afirmam que o país “não aguenta mais” os juros no patamar atual e apontam que a política fiscal desordenada piora o quadro.

Cautela monetária e incerteza fiscal
O ambiente externo, marcado por tensões geopolíticas e políticas monetárias restritivas em economias avançadas, exige prudência de países emergentes. No cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue acima da meta de 3%, as expectativas de inflação para 2025 e 2026 permanecem desancoradas e o mercado de trabalho ainda está aquecido. Para o Banco Central, esses fatores justificam a manutenção de uma política contracionista por “período bastante prolongado”, uma vez que reduções prematuras poderiam desancorar expectativas e desvalorizar a moeda.

Economistas observam, no entanto, que a incerteza fiscal é determinante para a necessidade de juros elevados. A ausência de superávit primário consistente, o crescimento das despesas obrigatórias e o adiamento de reformas estruturais aumentam a percepção de risco dos investidores e dificultam a queda da Selic. Projeções oficiais apontam que a relação dívida/PIB, de 76,8% em 2025, pode ultrapassar 83% em 2026 e aproximar-se de 87% em 2027, patamar elevado para uma economia emergente.

O peso dos juros no setor público e privado
Com mais de 60% da dívida pública indexada à Selic e ao CDI, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa básica adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos com juros e dificulta o ajuste das contas públicas. Em 2025, o déficit nominal do setor público permaneceu próximo a 8% do PIB, enquanto a dívida bruta avançou de 75,7% para 76,8% do PIB. A ampliação de despesas, em grande parte obrigatórias, compromete cerca de 93% do orçamento, limitando margens para cortes e exigindo novos empréstimos a taxas crescentes.

O setor produtivo sente esse aperto. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que oito em cada dez empresas consideram os juros a principal barreira ao crédito. No comércio e nos serviços, empresários relatam dificuldades para financiar estoques e expandir seus negócios. A construção civil revisou para baixo a previsão de crescimento, e até grandes redes de supermercados afirmam que o país mantém a segunda maior taxa real de juros do mundo, atrás apenas da Turquia.

Para as famílias, os juros a 15% tornam mais caro o financiamento de imóveis, veículos e compras no cartão de crédito. Economistas apontam que o custo do dinheiro sobe, restringindo o consumo e aumentando a desigualdade de renda: quem tem patrimônio se beneficia de aplicações indexadas à Selic, enquanto os endividados enfrentam taxas que ultrapassam 200% ao ano em linhas rotativas.

Divergência entre políticas e desaceleração econômica
Ao longo de 2025, o governo federal adotou medidas expansionistas – aumento de gastos sociais, subsídios a crédito e renúncias fiscais – que estimularam a demanda em um momento de política monetária restritiva. A estratégia produziu crescimento acima do esperado no primeiro semestre, mas a economia perdeu fôlego no terceiro trimestre, quando o PIB avançou apenas 0,1%, o ritmo mais lento em três anos. O consumo das famílias praticamente estagnou, enquanto a indústria e os serviços sentiram o impacto dos juros altos.

Analistas alertam que a falta de coordenação entre a política monetária e a fiscal prolonga o aperto e reduz a eficácia da taxa Selic como instrumento de controle inflacionário. A confiança de empresários e investidores foi abalada pelas discussões no Congresso para flexibilizar o arcabouço fiscal, permitindo mais gastos e renúncias de receita. Estimativas do mercado projetam endividamento público superior a 81% do PIB em 2025. O risco de deterioração fiscal, somado à possibilidade de medidas populistas em ano pré-eleitoral, mantém a percepção de risco elevada e limita o espaço para cortes na Selic.

A voz das ruas e das empresas
Além dos analistas, parlamentares e entidades representativas têm criticado a combinação de juros altos e gestão fiscal expansionista. O deputado federal Marcos Pereira, presidente de um partido da base de centro-direita, afirmou que os juros a 15% encarecem financiamentos imobiliários, compra de veículos e uso do cartão. Ele associa o aperto monetário à “má gestão fiscal” do governo, que aumentou impostos e gastos acima da arrecadação.

Para representantes da indústria e do comércio, o atual patamar de juros sufoca a produção e impede a geração de emprego. A Federação das Indústrias alerta que 80% das empresas consideram o crédito caro o principal entrave. Já o setor de supermercados ressalta que o Brasil mantém juros reais altíssimos, pressionando os preços ao consumidor.

Caminhos para a queda dos juros
Especialistas concordam que a melhora do ambiente fiscal é condição essencial para que os juros recuem. Estudos mostram que cada ponto percentual de deterioração do resultado primário pode elevar a Selic em até 0,5 ponto, enquanto um superávit consistente abriria espaço para cortes. Assim, a construção de superávits primários, a revisão de despesas obrigatórias e a aprovação de reformas estruturais – como a administrativa e a tributária – são apontadas como passos indispensáveis.

Alguns economistas estimam que a taxa neutra de juros no Brasil estaria próxima de 9% ao ano. Para chegar a esse patamar, seria necessário reduzir a incerteza fiscal, melhorar a produtividade e credibilizar a política econômica. Sem essas mudanças, o país corre o risco de conviver por mais tempo com juros de dois dígitos, crescimento fraco e aumento da dívida.

Conclusão
O Brasil enfrenta um dilema: os juros altos são considerados necessários para conter a inflação, mas impõem um custo social e econômico elevado e convivem com um setor público que gasta além das receitas. Enquanto o governo não apresentar um plano crível de ajuste fiscal e reformas que equilibrem as contas, a autoridade monetária permanecerá refém de juros elevados. E, nesse contexto, o país não aguenta mais tanto juros, e o fiscal não ajuda. A convergência das políticas – com responsabilidade fiscal e coordenação entre as autoridades – é a saída para aliviar o bolso dos brasileiros, impulsionar o investimento e colocar a economia em rota de crescimento sustentável.