Zürcher Nachrichten - Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

EUR -
AED 4.277636
AFN 76.286087
ALL 92.285223
AMD 424.474037
ANG 2.084439
AOA 1069.132812
ARS 1762.221846
AUD 1.618647
AWG 2.096338
AZN 1.978299
BAM 1.956905
BBD 2.345754
BDT 143.571044
BGN 1.975643
BHD 0.439101
BIF 3482.25093
BMD 1.164632
BND 1.481436
BOB 13.480783
BRL 6.016607
BSD 1.164672
BTN 111.209163
BWP 15.60501
BYN 3.512383
BYR 22826.795393
BZD 2.342352
CAD 1.613645
CDF 2649.538628
CHF 0.936948
CLF 0.027314
CLP 1074.990303
CNY 7.829532
CNH 7.826248
COP 3687.959954
CRC 529.205545
CUC 1.164632
CUP 30.862759
CVE 110.697901
CZK 24.152322
DJF 206.979122
DKK 7.474156
DOP 67.869001
DZD 154.755969
EGP 58.546653
ERN 17.469486
ETB 187.028852
FJD 2.552409
FKP 0.85675
GBP 0.857189
GEL 3.038813
GGP 0.85675
GHS 13.038066
GIP 0.85675
GMD 85.602124
GNF 10222.567156
GTQ 8.888017
GYD 243.662775
HKD 9.129536
HNL 31.305262
HRK 7.532613
HTG 152.366008
HUF 365.477378
IDR 20650.097404
ILS 3.454824
IMP 0.85675
INR 111.22129
IQD 1526.250784
IRR 1600874.606261
ISK 140.198221
JEP 0.85675
JMD 184.895959
JOD 0.825742
JPY 185.709971
KES 150.749559
KGS 101.847514
KHR 4710.938144
KMF 492.63983
KPW 1048.169518
KRW 1609.428835
KWD 0.359347
KYD 0.97056
KZT 538.975814
LAK 26111.059035
LBP 104292.832962
LKR 382.63928
LRD 211.642882
LSL 18.610952
LTL 3.438857
LVL 0.704474
LYD 7.377955
MAD 10.788863
MDL 19.950519
MGA 5048.681448
MKD 61.555276
MMK 2445.738022
MNT 4188.311658
MOP 9.402946
MRU 46.702469
MUR 54.494553
MVR 18.005097
MWK 2021.801784
MXN 19.766799
MYR 4.696616
MZN 74.425803
NAD 18.598864
NGN 1564.834589
NIO 42.765602
NOK 10.861724
NPR 177.934261
NZD 1.957875
OMR 0.447801
PAB 1.164672
PEN 3.902718
PGK 5.158179
PHP 72.130357
PKR 323.243482
PLN 4.336683
PYG 6914.96277
QAR 4.245377
RON 5.257731
RSD 117.25048
RUB 100.082259
RWF 1712.009654
SAR 4.3716
SBD 9.317208
SCR 17.006873
SDG 699.944451
SEK 11.093765
SGD 1.480743
SHP 0.862837
SLE 28.771937
SLL 24421.758589
SOS 665.58599
SRD 43.943958
STD 24105.53967
STN 24.864902
SVC 10.19084
SYP 15142.55059
SZL 18.412932
THB 38.303014
TJS 10.743995
TMT 4.08786
TND 3.372196
TOP 2.804155
TRY 56.059233
TTD 7.905564
TWD 36.911844
TZS 3083.367805
UAH 51.889914
UGX 4373.468759
USD 1.164632
UYU 46.816829
UZS 13771.778473
VES 915.733351
VND 30371.284197
VUV 137.95807
WST 3.151923
XAF 656.341584
XAG 0.016831
XAU 0.000253
XCD 3.147477
XCG 2.09903
XDR 0.823456
XOF 655.104639
XPF 119.331742
YER 276.075721
ZAR 18.646701
ZMK 10483.086908
ZMW 22.157793
ZWL 375.011163
Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos
Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

As autoridades do Nepal elevaram o número de mortos para pelo menos 389 após uma grande enxurrada causada pelo colapso de um glaciar na fronteira com o Tibete. O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a presença de três cidadãos portugueses entre os desaparecidos, enquanto as operações de busca enfrentam condições extremas de lama e destruição de infraestrutura.

Tamanho do texto:

As autoridades do Nepal atualizaram, nesta quinta-feira, 27 de agosto, o balanço da tragédia que atingiu a região fronteiriça com o Tibete, elevando o número de mortos confirmados para pelo menos 389. Do lado tibetano, foram recuperados mais três corpos. O cenário humanitário permanece crítico, com cerca de mil pessoas dadas como desaparecidas entre os dois lados da fronteira. Entre as vítimas e os desabrigados, encontram-se três cidadãos portugueses, conforme confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

A situação dos nacionais portugueses sofreu uma atualização dinâmica ao longo do dia. No início da tarde, o MNE havia informado que quatro cidadãos estavam desaparecidos, dois a mais do que os dados conhecidos na véspera. Poucos minutos depois, contudo, o ministério divulgou "boas notícias": um dos indivíduos anteriormente classificados como desaparecido fora localizado na fronteira com o Tibete, aparentemente distante da zona de impacto imediato. O cidadão encontra-se em segurança e com boa saúde. Com esta confirmação, o balanço oficial português ajustou-se para três portugueses desaparecidos: um homem e duas mulheres.

O Ministério das Relações Exteriores sublinhou que os números continuam provisórios devido à vastidão da área afetada e ao elevado número de pessoas que permanecem sem contacto com as suas famílias. As operações de busca e salvamento prosseguem num cenário de extrema dificuldade técnica e logística. Estradas destruídas, pontes arrastadas pela força da corrente, falhas generalizadas nas comunicações e a ameaça constante de novos deslizamentos de terra condicionam severamente o acesso às zonas mais atingidas.

A polícia nepalesa detalhou a distribuição geográfica das vítimas recuperadas até ao momento. A maioria dos corpos, totalizando 137, foi encontrada no distrito de Chitwan. Outros distritos também registaram números significativos: Nawalparasi contabilizou 87 corpos (com dados adicionais indicando 27 em outra referência do mesmo distrito), Dhading registou 33, Gorkha 32, Nuwakot e Tanahun 28 cada um, e Rasuwa 17. A tragédia, desencadeada na manhã de quarta-feira, foi provocada pelo colapso súbito de um glaciar nos Himalaias.

Os primeiros relatos sobre a origem do desastre apontavam para um sismo como causa provável. No entanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) esclareceu posteriormente que o fenómeno correspondeu a um "colapso glaciar". O impacto da massa de gelo e detritos no fundo do vale foi tão intenso que registou uma magnitude de 5,2 na escala sísmica. Uma análise preliminar do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD), organização intergovernamental, aponta para a possibilidade de uma "avalanche de gelo e rocha" originada numa zona de grande altitude. A queda de uma enorme quantidade de gelo e detritos para o Lende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, provocou uma subida abrupta do caudal. Segundo o organismo, os níveis da água nos rios a jusante subiram entre sete e nove metros em apenas 30 minutos, destruindo ou danificando várias estações de monitorização.

A força da cheia surpreendeu comunidades, trabalhadores e viajantes junto à fronteira entre o Nepal e a China. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma massa de água, lama e rocha avançando pelo vale e atingindo um posto fronteiriço em Gyirong. Casas, estradas, pontes e infraestruturas de energia foram destruídas ou arrastadas pela corrente. Simon Cook, especialista em glaciares da Universidade de Dundee, indicou à BBC que a sua equipa detetou o colapso da parte inferior de um glaciar no Nepal, perto do pico Langtang Lirung, a cerca de 15 quilómetros do local atingido pelas cheias.

Entre as pessoas que permanecem sem contacto estão dezenas de peregrinos hindus que se encontravam na região durante uma viagem ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para hindus e budistas tibetanos. O líder espiritual hindu Sadhguru, Jagadish Vasudev, afirmou que 80 peregrinos estavam no posto de imigração da fronteira Nepal-China quando a cheia atingiu o edifício. Entre eles encontrava-se um cidadão português. "Literalmente, todo o grupo estava no edifício", escreveu Sadhguru nas redes sociais, classificando o evento como um "acontecimento terrível". O grupo incluía cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido, Alemanha, França, Nepal, Países Baixos, Nova Zelândia, Espanha, Singapura, Finlândia, Hungria, Israel, Lituânia, Filipinas, Rússia, África do Sul e Portugal.

A comunidade internacional reagiu à dimensão da catástrofe. O Dalai Lama lamentou a tragédia, orando por aqueles que perderam a vida e oferecendo solidariedade e condolências aos familiares enlutados. O líder espiritual tibetano recordou que a região já foi atingida por outras calamidades e considerou que estes acontecimentos podem ser "sintomas de uma causa mais profunda", seja ela as alterações climáticas ou outros fatores.

A questão do impacto das alterações climáticas no desastre tem sido amplamente debatida por cientistas. Embora não afirmem que seja possível atribuir este episódio exclusivamente às mudanças climáticas, os especialistas alertam para uma tendência mais ampla. Um relatório do ICIMOD divulgado este ano concluiu que os glaciares da região Hindu Kush-Himalaia estão a perder gelo ao dobro do ritmo registado desde 2000, aumentando a exposição a fenómenos como inundações e deslizamentos.

Mohd Farooq Azam, especialista do ICIMOD citado pela BBC, afirmou que o aumento da frequência de perigos associados à criosfera — as zonas congeladas da Terra — "está a tornar-se mais visível do que nunca". O ritmo de transformação é tão rápido que, segundo o especialista, "os esforços atuais estão a ter dificuldade em acompanhar". Simon Cook sublinhou que, embora seja difícil determinar se um acontecimento individual é diretamente causado pelas alterações climáticas, o padrão observado é significativo. Com um planeta mais quente, prevê-se o encolhimento dos glaciares, mais fusão de neve e o degelo do permafrost, o solo permanentemente congelado que ajuda a estabilizar algumas encostas.

O resultado deste aquecimento pode ser uma maior ocorrência de "deslizamentos, fluxos de detritos, água de degelo dos glaciais, rupturas de lagos e colapsos de glaciares", à medida que o aquecimento do clima torna estes ambientes de alta montanha mais instáveis.

No Tibete, as condições no terreno continuam particularmente difíceis. O deslizamento de terras junto à passagem fronteiriça de Gyirong Port deixou algumas zonas cobertas por mais de 1,5 metros de lama. Todas as estradas de acesso ao posto fronteiriço ficaram danificadas e as comunicações foram interrompidas. Além disso, a previsão de chuva nos próximos dias faz temer novos deslizamentos e colapsos secundários, complicando ainda mais o trabalho das equipas de emergência.

David Fisher, responsável pela delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, descreveu a situação como "extrema". "É muito claro para nós que existem necessidades muito urgentes", afirmou Fisher, acrescentando que "é preciso muito, muito mais" apoio. O responsável avisou ainda que o número de mortos poderá continuar a aumentar à medida que as equipas de resgate acedem a áreas anteriormente inacessíveis.

W.Odermatt--NZN