Zürcher Nachrichten - A esperança de encontrar as últimas vítimas 30 anos após o genocídio de Srebrenica

EUR -
AED 4.323283
AFN 75.340706
ALL 95.210272
AMD 433.536083
ANG 2.107059
AOA 1080.672994
ARS 1645.738459
AUD 1.625854
AWG 2.12191
AZN 2.011203
BAM 1.95191
BBD 2.364688
BDT 144.062923
BGN 1.963697
BHD 0.443317
BIF 3494.536357
BMD 1.177204
BND 1.488733
BOB 8.112833
BRL 5.762884
BSD 1.17406
BTN 110.870067
BWP 15.76259
BYN 3.317888
BYR 23073.201501
BZD 2.361295
CAD 1.609191
CDF 2666.367401
CHF 0.916324
CLF 0.026701
CLP 1050.866424
CNY 8.005871
CNH 7.996942
COP 4413.361933
CRC 539.724479
CUC 1.177204
CUP 31.19591
CVE 110.045709
CZK 24.318798
DJF 209.073375
DKK 7.47268
DOP 69.820866
DZD 155.622213
EGP 62.086276
ERN 17.658062
ETB 183.32199
FJD 2.572072
FKP 0.863412
GBP 0.864862
GEL 3.149056
GGP 0.863412
GHS 13.225645
GIP 0.863412
GMD 86.522849
GNF 10301.47202
GTQ 8.964137
GYD 245.650487
HKD 9.216314
HNL 31.211804
HRK 7.533516
HTG 153.713691
HUF 355.183096
IDR 20492.769987
ILS 3.429013
IMP 0.863412
INR 112.093893
IQD 1538.035122
IRR 1543903.253763
ISK 143.80705
JEP 0.863412
JMD 185.041264
JOD 0.834645
JPY 184.92171
KES 152.035965
KGS 102.911769
KHR 4710.613053
KMF 492.07086
KPW 1059.483692
KRW 1730.06636
KWD 0.362403
KYD 0.97845
KZT 542.628691
LAK 25747.691983
LBP 105138.188717
LKR 377.996757
LRD 215.440686
LSL 19.261318
LTL 3.475978
LVL 0.712079
LYD 7.424206
MAD 10.737803
MDL 20.076992
MGA 4904.227234
MKD 61.596498
MMK 2471.57125
MNT 4210.514695
MOP 9.466436
MRU 46.927487
MUR 55.010549
MVR 18.125121
MWK 2035.443924
MXN 20.245589
MYR 4.61818
MZN 75.234847
NAD 19.261318
NGN 1602.198881
NIO 43.203907
NOK 10.838633
NPR 177.392506
NZD 1.978515
OMR 0.45263
PAB 1.17406
PEN 4.059311
PGK 5.184668
PHP 71.827104
PKR 327.214153
PLN 4.239289
PYG 7171.708771
QAR 4.291448
RON 5.216661
RSD 117.371914
RUB 87.177505
RWF 1721.170185
SAR 4.435101
SBD 9.440509
SCR 16.210064
SDG 706.914075
SEK 10.874895
SGD 1.493759
SHP 0.878902
SLE 29.018162
SLL 24685.378083
SOS 670.962957
SRD 44.026214
STD 24365.74931
STN 24.451275
SVC 10.273528
SYP 130.137489
SZL 19.248643
THB 38.159664
TJS 10.954072
TMT 4.120215
TND 3.410204
TOP 2.834425
TRY 53.423995
TTD 7.957144
TWD 36.960095
TZS 3057.787367
UAH 51.57253
UGX 4399.233546
USD 1.177204
UYU 46.826687
UZS 14241.620396
VES 587.702659
VND 30985.779251
VUV 139.590265
WST 3.186805
XAF 654.652459
XAG 0.014671
XAU 0.000252
XCD 3.181453
XCG 2.115983
XDR 0.814178
XOF 654.652459
XPF 119.331742
YER 280.91035
ZAR 19.332512
ZMK 10596.253521
ZMW 22.352458
ZWL 379.059259
A esperança de encontrar as últimas vítimas 30 anos após o genocídio de Srebrenica
A esperança de encontrar as últimas vítimas 30 anos após o genocídio de Srebrenica / foto: ELVIS BARUKCIC - AFP

A esperança de encontrar as últimas vítimas 30 anos após o genocídio de Srebrenica

Para Sadik Selimovic, a alegria de ter sobrevivido aos massacres de Srebrenica em 1995 não durou muito. Quando soube da morte de seus três irmãos e de seu pai, decidiu dedicar sua vida a encontrá-los.

Tamanho do texto:

Três décadas depois, Selimovic, de 62 anos, que se tornou pesquisador no International Comission on Missing Person (ICMP), não consegue conter a angústia ao pensar que ainda há cerca de 1.000 vítimas a serem encontradas.

Em julho de 1995, as forças sérvias da Bósnia mataram 8.000 homens e adolescentes muçulmanos em Srebrenica, uma área protegida pelos capacetes azuis da ONU.

A Justiça internacional classificou os crimes como genocídio, o pior massacre ocorrido na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

"Nos últimos três anos, fizemos buscas em 62 locais" na esperança de encontrar covas coletivas, disse Selimovic à AFP. "Mas não encontramos um único corpo", lamenta.

"Aqueles que sabem [onde estão as fossas] não querem dizer", continua este homem, que passa os dias procurando testemunhas entre os sérvios que vivem na região, muitas vezes seus vizinhos, amigos de escola ou aqueles com quem trabalhou antes da guerra na fábrica de baterias Potocari, agora um centro memorial do genocídio.

A guerra da Bósnia, que ocorreu entre 1992 e 1995, deixou quase 100.000 mortos.

"Como conseguem viver com o que sabem?", pergunta. "Não consigo entender. Mas há pessoas que se manifestaram, e isso também precisa ser dito", acrescenta.

A última cova coletiva foi descoberta em 2021 na região de Dobro Polje, a 180 km da cidade. Dez vítimas de Srebrenica foram encontradas nela.

Até o momento, mais de 6.800 vítimas foram identificadas, cerca de 80% do total, explica a Dra. Dragana Vucetic, antropóloga forense do ICMP.

No necrotério do ICMP em Tuzla, noroeste da Bósnia, há "90 casos cujas impressões digitais genéticas (DNA) foram isoladas", mas ainda não identificadas.

Há também cerca de 50 vítimas identificadas. "Mas as famílias ainda se recusam a confirmar a identificação e enterrá-las. Na maioria das vezes, porque os restos mortais estão incompletos", explica a especialista, que trabalha no centro de identificação há mais de duas décadas.

- Covas coletivas -

Inicialmente, os corpos das vítimas eram jogados em grandes covas perto dos "cinco locais de execução em massa".

Mas, "alguns meses depois, essas fossas foram abertas e os corpos, já em processo de decomposição, transportados para outros locais, às vezes a 100 quilômetros de distância", explica Vucetic.

Foi nesse momento que os corpos foram "desmembrados" por tratores e escavadeiras e, muitas vezes, transportados para dois ou três locais diferentes, na tentativa de ocultar o crime.

"Durante as exumações, encontramos corpos completos apenas em 10% dos casos", acrescenta a especialista.

Testes de DNA foram utilizados para reconstruir alguns esqueletos, muitas vezes com partes encontradas em quatro fossas diferentes.

Aproximadamente 6.000 pessoas foram identificadas entre 2012 e 2022. Após esse período, o número de identificações diminuiu, com apenas três casos desde o início de 2025.

Mevlida Omerovic, de 69 anos, aguarda desde 2013 que os restos mortais do marido estejam reunidos para que possam ser enterrados no memorial de Srebrenica. Ele foi morto aos 33 anos, junto com seu irmão Hasan.

"Só resta o maxilar dele, mas agora decidi enterrá-lo" durante as cerimônias pelo 30º aniversário do genocídio em 11 de julho, diz. "Saberemos onde fica o túmulo dele e poderemos ir lá para rezar", acrescenta. Seu irmão Senad, morto aos 17 anos, nunca foi encontrado.

O pesquisador Sadik Selimovic recuperou os restos mortais de seus irmãos e de seu pai. O último que encontrou foi seu irmão mais novo, Sabahudin, enterrado em 2023.

Mas ele não tem intenção de parar. "É o que me faz seguir em frente. Sei o que significa ouvir que encontraram seu ente querido", diz.

Por isso, lê depoimentos, vasculha a área e retorna repetidamente aos mesmos lugares.

"Encontraremos outras pessoas. Se houver outras covas coletivas, e eu acho que deve haver, nós as encontraremos", diz.

O que preocupa é o Drina, rio na fronteira entre a Bósnia e a Sérvia, que corre não muito longe de Srebrenica.

"Receio que o Drina seja a maior cova coletiva. Ninguém jamais encontrará aqueles que foram parar lá".

Ch.Siegenthaler--NZN